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O Macaco Elétrico

Jornalista (preferencialmente digital), educador (preferencialmente digital), trabalhando para tornar o mundo um lugar melhor

Músicas

A criminalidade brasileira está transformando a tecnologia
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A criminalidade brasileira está transformando smartphones e a inteligência artificial. A semana passada foi pródiga em lançamentos na área de tecnologia, fortemente impulsionados pela IA. Em meio a tantas novidades, alguns recursos de cibersegurança me chamaram atenção, porque podem ajudar muito no combate à criminalidade digital no Brasil ou até foram explicitamente criados para atender a demandas de usuários de nosso país. Na terça, o Google anunciou, durante seu evento anual Google I/O, um grande pacote de novidades na sua plataforma de inteligência artificial Gemini e no sistema operacional Android. No dia anterior, a OpenAI mostrou o novo cérebro do ChatGPT, o GPT-4o, que se aproxima incrivelmente da capacidade conversacional humana, incluindo reconhecimento em tempo real de texto, áudio e vídeo. As referidas novidades de segurança fazem parte do novo Android. Uma delas automaticamente travará o smartphone no caso de roubo pelas infames “gangues de bicicleta”, que assombram os brasileiros, especialmente em São Paulo. A outra tentará identificar, em chamadas por voz, possíveis golpes, avisando imediatamente a vítima para que não acredite na mentira. A IA é o motor de ambos os recursos. Fiquei feliz ao saber dessas funcionalidades! Tristemente, há anos o brasileiro se obriga a limitar o uso de tecnologias revolucionárias pela ação de criminosos. É o caso de restrições ao Pix, de andar com smartphones sem todos os aplicativos e até de não poder usar caixas eletrônicos de madrugada. Já passa da hora de as big techs se envolverem na solução desses problemas! Mas como funcionam esses novos recursos e qual é a sua efetividade? E disso que falo nesse episódio! E você, o que faz para se proteger dos cibercriminosos?
08:15 19/05/2024
A abertura da inteligência artificial
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Estamos assistindo ao casamento da inteligência artificial com o open source, com grandes benefícios. A corrida pela IA acontece não apenas entre as big techs, que buscam estabelecer a dominância nesse mercado bilionário, mas também entre profissionais e empresas que querem construir uma vantagem sobre seus concorrentes, pelo uso dessa tecnologia. Agora o open source, modelo de produção e distribuição em que qualquer um pode propor melhorias em softwares, chega com ideias que podem tornar a IA mais segura, fácil e profissional. Desde que o ChatGPT a apresentou às massas há 18 meses, seu avanço acontece a passos largos. Mas apesar de algumas aplicações disponíveis parecerem mágicas em seus resultados, a IA ainda está engatinhando. Muitos dos usos que vêm sendo feitos dela são poucos profissionais e podem até expor dados sigilosos. Em grande parte, isso acontece porque as pessoas usam ferramentas genéricas, construídas para respostas sobre qualquer assunto, como o próprio ChatGPT. O amadurecimento desse mercado passa, portanto, pela oferta de plataformas que permitam que as empresas criem e ajustem seus próprios modelos, adequados a necessidades específicas e com suas informações usadas de maneira segura. Durante o Red Hat Summit, maior evento de open source do mundo, que aconteceu em Denver (EUA) na semana passada e do qual participei, a Red Hat, líder global de soluções nesse formato, apresentou o InstructLab, plataforma que propõe solucionar esses problemas. Ela permite que qualquer pessoa, mesmo sem conhecimento técnico, contribua com o desenvolvimento de modelos de IA para seus negócios. Mas como isso funciona e quais as vantagens afinal? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, se sente pronto para criar o próprio modelo de inteligência artificial para o seu negócio?
08:53 13/05/2024
A sociedade é hipócrita com a IA?
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Será que estamos pedindo demais da inteligência artificial? Muito além do aquecido debate sobre legislações que organizem o uso da IA, começa a se formar um consenso sobre alguns valores em torno dessa tecnologia, como uso e desenvolvimento responsáveis, decisões rastreáveis e dois conceitos que se confundem e são pouco conhecidos: transparência e explicabilidade. Todos são essenciais para que os impactos da IA sejam positivos. Mas a sociedade está exigindo algo dessas plataformas que ela mesmo não pratica. Se fizermos uma autoanálise, perceberemos que conscientemente não somos transparentes em muitas coisas de nosso cotidiano, assim como tampouco são empresas e instituições. Como exemplo, uma das maiores falhas das redes sociais, que levou à insana polarização da sociedade e a problemas de saúde mental de