Show cover of A Malu tá ON

A Malu tá ON

A jornalista Malu Gaspar retorna ao universo de podcasts, agora pelo GLOBO, com A MALU TÁ ON, um programa semanal de entrevistas sinceras e diretas com os personagens mais relevantes do país.

Músicas

#34 - Fernando Haddad: 'Temos que pavimentar o segundo turno já'
Fernando Haddad é um dos políticos mais empenhados nas conversas para a formação de uma chapa em 2022 com Geraldo Alckmin como vice de Lula. Seu esforço tem um motivo concreto: para Haddad, a falta de alianças com partidos de centro foi elemento central para a sua própria derrota na última eleição presidencial, contra Jair Bolsonaro. "Não podemos repetir 2018. O Brasil não vai aguentar quatro anos com um inconsequente, um genocida no poder. Então nós temos que pavimentar um segundo turno já." Haddad acredita que é possível forjar um pacto entre os partidos de oposição para restituir ao Brasil os princípios democráticos e a soberania nacional. Mas isso não o impede de alfinetar aliados como o PSB, que tem feito exigências para receber Alckmin, e Ciro Gomes, que lembra em seus discursos a corrupção nos governos petistas. E alerta: "As pessoas de esquerda, de centro esquerda, superestimam um pouco a nossa força. Nós temos muito o que avançar. Para a gente ter a metade da Câmara, a gente precisava ter 257 parlamentares. Nós não temos metade disso."
43:18 17/12/2021
#33 - Juliano Spyer: ‘O voto em Bolsonaro custa caro ao evangélico’
Depois de viver por um ano e meio em uma comunidade pobre e predominantemente evangélica no interior da Bahia, o antropólogo Juliano Spyer escreveu o livro que virou manual para os políticos interessados em conquistar os evangélicos nas próximas eleições - “O Povo de Deus”. Spyer sustenta que o estigma e o preconceito da esquerda empurraram essa fatia cada vez mais numerosa do eleitorado na direção de Jair Bolsonaro. “O voto em Bolsonaro custa caro ao evangélico, não é um apoio fácil. Ele fala de forma vulgar, truculenta, e defende armas”, diz Spyer. “A diferença é que ele faz essa defesa clara, pública, da tal família tradicional”. Neste episódio, Spyer diz acreditar que, desta vez, o alinhamento político com o presidente da República não será automático como em 2018. E é nesse contexto de disputa que ele vê a indicação do presbiteriano André Mendonça para ministro do Supremo como um “golaço”. “Para o evangélico pobre, que não se vê representado em espaços de poder, foi um grande acontecimento”.
40:59 10/12/2021
#32 - Renata Abreu: Candidatos da 3a via terão que ter desprendimento e apoiar Moro
Ela não gostava de política quando pequena, mas, ao ver o pai debilitado pelo Alzheimer, decidiu assumir o comando do partido criado pela família, o nanico PTN. Hoje convertido em Podemos, a legenda reúne a terceira maior bancada do Senado, está lançando Sérgio Moro como candidato a presidente em 2022 e deve receber uma cota de cerca de 200 milhões de reais do fundo eleitoral para gastar na campanha. Aos 39 anos, Renata Abreu entrou para o time dos grandes caciques políticos brasileiros. E está certa de que, na disputa pelo eleitor da terceira via, sua aposta no ex-juiz da Lava Jato vai prevalecer. "Se algum dos candidatos não contribuir para que tenha uma união e a 'melhor via' possa de fato ir para o segundo turno, vai ter uma pressão popular para que essa união aconteça." Renata ainda desafia: "Se tivesse algum outro candidato que pontuasse muito melhor do que o Moro, ou que ele por alguma razão despencasse nas pesquisas, ele não teria problema em contribuir. Agora sinceramente, eu não vejo possibilidade de isso acontecer, e aí os outros terão que ter esse desprendimento também".
