Show cover of O Macaco Elétrico

O Macaco Elétrico

Jornalista (preferencialmente digital), educador (preferencialmente digital), trabalhando para tornar o mundo um lugar melhor

Músicas

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Nunca foi tão barato produzir uma “notícia”, mas isso pode ser problemático. Em segundos, a inteligência artificial escreve, resume, traduz e espalha um conteúdo. Em compensação, o que exige gente e responsabilidade, como apuração, verificação, contextualização e capacidade de separar o que importa do ruído, ficou mais raro e complexo. Hoje, cada informação vale pouco sozinha, mas poder confiar nela vale cada vez mais. Tal abundância atinge o jornalismo, mas sua crise não se resume à perda de leitores e anunciantes. A imprensa sempre selecionou e hierarquizou assuntos, confrontou versões e ajudou a formar uma agenda comum. A mediação não desapareceu, apenas parte dela mudou de mãos. Há pelo menos uma década, são as plataformas digitais que organizam o que vemos, movidas pela busca de atenção e de engajamento, não por relevância ou interesse público. Com isso, o jornalismo perdeu parcialmente o caminho entre o fato e o cidadão. Essa transformação deu o tom das discussões do 27º Simpósio Internacional de Jornalismo, que aconteceu na Universidade do Texas em Austin. Jornalistas, pesquisadores e executivos de mídia discutiram sustentabilidade, confiança, inteligência artificial, comunidades e modelos de negócio. Apesar dessa variedade, o assunto comum foi como fazer o jornalismo voltar a ser relevante para as pessoas. Isso não significa que se produza menos jornalismo ou que ele tenha piorado. Há muita investigação, reportagem e análise de qualidade, mas rigor não garante utilidade. Uma apuração impecável pode não explicar ao leitor o que aquilo tem a ver com ele. Muitas redações ainda pensam em matérias, enquanto as pessoas vivem às voltas com dinheiro, saúde, trabalho e filhos. Nesse cenário, o dilema da imprensa é o que vender às pessoas, se a informação está em todo lugar e parte do público não enxerga mais utilidade na mídia. Mas longe de ser um “problema de jornalistas”, isso explica muito do caos em que a sociedade mergulhou há anos. A questão é: como melhorar? É sobre isso que falo neste episódio.

05/10/2026 • 08:49

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 O que o Brasil realmente espera ao atrair data centers para cá? A inteligência artificial já faz parte da nossa rotina, mas quase ninguém pensa no que existe por trás de uma pergunta feita a um chatbot. Para sustentar essa conveniência, são necessários enormes data centers, que consomem energia, água e território. Nesse contexto, o Brasil acaba de criar o Redata, um regime que reduz tributos para estimular a instalação e a expansão dessas construções. Mas é preciso perguntar quem pagará os custos ambientais e sociais dessa infraestrutura. Um exemplo disso aparece no Data Center Pecém, no Ceará. O empreendimento envolve o uso de água e energia, o licenciamento ambiental e a relação com o povo indígena Anacé. O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União questionam judicialmente o início da operação do projeto, mostrando como a expansão da infraestrutura da IA pode produzir conflitos que não aparecem na conta dos investimentos. O Brasil tem interesse legítimo em atrair grandes data centers e ampliar sua capacidade computacional. Mas não basta contar os bilhões anunciados. É necessário saber quanto emprego, conhecimento, pesquisa, fornecedores e capacidade tecnológica permanecem no país, sobretudo nas regiões que recebem esses empreendimentos. Esse dilema não é só nosso. Nos Estados Unidos, onde a corrida por data centers começou antes e avançou mais, governos estaduais e municipais passaram a impor moratórias e restrições diante da pressão sobre eletricidade, água e terrenos. Isso deve servir de alerta, pois nem o país mais avançado nesse quesito superou os impactos que ele produz. Precisamos perguntar se o Brasil está se preparando para receber a infraestrutura de IA ou está apenas tentando torná-la mais barata. Um data center não deixa de ser complexo só porque seus equipamentos têm uma carga tributária menor. Do que precisamos então cuidar para aproveitarmos bem os enormes investimentos em data centers? É sobre isso que falo neste episódio.

28/09/2026 • 08:44

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Exagerar no uso de IA pode ter um inesperado efeito de reduzir os resultados dessa tecnologia nas empresas. Depois de dois anos se perguntando como adotá-la, muitas empresas começam a se questionar se não estariam usando IA demais para obter resultados de menos. Essa foi uma provocação feita pela CEO da plataforma de negócios HubSpot, Yamini Rangan, ao mencionar que, embora 90% das empresas já usem a tecnologia, apenas 6% alcançam resultados transformacionais com ela. Os dados são de uma pesquisa apresentada durante o Unbound 26, evento global da empresa, que aconteceu em Boston (EUA), entre 16 e 18 de setembro e do qual participei. A conferência revelou uma mudança na forma como a companhia enxerga a IA, que deixa de ser apenas uma ferramenta capaz de produzir respostas para executar partes concretas do trabalho. Rangan chamou esse momento de “fase de maximização”. Com medo de ficar para trás, empresas e profissionais respondem acumulando mais ferramentas, agentes e casos de uso. Mas, para ela, só trabalhar mais não está funcionando. O estudo indica que as empresas que obtêm mais impacto não são as que multiplicam iniciativas com IA, mas as que se concentram em poucos casos de uso, ligados a resultados concretos. Em vez de valorizar apenas o “output”, como conteúdos produzidos pela máquina, a HubSpot propõe perseguir “outcomes”, como gerar demanda, fechar negócios e melhorar o atendimento ao cliente. Mas a busca por produtividade não se encerra nos indicadores de marketing, vendas ou atendimento. Ela também redefine o que caberá às pessoas fazer, quais competências serão exigidas e como as empresas reorganizarão seus processos quando parte das tarefas burocráticas passar a ser executada por máquinas. Confira, neste episódio, possíveis caminhos para que a IA traga resultados além do básico. Depois conte em que fase a sua empresa está na adoção da IA. #InteligênciaArtificial #Unbound26 #produtividade #trabalho #gestão #PauloSilvestre

21/09/2026 • 08:04

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Antes de prometer grandes resultados, é bom saber o que precisará ser feito para se chegar lá. As empresas brasileiras esperam obter US$ 24,8 milhões de retorno com agentes de inteligência artificial nos próximos dois anos, mas apenas 3% delas se sentem totalmente preparadas para implantar e ampliar essa tecnologia. A contradição revela o estágio atual da IA no país, com expectativas sobre resultados que crescem rapidamente, mas com preparo ainda incipiente para lidar com ela. O retrato desse momento ganhou destaque no SAP NOW AI Tour Brazil 2026, que aconteceu em São Paulo nos dias 9 e 10 de setembro. O evento colocou, no centro da discussão, o uso da IA nos negócios, os agentes, a integração de dados e a busca por valor concreto com essa tecnologia. Essa mudança também aparece no estudo “The Value of AI 2026”, uma parceria entre a SAP e a Oxford Economics, apresentado no congresso. A pesquisa ouviu 2.600 executivos de 13 países, incluindo 200 brasileiros. Por aqui, o levantamento aponta que o investimento médio em IA já chegou a US$ 20,8 milhões neste ano, ante US$ 14,2 milhões na edição anterior, e deve crescer 46% até 2028. O retorno médio passou de 16% para 19%, equivalente a US$ 5,5 milhões, e deve chegar a 38% em dois anos. Entre expectativas e capacidades, vale perguntar como empresas podem projetar retornos cada vez maiores com uma tecnologia que ainda não integram bem às próprias operações. Nesse sentido, o problema deixa de ser o potencial da IA e passa a ser a capacidade de cada organização de efetivamente capturá-lo. Os benefícios da IA são imensos e estão aí para serem conquistados. Mas não basta falar nem querer. Neste episódio, eu dou um panorama sobre a IA empresarial no Brasil. E para você, a IA está funcionando bem ou ainda está mais para uma promessa?

