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Formada em 2023 nos recantos de Belém, a banda lento, distante apresenta seu álbum de estreia, Tecendo Ficções, um trabalho que encontra no shoegaze e no dream pop paisagens e sonoridades etéreas entre memórias inventadas, saudades impossíveis e encontros que se desfazem no vento.
As canções funcionam como fios que costuram realidades e invenções, misturando lembranças, desejos e ausências em um tecido sonoro denso, que se estende entre a lucidez e o sonho. Em faixas como “Saudades”, surge a nostalgia de algo que não chegou a existir, uma vontade que nunca se cumpriu, mas insiste em permanecer, também presente em trechos como “Sempre começo a sonhar / Só depois de acordar” na faixa que leva o título do álbum. Já em “Trevo” e “Quando tudo me lembra você”, o encontro amoroso se insinua como possibilidade de reconstrução, sempre marcada pela incompletude, formadora da própria experiência.
Tecendo Ficções é, ao fim, um convite a mergulhar no paradoxo humano: inventar mundos para sobreviver às perdas, criar histórias para habitar o vazio, transformar o tempo fragmentado em poesia. É uma obra que entende a distância como lugar de criação, em que a incompletude deixa de ser falha e se transforma em potência. O sujeito lírico assume uma função de alguém que, a partir de fragmentos e distâncias, tece significados possíveis para suportar o vazio ou reinventar o sentido da vida.