36:45 03/12/2021
#31 - Ricardo Paes de Barros: Deixamos de ser modelo para virar um país sem rumo no combate à pobreza
Difícil achar alguém no Brasil que saiba mais sobre políticas de combate à desigualdade do que Ricardo Paes de Barros, o PB. Um dos criadores do Bolsa Família, formado na liberal Universidade de Chicago, ele está convicto de que o problema do novo Auxílio Brasil não é falta de dinheiro e sim falta de informação. “Não tem como resolver o problema da pobreza eletronicamente ou pelo correio. Você tem que conversar com a família, entender o problema dela”, diz o economista. “O pobre brasileiro não está precisando apenas de transferência de renda, mas também de inclusão produtiva. As famílias querem ter capacidade autônoma de gerar a própria renda”, explica o economista. Na conversa com Malu Gaspar, PB revela que suas sugestões para o programa não foram aproveitadas pelo governo. E lamenta: "O Brasil deixou de ser um país que era um modelo no combate à pobreza para ser um país percebido mundialmente como sem rumo no combate à extrema pobreza"
41:41 26/11/2021
#30 - Tabata Amaral: ‘O Enem 2021 já é o mais elitista da história’
A crise do Inep, que realiza o Exame Nacional do Ensino Médio, é a fumaça. O fato é que teremos o Enem mais elitista, mais branco e mais rico da história. "São vários erros, políticas e confusões que vão excluindo quem é mais vulnerável. Já vamos para o terceiro ano de um Enem que está sendo feito para excluir cada vez mais gente", diz Tábata Amaral (PSB-SP). Criada na periferia de São Paulo, Tábata critica tanto a postura do governo como a da oposição na discussão sobre o fechamento das escolas durante a pandemia. Neste episódio, ela defende a formação de uma frente ampla contra Bolsonaro em 2022, comenta ataques machistas que sofre à esquerda e à direita e deixa claro: não vai perdoar a atitude do ator José de Abreu, que reproduziu ameaças a ela em redes sociais. "Você ameaçar alguém de agressão física, você endossar crime, são crimes. E até onde me consta crimes são respondidos na Justiça, e não em artigos na Folha de S. Paulo com pedidos de desculpa."
43:01 19/11/2021
#29 - Juma Xipaya: Não adianta dar dinheiro à causa indígena e se eximir da responsabilidade climática
Uma das principais lideranças indígenas na COP 26, Juma Xipaya ficou conhecida entre ambientalistas quando se engajou no movimento contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte e denunciou casos de corrupção entre os próprios indígenas e a empresa responsável pela usina. Desde então, ela se tornou a primeira cacica do médio Xingu, foi ameaçada de morte, sofreu um envenenamento e se refugiou no exterior. Mas voltou e hoje está à toda. Em Glasgow, ela deixou seu recado não só para Jair Bolsonaro, mas também para os governos estrangeiros. “Não adianta colocar dinheiro nas organizações indígenas e se eximir da responsabilidade climática”, diz ela. Nesse episódio, Juma fala do apelo do bolsonarismo entre os indígenas, do sofrimento provocado pela Covid nas aldeias e de como enfrentou o machismo para se tornar líder do seu povo.
43:16 12/11/2021
#28 - Fernanda Montenegro: 'Bolsonaro é um vômito, uma punhalada no ventre'
A Academia Brasileira de Letras acaba de confirmar o que a gente já sabia: Fernanda Montenegro é imortal. Aos 92 anos, ela acaba de ganhar mais uma honraria na carreira, ao ser escolhida por unanimidade para integrar a Academia Brasileira de Letras. Em mais de 70 anos de carreira, Fernanda já moldou o teatro, o cinema, a TV, e continua cheia de planos. No momento, porém, ela está concentrada em atravessar o governo Bolsonaro. "Esse governo é um vômito, uma punhalada no estômago", diz ela. "A grande tristeza é que ele entrou pelo voto. E por que votaram no Bolsonaro? Porque os governos que o antecederam cumpriram só metade do prometido". Mas ela não se abala: "É só esperar que passa".