14/09/2026 • 07:50

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Quantas vezes, nesta semana, você pediu a uma plataforma de inteligência artificial generativa para escrever, resumir, escolher, comparar, interpretar ou decidir alguma coisa? Não se sinta mal se a resposta for “muitas vezes”: temos que usar mesmo essa tecnologia. Mas à medida que ela se torna mais assertiva e “eloquente”, as pessoas podem começar a acreditar mais do que deveriam em todo seu poder. O risco que isso traz é passarmos a terceirizar nosso raciocínio, ética e decisão para uma máquina que se prontifica a “pensar por nós”. Se permitirmos que isso aconteça, o resultado pode ser a tomada de decisões desastrosas no nosso cotidiano e sérios danos ao nosso desenvolvimento. Esse foi o tema da palestra que ministrei neste sábado (5) no HackTown, um dos maiores festivais de tecnologia, criatividade e inovação da América Latina. Há uma década, o evento transforma a pacata Santa Rita do Sapucaí (MG) em palco para mais de mil atividades em cinco dias. É importante que fique claro que, de forma alguma, proponho que não se use a IA. Muito pelo contrário! Porém, como tantas coisas na vida, há bons e maus usos de todo esse poder. Nosso desafio é não nos deixarmos levar pela sedução de algoritmos concebidos para acharmos que estamos falando com outra pessoa e que eles são capazes de responder corretamente a qualquer coisa. Essas duas premissas são falsas. Não basta sabermos escrever bons comandos para os chatbots. Nosso papel é manter o protagonismo nessa relação, com uma saudável desconfiança que nos permita analisar as entregas das máquinas, especialmente em um momento em que os agentes de IA começam a trabalhar com pouca ou nenhuma supervisão humana. Fácil falar, mas como fazer isso? É isso que explico nesse episódio. Gostaria de destacar que a minha participação neste ano está recebendo o apoio da SAP. Agradeço à gigante alemã de software pelo incentivo à discussão sobre IA no Brasil.

07/09/2026 • 08:34

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial está permitindo que clientes troquem aplicativos de bancos por conversas em qualquer ambiente. Os bancos brasileiros sempre foram referência global na digitalização de serviços, iniciada há seis décadas. Depois da automação de processos presenciais, o Internet banking reduziu a dependência das agências, enquanto o mobile banking colocou em nossas mãos praticamente toda a operação. Agora, a IA permite que o banco nos acompanhe, compreenda nosso contexto e antecipe necessidades. Não se trata mais de como usar o banco, e sim de como ele fará parte da nossa vida. Isso fica claro na pesquisa que a consultoria Box1824 e a empresa de tecnologia CI&T lançaram no dia 24 de agosto, na Febraban Tech. As mudanças no comportamento dos consumidores já redesenham o setor financeiro. Nesse processo, a confiança deixa de ser apenas uma questão de reputação e passa a ser um ativo estratégico. O estudo sugere que, mais do que trocar menus por chatbots, a IA deve traduzir a complexidade financeira em conversas simples, em linguagem natural e contextualizadas. Em um país em que 55% das pessoas dizem ter pouca ou nenhuma educação financeira, fazer o banco falar a nossa língua pode ser mais importante do que apenas melhorar sua interface. A tecnologia pode compreender a intenção do cliente, interpretar a situação financeira e apresentar alternativas para suas decisões. O banco evolui de uma instituição que responde ao que perguntamos para uma que indica caminhos. O estudo ainda aponta que 60% dos brasileiros preferem interagir com assistentes por voz. Tudo isso parece muito bom, porém, quanto mais o banco souber sobre nós, maior será sua capacidade de nos ajudar, mas também de influenciar nossas escolhas. A personalização é bem-vinda, mas ela não pode virar indução. Então como fazer isso do jeito certo? É sobre isso que falo neste episódio.

31/08/2026 • 07:47

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Em um mundo em que a inteligência artificial insiste em dar respostas “mastigadas” para tudo, precisamos tomar cuidado para que aqueles que se apresentam como nossos aliados não nos apunhalem pelas costas. Nesta semana, debati sobre isso em um evento que analisava a influência da mesma IA no jornalismo. Como praticamente todos os setores do mercado, a comunicação vem sofrendo uma profunda influência dessa tecnologia. Mas, ao contrário de outros negócios, que podem vender mais produtos se aparecerem nas respostas dos chatbots, a imprensa se enfraquece com essa exposição. Há efetivamente uma corrida para que mensagens comerciais sejam “aprendidas” pela IA, para que recomende produtos e serviços. Isso tende a se fortalecer à medida que as pessoas usam esses sistemas para pedir recomendações sobre qualquer coisa. Com o jornalismo, acontece o contrário. Quanto mais os veículos de comunicação entregam seus conteúdos às IAs, mais elas lhes roubam o público. As pessoas se informam (ou se deformam) cada vez mais pelos chatbots, que resumem notícias de maneira muito convincente, mesmo quando estão completamente errados. Não há qualquer retorno digno de menção das plataformas para os produtores de conteúdo. Seus créditos aparecem timidamente nas respostas, ou nem isso. Assim, o público deixa de saber quem apurou a notícia e não visita mais os sites jornalísticos. De forma alguma, proponho que o jornalismo ou qualquer outro negócio deixe de usar essa tecnologia. Mas é preciso cuidar para que esse uso não permita que as big techs sequestrem o relacionamento com seus clientes. Qualquer relacionamento deve prever um equilíbrio nos benefícios e nas contribuições dos envolvidos. Por isso, todos nós podemos aprender como não se relacionar com a IA observando o que acontece com a imprensa nesse caso. Como você evita que um relacionamento comercial, que parece muito benéfico a princípio, acabe destruindo você depois de um tempo?