40:27 04/11/2021
#27 - Wagner Moura: não acho certo condenar quem foi para a luta armada
Como ator, Wagner Moura apresentou ao Brasil o Capitão Nascimento, policial do Bope que matava e torturava bandidos. Na estreia como diretor, traz “Marighella”, ex-deputado do partido comunista que entrou na luta armada e morreu nas mãos da ditadura. Com o primeiro filme, foi acusado de glamourizar violência policial. Agora, está sendo acusado de idolatrar terroristas. O filme irritou tanto os bolsonaristas que o lancamento, previsto para 2019, só está acontecendo agora – para Wagner, em razão de um ato de censura do governo Bolsonaro. Ele não esconde que em seu filme, Marighella, vivido por Seu Jorge, é herói. Mas diz que a discussão sobre o assunto é mais complexa do que parece. “Não acho certo julgar em 2021 brasileiros e brasileiras que, em momento de total cerceamento de suas liberdades e incendiados por uma ideia que permeava o mundo inteiro, optaram pela luta armada. Fiz o filme justamente pela profunda admiração que tenho por essas pessoas”. Na conversa com Malu Gaspar, o artista discute o futuro do país pós-2022, as contradições da esquerda e conta como é ser um ator latino em Hollywood.
41:55 29/10/2021
#26 - Deisy Ventura: muitos crimes cometidos na pandemia ainda virão à tona
A jurista Deisy Ventura foi chamada para assessorar a CPI da Covid por ter coordenado o estudo mais extenso sobre as ações do governo Jair Bolsonaro ao longo da pandemia. Nesta semana, ficou claro que a cúpula da comissão se convenceu de sua tese central: a de que o presidente comandou uma estratégia deliberada pela imunidade de rebanho por contágio no país, sustentada por uma forte campanha de desinformação. “Em saúde pública, as palavras matam”, diz Deisy no episódio #26 do A Malu Tá ON. Para ela, a CPI já foi bem longe, mas as investigações que seguirão ainda farão emergir novos crimes. "Vamos concluir que foi muito mais grave ainda. Muita gente vai falar no dia em que esses processos se abrirem e existir alguma estabilidade política no nosso país". Na conversa com Malu Gaspar, Deisy Ventura avalia ainda a instrumentalização da classe médica pelo bolsonarismo e as chances de Bolsonaro ir para o banco dos réus do Tribunal de Haia.
42:49 22/10/2021
#25 -Tarcísio de Freitas: Empresários insuflaram caminhoneiros no 7 de setembro
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, é um caso raro. Trabalhou para Dilma Rousseff e Michel Temer e ainda assim faz sucesso no bolsonarismo – a ponto de ser um dos cotados para candidato a vice na chapa do presidente da República à reeleição. Interlocutor do governo com os caminhoneiros, Tarcísio admite neste episódio do A Malu Tá ON que a mobilização da categoria para os atos antidemocráticos de 7 de setembro saiu do controle. “Não foi um movimento de caminhoneiros, mas político. Tinha outros agentes usando caminhão, como empresários de transporte e do agronegócio”, diz ele, que esteve nas manifestações. Na conversa com Malu Gaspar, Tarcísio diz ainda que a Petrobras poderá bancar o “bônus caminhoneiro”, o subsídio que o governo pretende dar para a renovação da frota. Apelidado de “Tarcisão do asfalto” nos grupos de zap, ele não descarta ser candidato em 2022 e faz uma rara admissão: uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva não prejudicaria o cronograma de concessões no Brasil.