23/08/2026 • 08:39

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou na quarta (12) a suspensão preventiva das transmissões ao vivo do Discord no Brasil, depois que uma adolescente se suicidou em uma live. O prazo para cumprir a determinação vence hoje (17), mas a empresa já pediu prorrogação. O bloqueio tem provocado polêmica, mas traz apenas um lampejo sobre a pouca disposição das redes sociais de resolver um problema sistêmico que elas criaram e que está na essência desses serviços. Além do Discord, plataformas digitais como Roblox, TikTok, Instagram, Telegram e WhatsApp possuem características como anonimato relativo, comunicação privada, formação de comunidades fechadas, recomendação de conteúdo e mecanismos de viralização. Apesar de suas arquiteturas serem diferentes, tudo isso dificulta a supervisão adulta do que crianças e adolescentes fazem online. Nesse sentido, a suspensão das lives funciona como uma medida emergencial necessária, mas não resolve o verdadeiro problema, que é estrutural. Representantes do próprio Discord disseram que, com o bloqueio, os criminosos simplesmente migrarão para outro serviço, e que o grupo que coagiu a menina de 13 anos a se matar se organizou em outras redes. Isso sugere que regular uma ou outra plataforma digital nunca será suficiente, pois suas ameaças estão disseminadas em todos esses serviços. Medidas razoáveis, porém enérgicas, devem ir além de buscar saber qual tecnologia é perigosa. O que deve ser considerado é qual arquitetura cria um risco específico, quem deve ser responsável por mitigá-lo e como isso deve ser feito. O fato de um problema ser difícil de resolver não nos permite ignorá-lo. Pelo contrário, isso exige uma ação conjunta e vigorosa da sociedade em busca de uma solução real, fugindo dos tradicionais discursos corporativos inócuos. E qualquer que seja a solução, ela exigirá mudanças estruturais nas redes sociais. Você acha essa proibição das lives correta ou exagerada?

17/08/2026 • 08:29

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Há um ditado infame na cibersegurança que diz que existem dois tipos de empresas: as que já foram invadidas e as que acham que ainda não foram invadidas. Só acham! Com a explosão da inteligência artificial, as equipes de defesa de sistemas ficaram mais pressionadas. Mas supor que esse seja o único problema simplifica perigosamente o cenário atual, que dá a essa anedota uma nova dimensão. Não dá mais para achar que o sucesso em cibersegurança se medirá pela expectativa de nunca ser invadido. De agora em diante, a eficiência dependerá da capacidade de lidar bem com as consequências de um ataque. Essa foi uma das mensagens da Conferência de Segurança e Gestão de Risco do Gartner, que aconteceu nos dias 4 e 5 de agosto, em São Paulo. A IA já não ameaça apenas ao criar códigos maliciosos ou potencializar ataques de engenharia social. Agora, agentes de IA já são capazes de explorar vulnerabilidades, identidades e credenciais para acessar sistemas. Foi o que aconteceu em meados de julho, quando um agente movido por modelos da OpenAI (criadora do ChatGPT) invadiu a Hugging Face. Durante uma avaliação de segurança, ele escapou do ambiente de testes, explorou falhas e acessou credenciais que lhe permitiram avançar pela infraestrutura da plataforma. Nesse cenário, em vez de nos preocuparmos com como impedir que invadam nossa empresa, precisamos perguntar o que precisa continuar funcionando mesmo em um ambiente hostil. Neste episódio, eu indico caminhos para fazer isso do jeito certo. Em qual dos dois grupos de empresa você está? O que vocês fazem para mitigar prejuízos de invasões inevitáveis?

10/08/2026 • 08:14

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A OpenAI confirmou que passará a exibir anúncios ao longo das conversas do ChatGPT com seus usuários no Brasil, nas próximas semanas. Parte do mercado anseia embevecido por esse inventário virtualmente infinito e com poder de convencimento sem precedentes. Mas a novidade pode transformar uma plataforma vista como neutra em um vendedor opaco, capaz de se valer de trocas íntimas para influenciar escolhas decisivamente, sem que o usuário perceba. Naturalmente, empresas devem aumentar suas receitas, especialmente quando são muito deficitárias, como é o caso dessas grandes plataformas de inteligência artificial. Ainda assim, a ética propõe que nem tudo que possa ser feito deva ser feito. Indicar o que é publicidade resolve um problema de formalização, mas trai a confiança que a própria interface conversacional criou antes de qualquer anúncio aparecer. Quando a resposta chega em primeira pessoa, articulada como julgamento de uma voz que parece pensar com o usuário, a autoridade já está formada quando a peça surge logo abaixo, ainda contaminada por essa proximidade. O ChatGPT acabou de atingir 1 bilhão de usuários no mundo. Os anúncios na plataforma foram lançados nos EUA em fevereiro, e depois expandidos para Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Agora, usuários do Brasil, México, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul também verão anúncios nos planos gratuito e Go (o mais barato). Com a IA generativa, as big techs estão levando a humanidade a um novo patamar de produtividade e desenvolvimento, o que merece aplausos. Mas nem esse feito lhes dá carta branca para fazerem o que bem entenderem. É no mínimo hipócrita ignorar os evidentes riscos de manipulação nesse lançamento. Neste epissódio, eu explico como pode ser arriscado ter anúncios em plataformas de IA generativa. Depois conte para nós se você acha que essa novidade pode comprometer a sua confiança no ChatGPT.

03/08/2026 • 09:19

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 O que podemos aprender com o recente ataque à Hugging Face por modelos de inteligência artificial? Ao contrário do que alguns catastrofistas de plantão se apressaram a dizer, a invasão dessa plataforma colaborativa para modelos e aplicações de IA por sistemas da OpenAI não significa que a IA se tornou “consciente” e muito menos que estamos na aurora de uma “revolta das máquinas”. Mas o fato não pode ser ignorado, pois revela que a confiança excessiva na IA pode fragilizar cuidados essenciais com sistemas cada vez mais poderosos, cujos comportamentos nem seus desenvolvedores conseguem explicar plenamente. Durante um teste de cibersegurança, uma combinação de modelos da OpenAI concluiu que, melhor que construir uma solução para um desafio que lhe foi proposto, seria encontrar uma maneira de escapar do ambiente de desenvolvimento e procurar uma resposta pronta na Internet. E foi exatamente isso que fez. Talvez o mais irônico seja que a IA não teria “desobedecido” seus desenvolvedores, e sim sido “eficiente demais” na busca da solução. É como um pai exigir que o filho tire uma boa nota em uma prova. Então, durante o exame, ao perceber que o professor foi ao banheiro, o aluno encontra uma maneira de sair da sala, entrar na secretaria, roubar o gabarito, voltar para sua carteira e, assim, tirar dez no teste. Esse foi o primeiro ataque realizado por agentes de IA sem intervenção humana. Longe de ser uma anomalia, ele pode indicar uma realidade emergente em que esses sistemas passem a se comportar de maneira indesejada, não porque sejam intencionalmente maus, mas porque os desenvolvedores não conseguirão mais acompanhar sua evolução. Já passou da hora de as ferramentas de governança para desenvolvimento e uso seguros acompanharem esse ritmo. Pisar fundo no acelerador sem ter um pedal de freio ao lado é muito perigoso, tanto para carros quanto para a inteligência artificial. Neste episódio, eu explico em detalhes este incidente e o que podemos aprender com ele.

27/07/2026 • 08:19

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Você está mudando a sua maneira de falar, escrever e até pensar? Para quem escrever é um modo de vida, como eu, a influência da inteligência artificial generativa nos textos que inundam as redes sociais e até publicações sérias grita. Depois de quase quatro anos de ChatGPT, nem é preciso olhos muito treinados para identificar isso. Menos óbvio e mais grave é como essa dependência tecnológica crescente também está alterando como falamos e até pensamos. À medida que as pessoas usam mais essa tecnologia para produzir mesmo textos prosaicos, dois fenômenos ocorrem. O primeiro consiste no uso recorrente das mesmas palavras e construções frasais, o que empobrece a transmissão de ideias e a torna mais prolixa. O outro é a diminuição de confiança dos autores em sua própria capacidade produtiva, o que retroalimenta essa dependência. Há ainda um terceiro fator que afeta mais cidadãos do chamado Sul Global, como o Brasil. Considerando que os modelos de IA são majoritariamente treinados com conteúdos da América do Norte e da Europa, principalmente em inglês, aos poucos o léxico, a estrutura gramatical, a formulação de ideias e até a ética daqueles países substitui insidiosamente as nossas versões dessas características. Isso inaugura uma nova dominação cultural, muito mais sutil e poderosa. O uso exagerado e inconsequente da IA em nossas produções também cobra um preço alto em relações interpessoais. Cada vez mais pessoas reprovam publicamente essa prática, passando a questionar as habilidades de quem se vale dela. Tudo isso resulta da natureza da IA generativa. Nunca houve uma tecnologia que nos impactasse cognitivamente de maneira tão decisiva. Esses desafios não podem ser ignorados, pois têm potencial de alterar sensivelmente a sociedade e os indivíduos. Mas como fazer isso? Eu explico neste episódio.

20/07/2026 • 09:29

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Você compraria um ursinho de pelúcia que fala de sadomasoquismo com seus filhos? A inteligência artificial generativa chegou aos brinquedos. A tecnologia viabilizou robôs capazes de interações antes inimagináveis, que criam “companheiros” para crianças que, em alguns aspectos, parecem estar vivos. Mas pais e órgãos de defesa do consumidor de vários países veem com ressalva essa novidade, pois usos descuidados da IA pelos fabricantes estão trazendo novos riscos para dentro de casa. Um caso emblemático é o urso de pelúcia inteligente Kumma. O grupo de defesa do consumidor americano PIRG Education Fund identificou que o brinquedo, vendido por US$ 99 nos EUA, conversava com as crianças sobre usos de sacos plásticos, fósforos, facas e assuntos sexuais. Depois disso, ele deixou de ser vendido. No Brasil, a Secretaria Nacional de Direitos Digitais divulgou, no início de julho, uma nota técnica em que descreve seus testes com seis “smart toys” disponíveis no mercado, incluindo os riscos de cada um deles. A publicação não tem força de lei, não cria obrigações ou altera a legislação existente, nem proíbe a venda de produtos. Mas ela pode produzir efeitos importantes. Como foi elaborada confrontando esses produtos com leis como o ECA Digital, a Lei Geral de Proteção de Dados e o Código de Defesa do Consumidor, a nota técnica serve como fundamento para a ação de órgãos públicos e sinaliza ao mercado qual é a interpretação do governo sobre o tema, o que pode levar fabricantes e varejistas a revisar produtos, contratos e políticas. A iniciativa também abre um precedente jurídico importante sobre algo menos falado do que deveria, ampliando a discussão dos riscos do mundo digital para além de redes sociais, plataformas de IA e aplicativos. Vivemos cercados de dispositivos físicos conectados, que coletam nossas informações e impactam nossas vidas cada vez mais. E, sobre isso, a sociedade precisa estar muito mais atenta. Detalho tudo isso neste episódio.

13/07/2026 • 08:39

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Para o bem do nosso cérebro, já passou da hora de começarmos a usar bem a inteligência artificial, fugindo do hype. Muito se fala sobre o impacto da IA no nosso desenvolvimento, mas me deparei com outra perspectiva sobre o tema há alguns dias, durante uma conversa sobre ganhos e perdas do home office. Algumas coisas são óbvias, como ganhar na qualidade de vida e perder na experiência das trocas contínuas com os colegas. Foi quando me perguntaram se a IA agravaria ainda mais as perdas. E isso me fez pensar. Ao trocar o escritório pelo quarto de casa, deixamos de ter conversas inesperadas, conflitos, negociações e decisões compartilhadas, que alimentam um processo contínuo de aprendizagem. Mas o trabalho solitário ainda exige a fricção intelectual das tarefas, que preserva a ampliação de capacidades neurológicas, como neuroplasticidade, funções executivas, memória de trabalho e reconhecimento de padrões. Um uso inadequado da IA pode, sim, comprometer isso. Por “uso inadequado da IA”, eu me refiro a essa tecnologia assumir, de maneira sistemática, as partes mais difíceis de nossas atividades. Isso pode reduzir justamente os estímulos que promovem os maiores ganhos cerebrais. E, aqui, quero deixar claro que não sou contra o home office ou a IA, mas me preocupo com o fato de “abusos” de ambos poderem efetivamente nos atrapalhar. Especialistas não encontram soluções porque decoraram respostas, e sim porque enfrentaram centenas de situações difíceis ao longo da carreira. Cada problema resolvido ampliou seu repertório mental. Infelizmente, observo, como pesquisador e consultor, muito do uso inadequado da IA. Enquanto isso, proliferam artigos, debates e cursos que enaltecem seus ganhos, sem triscar nos seus riscos, como se ela fosse uma panaceia. Essa combinação é perigosíssima, e a sociedade precisa lidar com isso com urgência. Mas como fazer um bom uso da IA? É disso que falo neste episódio.

05/07/2026 • 09:07

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Você acha que é você quem manda nas notícias que aparecem no seu feed? Quando o uso das redes sociais explodiu, ouvia-se muito que as pessoas não precisariam mais da imprensa, pois teriam a liberdade para escolher como se informar, indo direto às fontes dos fatos. Nas últimas duas décadas, essas plataformas vêm provocando mesmo grandes baixas na audiência do jornalismo, mas é um erro achar que elas nos oferecem tal liberdade. No jornalismo, uma notícia nasce com um repórter investigando o fato, um editor analisando sua importância e o veículo o publicando, seguindo critérios transparentes e conhecidos. Com as redes sociais, existem influenciadores, sistemas de recomendação e inteligências artificiais entre a informação e os usuários. Eles acreditam estar acessando as “fontes dos fatos”, mas acabam sendo iludidos por sistemas que filtram, priorizam e, cada vez mais, reescrevem as informações que consomem como verdades inquestionáveis. Não há preocupação com a veracidade ou com os interesses dos usuários, apenas a busca pelo engajamento a qualquer custo. Essa ilusão confortável funciona. Segundo o Digital News Report 2026, publicado no dia 16 pelo Instituto Reuters e pela Universidade de Oxford (Reino Unido), pela primeira vez as pessoas se informaram mais pelas redes sociais que pela imprensa. Na média de quase 100 mil pessoas analisadas em 48 países (incluindo o Brasil), 54% usam essas plataformas para se informar, contra 51% dos que usam a imprensa. Devemos tomar cuidado com a leitura superficial de que “as redes sociais venceram o jornalismo”, como tenho visto. O relatório mostra um cenário muito mais complexo, que ele chamou de “plataformização” da notícia. O risco disso não é que elas digam às pessoas como pensar, e sim que indiquem sutilmente sobre o que pensar. Isso influencia o debate público antes mesmo que qualquer opinião seja formada. Neste episódio, explico como isso impacta decisivamente o seu cotidiano.