40:59 15/10/2021
#24 - Fabiano Contarato: Me omitir seria negar voz a milhares de famílias
Há muito pouco tempo seria impensável ter alguém como Fabiano Contarato no Congresso Nacional. Homossexual, casado, pai de duas crianças, ele foi o senador mais votado do Espírito Santo em 2018. Se elegeu com bandeiras como o combate a crimes de trânsito e à corrupção, mas no cargo se tornou um ativo porta-voz da causa LGBTQIA+. Ainda assim, o senador se surpreendeu com a repercussão do desabafo que fez na CPI da Covid sobre os ataques homofóbicos que sofreu. Neste episódio, Contarato fala dos conflitos que viveu ao assumir a homossexualidade, da carreira na polícia, da opção pela política e das descobertas da paternidade, e explica por que decidiu comprar a briga na CPI. “Eu entendi que a minha omissão equivaleria a um ato de covardia. Porque eu faço parte da população LGBTQIA+ e tenho um lugar de fala, se eu me omitisse estaria negando vez e voz a milhares de famílias”
45:43 08/10/2021
#23 - Caetano Veloso: conservadorismo no Brasil está ameaçado e fraco
Caetano Veloso emergiu da quarentena forçada pela pandemia com uma turnê pela Europa, um disco todo de músicas inéditas e o lançamento de uma canção de forte conteúdo político, “Anjos Tronchos”. Na música, que ele mesmo define como um desabafo, Caetano fala do desconforto com o mundo dominado por “líderes palhaços” que emergiu da nova lógica dos algoritmos e da tecnologia. Neste episódio do A Malu Tá ON, Caetano rememora as reflexões que o levaram a escrever a música, comenta o clima de polarização que tomou conta da política e oferece uma perspectiva nova sobre o cenário brasileiro: “Os conservadores eram chamados de maioria silenciosa. Terem que deixar de ser silenciosos significa muito. Eles estão ameaçados, é uma demonstração de fraqueza inelutável”. Na conversa, Malu e Caetano falam ainda de eleições, da relação do artista com a nova lógica da indústria cultural e da forma como lida com as críticas.
44:41 01/10/2021
#22 - Nina da Hora: Cenário digital para as eleições precisa mudar já
Hacker antirracista, pesquisadora, desenvolvedora, podcaster, consultora de grandes empresas e integrante do time de especialistas que assessorará o TSE nas eleições de 2022. A lista de definições para Nina da Hora, de 26 anos, não para por aí. A jovem moradora da Baixada Fluminense é uma das expoentes do Brasil na discussão sobre racismo algorítmico e privacidade digital. No episódio #22 do A Malu Tá ON, Nina avalia que o sistema eleitoral está mais preparado do que há quatro anos. “Em 2018, fomos atropelados pelo digital. Agora pelo menos conhecemos o desafio, as dificuldades – e acreditamos que pode haver uma quebra da democracia". Ainda assim, não há tempo a perder. "O ideal seria mudar esse cenário até março. Não dá para esperar até outubro não." Na conversa com Malu Gaspar, Nina defende o banimento da tecnologia de reconhecimento facial na segurança pública e discute os dilemas da moderação de conteúdo nas redes sociais em tempos de fake news.
40:30 24/09/2021
#21 - Kim Kataguiri: 'Bolsonaro faz a direita de refém'
O Movimento Brasil Livre (MBL) emergiu como força política na campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff, e nas eleições de 2018 se tornou uma espécie de linha auxiliar do bolsonarismo. Só que, desde então, muita água já passou debaixo da ponte, muitos likes e deslikes já rolaram, e hoje o movimento monta palanques justamente pelo impeachment de Jair Bolsonaro. Mas essa conversão do MBL não tem sido fácil. Os atos esvaziados do último dia 12 mostraram que o papo de unir a oposição acima de diferenças ideológicas em prol da democracia pode ser bonito na teoria, mas na prática o desafio é bem mais complexo, como o fundador do MBL e deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) reconhece neste episódio. "Bolsonaro quis nos fazer de refém. O que Lula faz com as esquerdas é o que o Bolsonaro faz com as direitas. Não aceita nenhuma dissidência, não aceita nenhuma crítica e busca destruir logo na raiz para acabar com aquela liderança de toda maneira." Para Kim Kataguiri, porém, o a maior barreira para o impeachment é o presidente da Câmara dos Deputados. "Quando eu procuro o Arthur Lira para cobrar a abertura do processo de impeachment, ele diz: "Sai daqui!"