29/06/2026 • 08:55

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 O bloqueio dos melhores modelos de IA da Anthropic expõe o risco da nossa dependência tecnológica. No dia 12 de junho, os usuários da plataforma de inteligência artificial Claude descobriram que não podiam mais usar o Fable 5 e o Mythos 5. Tudo porque o governo americano ordenou que eles fossem bloqueados fora dos EUA e para estrangeiros em seu território, alegando razões de segurança nacional. Como a empresa disse que não conseguiria fazer essa segregação, cortou o acesso para todos. Não se trata de um detalhe técnico. O movimento oferece uma prévia de como funcionará uma nova forma de dependência geopolítica. Ao longo da história, países disputaram influência controlando territórios, rotas comerciais e petróleo, ou impondo sua capacidade militar. Agora, o poder passa cada vez mais pelo domínio das tecnologias que definem a economia, a informação e a inovação. Estados Unidos e China dão as cartas nesse novo jogo. Os europeus correm bem atrás e outras partes do mundo nem estão na mesma volta. E como o Brasil bebe na fonte digital americana, uma decisão em Washington determina quais ferramentas estarão disponíveis para nossos cidadãos, empresas, pesquisadores e até governo. A preocupação não é teórica. Dois dias depois, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, citou o caso da Anthropic como exemplo dos riscos de concentrar o uso da IA em poucas empresas. Segundo ele, governos e organizações devem diversificar suas fontes tecnológicas para reduzir a dependência. Esse episódio embute muitos pontos obscuros, inclusive o bloqueio de modelos só da Anthropic, que está processando o governo americano. Temos que entender que a vassalagem tecnológica não é percebida quando tudo funciona, mas surge, como um tapa na cara, quando outro país decide, seguindo apenas seus interesses, quais tecnologias podemos ou não usar, o que impacta decisivamente nosso cotidiano. Tem como se proteger disso? Falo disso e muito mais neste episódio.

22/06/2026 • 07:59

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial já entra na conta de jovens que comparam o custo da universidade com trajetórias técnicas mais curtas e pragmáticas. Uma reportagem recente do The New York Times mostrou como adolescentes que vivem em pleno Vale do Silício estão deixando de entrar na faculdade para fazer cursos profissionalizantes na área de construção civil. Esses jovens observam que a IA está eliminando postos de trabalho para quem acaba de se formar e, por isso, estão buscando formações mais simples e rápidas que lhes garantam um emprego com salário de pelo menos US$ 200 mil anuais. O senso comum apontaria para o oposto disso na Meca da inovação tecnológica, onde são desenvolvidas algumas das melhores plataformas de IA do mundo. Mas as demissões aos milhares, especialmente na área de TI (o que aumenta essa ironia), estão pesando na hora de escolher uma profissão. Além disso, a dívida estudantil universitária sempre assombrou os jovens de um país sem universidades públicas gratuitas e com um financiamento estudantil muito mais caro que o brasileiro FIES. Pelo menos por enquanto, ainda não se observa esse movimento entre os brasileiros. Por aqui, fazer faculdade continua sendo um importante fator de mobilidade social. Mas a IA já está mudando o ensino nas escolas técnicas e universidades do país. Assim como acontece com as redes sociais, nossos jovens já usam intensamente a inteligência artificial, mas fazem isso, via de regra, com uma educação digital deficiente. Os resultados são um aproveitamento limitado de seus recursos e um alto risco de comprometimento de seu aprendizado. Essas deficiências abrem oportunidades interessantes para o reposicionamento e modernização do ensino brasileiro. Não se trata de submissão a uma tecnologia, mas de aproveitar a disrupção social e cognitiva que ela está promovendo no cotidiano. A escolha de carreira sempre foi complexa, mas agora está ainda mais desafiadora. Neste episódio, detalho pontos que podem ajudar nisso.

15/06/2026 • 08:44

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Atenção: a sua Internet pode mudar! Há 31 anos, uma regra que quase nenhum brasileiro conhece determina quanto custa sua conexão à Internet, quais empresas podem competir para oferecê-la e até o ritmo com que novos serviços digitais chegam ao mercado. Esse modelo está sendo silenciosamente desmontado e poucos estão percebendo a dimensão da mudança. Trata-se da chamada Norma 4. Criada em 1995, quando a Grande Rede ainda engatinhava no Brasil, esse dispositivo foi visionário na época. Ele separa os serviços da Internet dos de telecomunicações, e surgiu junto com o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), dois anos antes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Agora, esta última quer que a regra deixe de valer a partir de janeiro de 2027. Parece um detalhe jurídico, mas a Norma 4 viabilizou um dos ambientes digitais mais dinâmicos do mundo, que permite avanços que vão desde a grande inclusão digital de pessoas e de empresas a sistemas online refinados, como o Pix. E, apesar de a Internet ser muito diferente do que era nos seus primórdios, essa discussão pode definir suas regras, a capacidade de inovação e os custos de agora em diante. Por entenderem essa movimentação como um risco estrutural, no dia 22 de maio, entidades da sociedade civil, da comunidade técnica e do ecossistema digital ingressaram na Justiça Federal para tentar barrar a revogação da norma. Elas argumentam que a Anatel extrapolou suas atribuições ao eliminar uma regra que não diz respeito apenas às telecomunicações, e pedem a suspensão imediata dos efeitos da decisão até que o tema seja amplamente discutido e esclarecido. O questionamento que se impõe é se o Brasil está se desfazendo de um modelo que envelheceu ou se está trocando uma estrutura que funciona bem por um salto no escuro. O grande risco é essa troca impactar o bolso do usuário e a própria qualidade da Internet que usamos todos os dias. Neste episódio, eu detalho como isso pode impactar o seu cotidiano pessoal e profissional.

07/06/2026 • 09:10

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Dois acontecimentos recentes envolvendo grandes influenciadoras chamaram muita atenção. O primeiro foi a prisão de Deolane Bezerra, acusada de ligações com o PCC. O outro foi o beijo que Virgínia Fonseca deu em um macaco logo após encerrar um relacionamento com Vini Jr., jogador de futebol que é vítima costumaz de racistas que o chamam justamente de macaco. Esses casos não são “só fofoca”, porque expõem como influenciadores operam como agentes econômicos e políticos, com impacto real no consumo, endividamento de famílias e percepção de legalidade pela população. Eles evidenciam um modelo de negócios que mistura publicidade, apostas de alto risco e práticas potencialmente criminosas, ancorado na confiança de milhões de seguidores. No episódio do macaco, a polêmica escancara como imagens “inocentes” podem reativar séculos de racismo e desumanização, especialmente quando envolvem uma mulher branca poderosa e um homem negro. Dessa forma, o debate sobre esses casos envolve responsabilidade civil, ética e regulação das plataformas. Influenciadores têm responsabilidade pública porque impactam profundamente uma parcela significativa da sociedade, sobretudo jovens e públicos vulneráveis. Mesmo sem más intenções, precisam responder pelos efeitos do que publicam, reconhecer erros e adotar critérios éticos mínimos no uso da própria visibilidade. Eles são um sintoma de um tempo em que nossas vidas são dirigidas pelas redes sociais, e cresceram em um ecossistema que promove a falsa ideia de que tudo se pode, colhendo os benefícios e fugindo das responsabilidades da exposição. A sociedade precisa abandonar a sua ingenuidade diante dos problemas que isso cria. Neste episódio, eu explico como isso afeta todo mundo, e não apenas seus seguidores.

01/06/2026 • 09:24

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 O Google como você conhece deixará de existir! A empresa, cuja ambição declarada sempre foi “organizar as informações do mundo e torná-las acessíveis e úteis para todas as pessoas”, anunciou, no dia 19, aquilo que define como a maior mudança em seu buscador desde seu lançamento, em 1998. A tradicional página de resposta com links continuará existindo, mas eles perdem cada vez mais espaço para respostas sintéticas criadas pela inteligência artificial. Não se trata de uma mera atualização de um produto que organizou a maneira como procuramos informações na Internet. A novidade, apresentada durante a conferência anual Google I/O, pode justamente redefinir como fazemos isso. Ela também deve impactar decisivamente os modelos de negócios de empresas que dependem do tráfego gerado pelo buscador, desde varejistas até empresas de comunicação. O próprio Google será afetado. O buscador continua sendo sua principal fonte de receitas, vindas de anúncios e links patrocinados, que podem perder relevância no novo formato. Mas o gigante se viu pressionado a fazer a mudança por plataformas concorrentes, como o ChatGPT e o Perplexity, este último um buscador que nasceu em 2022 oferecendo respostas criadas pela IA a partir de buscas que ela mesma faz. Entretanto, talvez mais importante do que esses choques empresariais seja como isso pode alterar profundamente a maneira como não apenas buscamos informações, mas como construímos nosso conhecimento. Com o buscador, fazemos isso sintetizando o que aprendemos a partir de sites relevantes criados com curadoria humana e diversidade de fontes. Com as respostas prontas da IA, cresce a tendência de se confiar no que a máquina apresenta como verdadeiro, mesmo sem transparência. Fora de círculos especializados, há pouco debate sobre o risco que essa mudança representa para o futuro de todos nós. E isso agrava esse quadro, cada vez mais consolidado. Neste episódio, eu detalho essas mudanças e suas consequências. Confira!

25/05/2026 • 09:24

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Depois de três anos de histeria em torno da inteligência artificial generativa, o mercado começa a amadurecer no uso corporativo da tecnologia. O deslumbramento com demonstrações impressionantes e promessas futuristas começa a dar espaço para uma discussão mais pragmática sobre contexto empresarial, qualidade de dados, governança e execução operacional. Entram em cena cobranças por produtividade mensurável e redução de custos em processos de missão crítica. Essa percepção deu o tom ao Sapphire 2026, principal evento da SAP, realizado em Orlando (EUA), nos dias 12 e 13 de maio. A gigante alemã de software tenta se posicionar nessa nova fase como uma companhia de IA sustentada por décadas de experiência em software empresarial. A tese defendida no evento é que uma IA sem contexto corporativo produz respostas rápidas, mas não necessariamente confiáveis. No centro dessa ambição, está a ideia de “empresa autônoma”. Em vez de automação de tarefas isoladas, a SAP descreve organizações em que agentes de IA executam cadeias inteiras de processos, integrando todas as áreas do negócio. E isso acontece sempre sob supervisão humana, mas com muito menos intervenção manual. Para isso, a empresa insiste que o diferencial está menos nos modelos de IA e mais nos dados que os alimentam. Aí reside um problema conhecido, especialmente no Brasil, país com histórico de baixa disciplina na coleta, manutenção e consistência de dados, com sistemas legados, bases duplicadas, informações em silos e pouca governança, o que transforma uma IA sofisticada em um castelo de areia. É inevitável pensar quanto dessa visão é um horizonte plausível, ainda que distante, e quanto permanece como ideal de marketing. Afinal, criar pilotos de IA ficou relativamente simples, mas transformar essas experiências em operações confiáveis, escaláveis e financeiramente sustentáveis ainda não é trivial. Você acha que a sua empresa está pronta para se tornar uma “empresa autônoma”? É sobre isso que falo neste episódio.

18/05/2026 • 09:14

Duas décadas são suficientes para abalar ícones e demolir modelos de negócios outrora bem-sucedidos, se não forem bem cuidados. A crise da revista “Runway”, retratada em “O Diabo Veste Prada 2”, demonstra didaticamente como ninguém está imune a isso, não importa seu tamanho ou setor. O filme estreou com força nos cinemas, trazendo novamente Meryl Streep, como a impiedosa editora Miranda Priestly, e a idealista Andy Sachs, vivida por Anne Hathaway. O drama da publicação reflete o do jornalismo e escancara um movimento que vem transformando decisivamente a sociedade. Ao longo de 20 anos, a imprensa perdeu sua posição de farol do debate público e, com isso, a polarização se instalou. Não se trata de se ter menos jornalismo. O grande problema da mídia profissional é que ela se desconectou do seu público, algo grave para qualquer negócio, mas mortal para uma atividade cuja própria existência se justifica pela representatividade social. As redes sociais perceberam o vazio formado e o ocuparam de forma avassaladora. As big techs prenderam o jornalismo em uma gaiola e agora, seguindo apenas seus interesses opacos, enterram uma notícia importante para promover uma grande porcaria engajadora. E a inteligência artificial deve agravar esse quadro. Aí reside a grande crise: engana-se redondamente quem pensa que isso é um problema do jornalismo. Esse poder de vida ou morte das plataformas digitais paira sobre as cabeças de todas as pessoas e todas as empresas. Viver em função do gosto constantemente variável dos algoritmos é um erro fatal. Em um primeiro momento, pode fazer sentido, pois as plataformas digitais dão visibilidade àqueles que se submetem a elas. Mas esse fôlego é curto, e todos são jogados ao mar quando não interessam mais às big techs. Estamos perdendo o controle sobre como as pessoas nos veem, e quanto do que fazemos é visto e compreendido corretamente por elas. Neste episódio, amplio estas ideias: confira!

11/05/2026 • 09:06

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Pouca gente pensa (ou mesmo sabe) o que se gasta de recursos para que a inteligência artificial funcione. É um erro achar que tudo é grátis ou até barato, mas essa percepção e o marketing irresponsável das empresas que desenvolvem essa tecnologia estão criando uma explosão de usos banais da IA, enquanto a maioria das empresas ainda patina na busca por resultados concretos para seus negócios. Alguns acontecimentos nos últimos dias me fizeram pensar mais sobre isso. Na terça, na palestra de abertura da conferência Gartner Data & Analytics, em São Paulo, Sarah James, diretora da consultoria, disse ter uma amiga “que não faz mais nada sem antes consultar a IA”. Na mesma fala, ela mostrou que, apesar de 80% das empresas investirem em projetos de IA, apenas 20% já obtiveram qualquer retorno deles. Em outro caso, a revista “Piauí” trouxe uma crítica à ocupação das redes sociais por conteúdo de baixa qualidade produzido por IA, destacando a popularização de vídeos com frutas antropomorfizadas e sexualizadas. As big techs não se importam com isso, pois se beneficiam financeiramente com essa prática, que gera muitas visualizações. Vemos pessoas dizendo estar apaixonadas ou fazendo terapia com plataformas de IA, usos inadequados de uma tecnologia que agrada seus usuários além do aceitável. Enquanto isso, um artigo de “The Economist” explicou que a IA enfrenta a sua primeira crise, pois fornecedores não conseguem suprir a demanda explosiva de data centers por processadores, memórias, transformadores, painéis elétricos e turbinas a gás. Isso não é um acidente, e sim uma consequência de um modelo de negócios baseado em atenção. Mas esse desalinhamento entre usos tolos e exigências estratosféricas merece uma avaliação econômica e ética sobre se faz sentido consumir tantos recursos para produzir “AI slop”, o “lixo da IA”. Sem moralismos, será que estamos aproveitando bem uma das infraestruturas mais caras já criadas?