42:10 17/09/2021
#20 - Gilberto Kassab: "Carta afasta risco de impeachment - por enquanto"
Gilberto Kassab é conhecido como uma espécie de biruta da política, capaz de indicar para onde sopram os ventos em Brasília. Mas nem ele foi capaz de antecipar a carta-recuo escrita por Michel Temer e divulgada por Bolsonaro, desdizendo tudo o que o presidente tinha dito no palanque de 7 de setembro. Até então, Kassab estava convencido de que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), não conseguiria barrar a abertura de um impeachment contra Jair Bolsonaro. Agora, o presidente nacional do PSD avalia que a carta atenuou a tensão e que o risco de impedimento está afastado - por enquanto. Em entrevista ao A Malu Tá ON, Kassab reforça que o temperamento de Bolsonaro o empurra para o conflito e que, por isso, acha que ele vai "escorregar" de novo. Por isso, diz acreditar que Bolsonaro acabará fora do segundo turno e vê ensaios de desembarque de parlamentares da base governista, de olho nas eleições de 2022. E explica por que acha que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tem mais chances do que João Doria (PSDB) como opção para a terceira via contra Lula e Bolsonaro.
41:49 10/09/2021
#19 - Eduardo Paes: "Não vai ter nada no 7 de setembro"
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, deve ser uma das poucas autoridades do país que não embarcou na tensão pré-7 de setembro. Para ele, "não vai acontecer nada" nos atos marcados para o feriado da Independência. "Vai uma cota grande de irresponsáveis, que defendem teses estapafúrdias, golpe militar, AI-5. Mas nem eles sabem do que estão falando, essa é a verdade". O prefeito, que está acostumado a trolar Carlos Bolsonaro na internet, considera que o bolsonarismo tem "uma parcela de gente inculta absurda, que não vale a pena perder tempo". Nem mesmo o tempo de multar o presidente da República, que vem ao Rio de Janeiro sem máscara e promove aglomerações frequentemente? Ele diz que não. “Não vou ficar de babá de presidente da República [...] as pessoas são inteligentes, elas sabem quem está cumprindo com a obrigação e quem não está”. Nesta conversa com Malu Gaspar, ele fala também do passaporte de vacinação, de eleições, de milícias e – claro – de samba.
42:51 03/09/2021
#18 - Flávio Dino: passivos e coniventes se beneficiam do golpismo de Bolsonaro
O governador do Maranhão, Flávio Dino, anda irritado com a cumplicidade dos políticos que desviam o olhar quando Jair Bolsonaro ameaça romper com o regime democrático. “Há infelizmente uma atitude ou passiva ou conivente de segmentos da política, que estão de algum modo se beneficiando desse sistema inusitado de governança que se estabeleceu no Brasil”, diz. Neste episódio do A Malu Tá ON, ele ataca os colegas governadores, que nesta semana se negaram a escrever uma carta conjunta de críticas ao presidente. “Quando você fica acanhado, acovardado, intimidado, a minoria acha que é maioria", diz ele. "O silêncio é uma forma até de concordância com aquilo que Bolsonaro prega”. Ainda assim, Dino não acredita em golpe armado das polícias. E ironiza o novo bordão de Bolsonaro, de que “joga nas quatro linhas da Constituição”. “Eu sempre pego a minha e digo assim ‘mas que Constituição é essa que só tem quatro linhas’? A minha é um pouquinho maior”.
40:48 27/08/2021
#17 - Luiza Frischeisen: o estrago que Augusto Aras, o omisso, causa à democracia
O Brasil vive um tumulto institucional provocado por declarações e ameaças do presidente da República contra a própria democracia. Mas a única pessoa que pode agir para pará-lo, o procurador-geral Augusto Aras, finge que não tem nada a ver com a história. Neste episódio do A Malu Tá ON, a conversa é com Luiza Frischeisen, que poderia estar no lugar de Aras se Bolsonaro tivesse respeitado a tradição e escolhido o mais votado (no caso, a mais votada) na eleição dos procuradores da República para a chefia do Ministério Público. Subprocuradora com 55 anos de idade e mais de 30 de carreira, Luiza diz que o Supremo só está sendo tão ativo porque Aras não cumpre seu papel. E explica a diferença entre liberdade de expressão e o discurso de ódio, que levou à prisão o ex-deputado Roberto Jefferson. “A liberdade de expressão é fundamental para a democracia, mas a democracia também precisa se defender de atos antidemocráticos.” Fã de soul e de música brasileira, Luiza indica uma trilha sonora para embalar os dias de hoje: a interpretação de Ney Matogrosso para Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio.