04/05/2026 • 08:39

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Estamos diante de uma mudança de paradigma no marketing graças à evolução da inteligência artificial. Se as redes sociais consolidaram a entrega de anúncios específicos para as pessoas que têm grande chance de se interessar por eles, a IA começa a colocar em xeque o próprio conceito de campanha e até de funil de vendas. Com os consumidores usando essas plataformas para atividades cada vez mais diversas, mais cedo ou mais tarde, eles as usariam para pesquisar produtos e serviços que quisessem adquirir. Esse momento chegou: segundo estudo da consultoria Bain & Company, publicado em outubro, 58% dos brasileiros já usam a IA para comparar preços, produtos, vendedores e sites, antes de concluir uma compra. Isso muda o marketing profundamente. Cada vez menos adianta construir “uma mensagem incrível” e empurrá-la para “o cliente certo”, se agora ele conversa com uma plataforma que decide, segundo critérios nada transparentes, o que lhe indicará. O desafio de todas as marcas passa a ser, portanto, como se tornar relevantes não apenas para seus clientes, mas também para algoritmos que passam a intermediar o contato entre empresas e pessoas. E isso não é trivial. Esse assunto foi a espinha dorsal do Adobe Summit, um dos maiores eventos globais de tecnologia, criatividade e experiência do cliente, que aconteceu em Las Vegas (EUA) entre os dias 20 e 22 de abril. Conhecida pelos seus programas gráficos, como Photoshop e Illustrator, a Adobe se posiciona agora com soluções para melhorar o desempenho das empresas nesse “novo marketing”. Não é exagero dizer que parte do orçamento de marketing das companhias está sendo gasta para convencer pessoas que cada vez menos tomam as decisões de compra sozinhas. Pouco vale investir milhões se a IA priorizará concorrentes baseada em critérios que suas diretorias sequer compreendem. A questão é como fazer isso certo. É sobre isso que falo neste episódio.

27/04/2026 • 09:09

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A indústria da inteligência artificial descobriu que pode explorar o medo para ampliar seu poder e vender mais. No dia 7 de abril, a Anthropic, criadora da plataforma Claude, anunciou que não liberará a nova versão do seu produto para o público, por considerá‑la “poderosa demais” e que “o mundo não estaria preparado para ela”. Mas apesar dessa negativa, isso pode ser ótimo para seus negócios. Batizada de Claude Mythos Preview, a empresa acredita que ela poderia ser usada para explorar vulnerabilidades de sistemas de computador, o que tem feito melhor do que as IAs já lançadas. Por isso, a Anthropic oferecerá o modelo apenas a um consórcio de cerca de 40 empresas de tecnologia, incluindo Google, Microsoft, Apple e Amazon, algumas delas suas concorrentes. A expectativa é que elas o usem para encontrar e corrigir vulnerabilidades de segurança em seus próprios softwares estratégicos. A decisão foi suficiente para causar alvoroço no mercado e reacender medos em torno das possibilidades da IA. De fato, o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, disparou temores nas pessoas que iam desde a substituição em massa de empregos –o que já começa a acontecer– até visões apocalípticas, como indícios de uma possível revolta das máquinas, que levaria ao extermínio da humanidade. Pelo menos nesse último caso, nada aponta que acontecerá, não em um horizonte visível. Mas isso não é trivial e envolve capacidades cognitivas artificiais surpreendentes e um poder computacional assustador, que não param de crescer. Chega a ser contraintuitivo uma empresa anunciar que desenvolveu um produto que, de tão poderoso, representaria um risco à humanidade. Sendo assim, o mais razoável seria simplesmente destruí-lo, o que obviamente não acontecerá. E isso se deve ao fato de que essa ansiedade fabricada é um excelente marketing para algo que acabará chegando ao mercado, depois de legitimado com alguma narrativa redentora. É assim que esse mercado cresce captando bilhões de dólares de investidores. E você, tem medo da IA ou acha isso uma bobagem?

18/04/2026 • 08:30

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial está favorecendo a criatividade, enquanto prejudica os criadores. A economia criativa segue crescendo, mas os criadores estão ficando para trás. Essa é a tensão central do relatório “Re|Shaping Policies for Creativity”, publicado recentemente pela Unesco. Com dados de 133 países, ele alerta sobre uma transformação estrutural acelerada pela digitalização e pela IA, que está redesenhando quem ganha, quem perde e quem controla a produção cultural. Nunca foi tão fácil criar, distribuir e acessar conteúdo. O mercado global de bens culturais atingiu US$ 254 bilhões em 2023. Mas isso vem junto com o aumento da precarização do trabalho criativo. O documento destaca que há pouco emprego estável para criadores, os modelos de remuneração são frágeis e as plataformas digitais concentram valor. Com isso, o órgão projeta uma queda de até 24% na receita dos criadores até 2028, impulsionada pela IA e pelo uso não autorizado de conteúdos. O estudo indica que as redes sociais deixaram de ser espaços de interação para impactar a democracia, o bem-estar e a regulação global. Há uma preocupação crescente com saúde mental, governança das plataformas e desinformação. Nesse sentido, é inevitável pensar em como essas mudanças atingem o jornalismo. Quando se fala em perda de receita, desintermediação e captura de valor por plataformas, é exatamente a crise que o setor vive há duas décadas. Isso se agrava com a IA generativa, pois não só as redações perdem o controle de seu produto, como ele ainda passa a ser reprocessado e reapresentado, sem tráfego para a fonte. A cultura é um ativo econômico relevante. Mas o sistema que a sustenta está deslocando valor dos criadores para intermediários tecnológicos. Temos mais produção e circulação, porém menos remuneração. E esse desequilíbrio corrói um pilar de qualquer sociedade. Como resolver isso? É o que falo neste episódio.