37:53 20/08/2021
#16 - Paula Lavigne: “Está difícil ver pessoas influentes não se posicionarem”
Paula Lavigne não gosta de ser vista como líder sindical da comunidade artística, mas é mais ou menos isso o que ela virou nos últimos tempos. "Me tornei ativista por necessidade", diz a produtora cultural. Em 2017, ela ajudou a fundar o movimento 342, que hoje faz campanha pela prisão do Secretário de Cultura do governo federal, Mário Frias. ““O incêndio da Cinemateca não foi um acidente. Aquilo estava em situação precária. E aí, vamos continuar com um Secretário de Cultura que continua agindo criminosamente?”. Neste episódio , ela diz que, mais do que desprezo, o governo Bolsonaro nutre ódio pela cultura ou pela classe artística. "Sinceramente, não entendo como um artista pode apoiar o Bolsonaro", diz ela. “Está difícil ver pessoas que têm influência não se posicionarem”. Na conversa com Malu Gaspar, enquanto fazia as malas para a turnê européia de Caetano Veloso, a primeira depois da pandemia, a produtora fala ainda sobre a destruição de estátuas, os desafios do setor diante da pandemia e os dilemas da esquerda em 2022.
40:31 13/08/2021
#15 - Georgette Vidor: "Quando Rebeca ganha o ouro, ninguém quer saber o quanto ela sofreu"
Ninguém no Brasil sabe como produzir uma campeã na ginástica olímpica melhor do que Georgette Vidor, que revelou talentos como Luísa Parente e Daiane dos Santos. Coordenadora técnica do Flamengo, clube da medalhista de ouro e prata Rebeca Andrade, a treinadora manda a real neste episódio de A Malu Tá ON: “Todo mundo ama quando a medalha sai, né? Quando Rebeca ganha o ouro, ninguém quer saber o que aconteceu antes”. Conhecida por ser exigente e rigorosa, Georgette afirma que disciplina é fundamental para a formação de um campeão, e acha que tem muita gente falando besteira sobre o caso Simone Biles: "Não tem nada a ver com essa questão de competitividade. Simone Biles nasceu com isso na veia", diz ela. Na entrevista ao A Malu Tá ON, a técnica explica em detalhes o problema que afetou a ginasta americana. E mostra seu lado sincerão ao comentar a experiência na política.
39:58 06/08/2021
#14 - Luis Stuhlberger: economia e vacinação devem turbinar Bolsonaro em 2022
O economista Luis Stuhlberger é uma lenda no mundo das finanças, espécie de guru dos "farialimers" brasileiros. Principal responsável pelos resultados do fundo Verde, que já rendeu 19.250% desde a criação, há 24 anos, ele é ouvido com atenção não só por investidores, mas por empresários e até políticos. Nesse episódio do A Malu Tá ON, ele diz que Bolsonaro não só não está fora do segundo turno em 2022 como tende a crescer nas pesquisas até a eleição. "Todo candidato que tenta a reeleição ganha popularidade na reta final. Aconteceu com Lula, Fernando Henrique e aconteceu até com a Dilma”, afirma. Para o gestor, o desempenho do presidente vai ser turbinado pelo aumento na arrecadação previsto para o ano que vem e o avanço da vacinação. Por isso, ele acha que, se Lula quiser ganhar o mercado, deveria fazer uma nova carta aos brasileiros. Mas nem só de revelações políticas vive o Malu ta ON. Nesse episódio, você vai saber também o que Stuhlberger pensa do figurino básico do "farialimer": sapatênis e patinete. Clica aí e confere!
39:21 30/07/2021
#13 - Marcelo Ramos: até o apoio do Centrão a Bolsonaro tem limites
O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), entrou para a lista de inimigos políticos do presidente Jair Bolsonaro depois de comandar a votação que aprovou um orçamento de até R$ 6 bilhões para o fundo eleitoral de 2022. Preocupado com a repercussão da medida entre seus eleitores, o presidente acusou Ramos de atropelar a votação, mas o deputado revidou, dizendo que tinha feito tudo em acordo com o governo. "Bolsonaro é desleal e covarde", acusa Ramos neste episódio de A Malu Ta ON. "A partir de agora não posso mais dizer que faço parte da base do governo". O deputado, que é também um integrante bastante ativo do Centrão, diz que até o apoio do bloco ao presidente Bolsonaro tem seus limites. "O limite do Centrão é o limite da democracia", ele afirma. "Fora da democracia, eu tenho certeza de que ele não conta com nenhum dos partidos do bloco".
34:55 23/07/2021
#12 - Sóstenes Cavalcante: "Falta política para atender à base evangélica"
Os evangélicos têm cada vez mais importância no cenário político nacional. Foram decisivos para a eleição de Jair Bolsonaro e vão fazer a diferença de novo em 2022. Mas evangélico é tudo a mesma coisa? Todo evangélico é bolsonarista? Evangélico é gado? Nesse episódio, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), braço político do pastor Silas Malafaia e um dos líderes do segmento do Congresso Nacional, responde a essas e outras perguntas. Apoiador de primeira hora de Jair Bolsonaro, ele faz um alerta: "Falta coordenação de articulação política para o atendimento à base evangélica. E o meu receio é de que no ano que vem, quando teremos nova disputa, isso possa ter efeito contrário ao presidente".
40:18 16/07/2021
#11 - Aline Osório: "É ingênuo achar que o voto impresso vai calar o discurso de fraude"
A advogada Aline Osório tem 33 anos e uma responsabilidade enorme como secretária-geral do TSE: defender a urna eletrônica e combater a desinformação sobre as eleições num dos momentos mais polarizados da política brasileira. Neste episódio do A Malu Tá ON, ela conta que, apesar de Jair Bolsonaro insistir que houve fraude nas eleições de 2018, ninguém pediu recontagem de votos nem dados para rechecagem. E garante que adotar o voto impresso vai fazer a apuração muito mais demorada e trará mais dúvidas do que certezas sobre o resultado. Nesta entrevista, ela conta como enfrenta o machismo no próprio trabalho. “Antes de me darem bom dia, já perguntavam ‘mas quantos anos você tem’? Ou então tentavam me arrumar marido”.
40:48 09/07/2021
#10 - Simone Tebet: "O Centrão controla o governo"
Simone Tebet (MDB-MS) virou estrela na CPI da Covid ao arrancar do bolsonarista Luis Miranda a confissão que mudou o rumo do governo. Mas, para a senadora, mais do que enredar o líder de Jair Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros, em denúncias de corrupção, a CPI da Covid escancarou um dilema. O presidente não se defende das denúncias porque não é ele quem governa, mas o Centrão, diz ela nesta entrevista ao A Malu Tá ON. Segundo o diagnóstico de Tebet, a falta de direção do presidente entregou o governo ao Centrão e deu condições para a montagem de um propinoduto no Ministério da Saúde. Um dos principais nomes da bancada feminina no Legislativo, Tebet fala ainda sobre a representatividade das mulheres na política, das chances de um impeachment e do dia em que ela própria recebeu uma proposta indecorosa no Parlamento.
39:02 02/07/2021
#09 - Ricardo Galvão: "Bolsonaro tem compromisso com madeireiros"
Depois de comprar uma briga pública com o presidente Jair Bolsonaro em defesa dos alertas de desmatamento na Amazônia produzidos pelo Inpe, o físico Ricardo Galvão ganhou notoriedade e se tornou um porta-voz internacional da ciência contra o negacionismo. No episódio #9 do A Malu Tá ON, o cientista diz que não está surpreso com o desmatamento recorde na Amazônia. E relata ter ouvido do então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que Bolsonaro jamais mudaria sua política ambiental por ter recebido apoio maciço de madeireiras e mineradoras na eleição de 2018. Por isso, ainda que avalie a queda de Salles como positiva, não vê mudanças expressivas no horizonte. Em conversa com a colunista de política do GLOBO Malu Gaspar, Galvão explica como o governo cria brechas legais para permitir a devastação da floresta e sugere formas de combater o negacionismo e a politização da ciência.