13/04/2026 • 09:04

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Há alguns dias, vi um robô humanoide funcionando em um hospital. Ele cambaleava pelos ambientes, pegava objetos em gavetas e fazia lentamente ações simples, que renderam muitas visualizações. Mas diante desses vídeos, às vezes vendidos como produtos prontos em uso, sempre penso que jamais aceitaria ser atendido por aquilo. E, se fosse gestor do hospital, não gastaria um tostão em tal máquina. Estou muito longe de ser um ludita. Pelo contrário, sou um entusiasta de diferentes formas de tecnologia e pesquisador de inteligência artificial. Mas, talvez justamente por isso, desenvolvi um olhar bastante crítico sobre essas supostas “operações”. É um fato que as versões mais recentes de robôs humanoides fazem movimentos incríveis, como se fossem pessoas. Muitos aparecem “trabalhando” em empresas, em atividades diversas. Isso desperta grande entusiasmo em parte do público, como se a ficção científica estivesse se materializando diante de nossos olhos. Mas a verdade nua e crua é que isso não passa de propaganda. Ironicamente, a inteligência artificial que controla essas máquinas avança de maneira galopante, mas seus corpos ainda se comportam como brinquedos caros e limitados. Esses robôs funcionam bem em ambientes extremamente controlados, com tarefas previsíveis. Mas o mundo insiste em ser caótico e inesperado. Além disso, os sentidos de uma criança superam largamente os sensores de qualquer robô, permitindo que ela se adapte a situações simplórias cotidianas em que a máquina não sabe o que fazer. Se há algo que podemos tirar disso é que, apesar de a robótica e principalmente a IA estarem cada vez mais incríveis, há coisas que elas não conseguem fazer, pelo menos ainda. Mas principalmente há aquilo que elas não devem fazer, mesmo sendo capazes. E isso tem a ver com como posicionamos a nossa humanidade nesse cenário. Então, onde robôs humanoides serão realmente úteis? E quando eles ficarão confiáveis de verdade? É sobre isso que falo neste episódio.

05/04/2026 • 08:08

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Um julgamento histórico desafiou o modelo de negócios das redes sociais, e isso pode mudar tudo! A decisão do Tribunal Superior da Califórnia pode mudar decisivamente a maneira como usamos as redes sociais e até como elas são construídas. Depois de deliberar por uma semana, o júri concluiu na quarta passada que Facebook, Instagram e YouTube viciam seus usuários e que provocaram problemas de saúde mental em uma jovem. A decisão do julgamento, iniciado no dia 17 de fevereiro, pode ser considerada histórica, pois ela não se baseou no conteúdo publicado nessas plataformas, e sim nos seus algoritmos e no seu design, considerados nocivos por manter online as pessoas de maneira artificial e deliberada. Isso cria um precedente para os cerca de 2.000 outros processos semelhantes que estão ativos nos EUA. KGM, hoje com 20 anos, processou a Meta, o YouTube, o Snapchat e o TikTok em 2023. Ela começou a usar as redes sociais aos 6 anos e alegou que os sites causaram danos pessoais, incluindo dismorfia corporal e pensamentos suicidas. O Snapchat e o TikTok fizeram acordos antes do julgamento, mas a Meta e o YouTube prosseguiram com o processo, pois afirmam ser muito difícil provar que redes sociais causam dependência e danos pessoais. Com a decisão, a Meta (dona do Facebook e do Instagram) e o Google (dono do YouTube) devem pagar US$ 3 milhões em indenização, com a primeira sendo responsável por 70% do valor. As empresas disseram que vão recorrer. Foi a primeira vez que o júri de um caso como esse teve acesso a documentos internos das big techs e ouviu depoimentos de seus principais executivos, incluindo Mark Zuckerberg, CEO da Meta. Essa confrontação exibiu um posicionamento que chega a ser cínico dessas empresas. Elas têm consciência dos danos, não fazem tudo que podem para mitigá-los, mas afirmam ser preocupadas com seus usuários. Agora resta saber como essa exposição determinará o futuro dessas plataformas. É isso que eu explico neste episódio.

30/03/2026 • 08:50

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Em um mundo de relacionamentos banalizados, você acredita que aplicativos de namoro ainda podem encontrar a “pessoa certa”? No dia 12, o Tinder anunciou novos recursos com inteligência artificial para tentar corrigir um problema que ele ajudou a criar. Seu excesso de escolha transformou a busca por sexo e por amor em um exercício de fadiga. A promessa agora é trocar o malfadado “cardápio de gente” pela “curadoria de relacionamentos”. Resta saber se a IA terá sucesso onde os algoritmos tradicionais vêm falhando miseravelmente. O uso da tecnologia para encontrar o par perfeito não é novo. Há três décadas, esses sistemas evoluem de formulários de características simples, como idade, religião e hobbies, para plataformas que cruzam dados, comportamento e preferências. As versões recentes tentam inferir e combinar padrões invisíveis ao próprio usuário, tornando-se, para muitos, o principal, se não o único, caminho para conhecer alguém. Mas tanta “eficiência” tem cobrado um preço alto na saúde mental e na qualidade dos vínculos. Vemos uma distorção sistemática dos relacionamentos, resultando em laços extremamente frágeis e no fenômeno do “dating burnout”. Essa exaustão, derivada da esperança de que o próximo perfil será ligeiramente melhor, gera solidão, ansiedade e baixa autoestima. As pessoas nunca estiveram tão conectadas, mas raramente se sentiram tão sozinhas diante de uma lista infinita de opções descartáveis. Se o amor nunca foi tão “mensurável”, tampouco foi tão instável. A dúvida é se a inteligência artificial pode, de fato, aproximar pessoas reais para relações saudáveis, ou apenas tornará mais eficiente um sistema que já vem sendo considerado falido pelos próprios usuários, pela pretensa “otimização” que corrói o investimento emocional necessário para relacionamentos de longo prazo. Como você tem conhecido pessoas ultimamente? Isso vale para relacionamentos pessoais e profissionais. Será que os algoritmos estão ocupando espaços grandes demais nisso?

23/03/2026 • 09:14

Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 As escolas começam a se organizar para um uso pedagógico da inteligência artificial, e essas medidas podem servir para todos nós. Além das transformações intensas por toda a economia, a IA está transformando a maneira como falamos e até pensamos. Por isso, temos que buscar um uso consciente e construtivo dela. Esse cuidado se torna crítico na educação, justamente onde desenvolvemos valores, novas habilidades e formamos cidadãos. Nesse quadro, o Referencial para o Uso e Desenvolvimento Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação, publicado na quinta passada pelo Ministério da Educação, é muito bem-vindo. O documento orienta educadores e instituições e oferece diretrizes para políticas públicas sobre como fazer bons usos dessa tecnologia nas escolas da educação infantil à pós-graduação. Criar um arcabouço de propostas com essa complexidade leva tempo, mas professores e alunos já usam a IA generativa há anos. Infelizmente, por falta de orientação, muitos deles não aproveitam tudo que a tecnologia oferece ou fazem até usos questionáveis dela. Isso não é exclusivo da educação. Pelo contrário, vemos adoções inadequadas dessa tecnologia em todos os setores. A rapidez da sua evolução supera nossa capacidade de compreender o que cada mudança representa. Além disso, nunca algo havia invadido nossos sagrados campos da cognição e da criatividade. Assim, embora seja voltado à educação, a proposta do MEC explicita princípios que podem, com adaptações, orientar outros setores no uso de IA. Ela enfatiza supervisão humana efetiva, transparência e explicabilidade dos sistemas, proteção rigorosa de dados pessoais, avaliação de impacto algorítmico, promoção de equidade e inclusão e soberania tecnológica. Dessa forma, suas diretrizes têm potencial de inspirar políticas públicas e práticas organizacionais muito além do ambiente educacional. Nesse episódio, eu explico com isso funciona. E você, acha que está usando bem a IA no seu cotidiano?

16/03/2026 • 09:25

Podcasts semelhantes