35:26 25/06/2021
#08 - Hamilton Mourão: "Eu não entendo por que o presidente me exclui"
O vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão, assumiu o cargo dizendo ter um acordo com Jair Bolsonaro para participar ativamente do governo. Dois anos depois, não é nem chamado para reuniões ministeriais – e o Conselho da Amazônia, que ele dirige, está esvaziado. Mourão não esconde o incômodo. “Acho que ele poderia me usar mais”. Nesta entrevista ao A Malu Ta ON, o general não escapa do seu estilo sincerão: alfineta o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que tem boicotado as reuniões do Conselho da Amazônia, diz que Eduardo Pazuello “perdeu o seu lugar no Exército” e afirma que o que ele só vai para a reserva após o desfecho da CPI da Covid no Senado, na qual é investigado. Na conversa com a colunista do GLOBO Malu Gaspar, o general comenta ainda a possibilidade de levantes bolsonaristas nas polícias militares, seus planos eleitorais e a proposta de adoção de um passaporte da imunidade.
31:54 18/06/2021
#07 - Marco Aurélio Mello: "O Supremo precisa de autocontenção"
De tanto votar contra a maioria no plenário do Supremo Tribunal Federal, o ministro Marco Aurélio Mello ganhou no meio jurídico o apelido de "senhor voto vencido". Às vésperas de se aposentar - ele deixa o cargo no próximo dia 5 de julho - o decano da suprema corte deu entrevista para o A Malu Tá ON. Como de hábito, foi contra a maré. Enquanto os colegas se ressentem dos ataques ao Supremo, ele diz que o tribunal precisa de um pouco de "autocontenção" para não invadir outras esferas de poder. E embora critique a ida de Eduardo Pazuello a um ato a favor de Bolsonaro - "não se coaduna com a de um militar” -, diz que é possível chegar a um entendimento com o presidente da República. Na conversa com a colunista do Globo Malu Gaspar, Marco Aurélio fala ainda sobre as polêmicas do Supremo, a decisão que vai tomar sobre a suspeição de Sérgio Moro e as mensagens da Vaza Jato - que, para ele, não podem ser usadas como provas em processos.
39:35 11/06/2021
#06 - Rita Lobo: “Na ditadura, o que era censurado virava receita. Podemos fazer o oposto agora”
Ela tirou muitos brasileiros do sufoco na quarentena. Agora tem agitado as redes sociais ao relacionar, com muito humor, suas receitas com a política brasileira. A apresentadora Rita Lobo é a convidada do sexto episódio do A Malu tá ON, o podcast semanal de entrevistas da colunista do Globo Malu Gaspar. “Não fui eu que mudei, é o país que está indo ladeira abaixo”, diz Rita, ao explicar porque decidiu entrar no debate público. Com o forno ligado, ela falou sobre rachadinha, milícia, machismo na cozinha e a importância das políticas públicas na alimentação brasileira. “Isentão é quem não se manifesta de forma alguma”, disse. E ainda exibiu uma habilidade "secreta": as imitações de políticos.
40:04 04/06/2021
#05 - José Padilha: "Se a eleição ficar entre Lula e Bolsonaro, voto no Lula"
Consagrado pela franquia “Tropa de Elite” e acostumado a ser o cineasta que todo brasileiro ama odiar, o diretor José Padilha é o convidado do quinto episódio do A Malu tá ON, o podcast semanal de entrevistas da colunista Malu Gaspar (@malugaspar.jornalista). Na conversa exclusiva, Padilha antecipa detalhes do que mostrará em seu próximo documentário, sobre a história de Walter Delgatti, o hacker que deu origem à Vaza-Jato.Ele não esconde sua decepção com Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, e conta ter tentando fazer com que interlocutores de Moro o convencessem a não aceitar o convite de Bolsonaro para integrar o governo. “Era óbvio que estávamos elegendo um miliciano”. Em 2022, se a disputa eleitoral ficar mesmo entre Bolsonaro e Lula, Padilha não tem dúvida: vota no petista.
40:47 28/05/2021