seus usuários, é a completa falta de transparência das decisões de seus algoritmos. Diante disso, alguns especialistas afirmam que exigir esse nível de responsabilidade e transparência das plataformas de IA é um exagero e até, de certa forma, hipocrisia. Talvez... Mas o fato de cultivarmos esses maus hábitos não pode ser usado para desestimular a busca desses objetivos nessa tecnologia com potencial de ofuscar a transformação que as redes sociais fizeram, que, por sua vez, deixou pequena as mudanças promovidas pela mídia tradicional anteriormente. Se não tomarmos as devidas precauções, a inteligência artificial pode causar graves consequências para a humanidade pelas ações de grupos que buscam o poder de forma inconsequente. Por isso, ela precisa ser organizada para florescer como uma tecnologia que ampliará nossas capacidades criativas e de produção. Sem esses pilares éticos, sequer confiaremos no que a IA nos disser, e então tudo irá por água abaixo. Mas afinal, por que rastreabilidade, transparência e explicabilidade são tão importantes para a inteligência artificial? E o que elas significam? É sobre isso que falo nesse episódio.
08:10 05/05/2024
ChatGPT invade a educação
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo confirmou que pretende usar o ChatGPT para “melhorar” as aulas que distribui para os professores das escolas estaduais paulistas. Apesar de garantir que todo o conteúdo gerado pela máquina será revisado por sua equipe de professores curriculistas, esse uso da inteligência artificial abriu uma grande discussão sobre uma possível redução no papel do professor e nos riscos vindos de uma tecnologia reconhecidamente ainda falha. Segundo a Secretaria, a IA fará suas propostas a partir do material já existente, criado pelos curriculistas para alunos do Ensino Fundamental II (do 6º ao 9º ano) e do Ensino Médio. O ChatGPT deve propor ampliações no conteúdo e criação de exercícios. Professores criticam o material do governo, que consideram limitante. Também possui erros gramaticais, de formatação e conceituais. Como exemplo, uma aula afirmava que a Lei Áurea teria sido assinada em 1888 por D. Pedro II (foi pela sua filha, a princesa Isabel), enquanto outra dizia que a cidade de São Paulo possuía praias. O temor é que o ChatGPT agrave o problema. Assim como outras plataformas de IA generativa, ele é programado para sempre dizer algo, mesmo que não saiba o quê. Nesse caso, pode responder verdadeiras barbaridades, mas, como faz isso com grande “convicção”, muita gente acredita nas suas informações erradas. São as chamadas “alucinações”. Caberá aos professores curriculistas não apenas ajustar pedagogicamente a produção do ChatGPT, como também verificar se o que ele diz está correto e se não fere direitos autorais. Fica a pergunta se eles terão recursos e disposição para fazer isso. Caso contrário, a inteligência artificial poderá deseducar, ao invés de melhorar aulas. Esse é o mais recente episódio da digitalização das escolas, bandeira de Feder. Apesar de achar que a IA pode ajudar muito os professores, uma implantação afobada pode ter efeitos nefastos na educação; É sobre isso que falo nesse episódio. E você, acha que a IA deve preparar aulas?
09:15 29/04/2024
IA pode deixar o mundo mais seguro e perigoso
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Como de qualquer ferramenta, os resultados da inteligência artificial dependem das ações de quem a utiliza. Quem faz usos positivos dela produz bons frutos. Já os de má índole podem causar danos profundos. Com seu poder disruptivo, essas consequências podem ser críticas! Esse foi o tema de um dos principais painéis do Web Summit Rio, um dos mais importantes eventos globais de tecnologia, mídia e inovação, que aconteceu no Rio de Janeiro, de terça a quinta da semana passada. Um dos problemas deriva de a IA oferecer mecanismos para se alterar a realidade ou criar mentiras convincentes. Isso abre muitas possibilidade de golpes, ameaçando indivíduos, empresas e sociedades inteiras, como no caso de eleições. “Se a confiança for perdida, ficará muito difícil continuar inovando em coisas boas na IA”, disse no painel o estoniano Kaarel Kotkas, CEO da empresa de segurança Veriff. Felizmente a mesma IA oferece recursos para combater essas ameaças. “A gente precisa pensar que seremos cada vez mais uma sociedade baseada em tecnologia”, me disse no evento Cesar Gon, CEO da empresa de tecnologia CI&T. “É importante acompanhar para onde a tecnologia vai e criar limites, mas garantindo que a ciência e a tecnologia continuem evoluindo para resolver os problemas humanos”, explicou, ressaltando que a IA deve sempre estar alinhada com os interesses da sociedade. Diante de tanto poder computacional, chega a ser irônico que a maioria dos golpes não envolva invasão de sistemas. O elo mais frágil na segurança continua sendo o ser humano, enganado para que repasse informações pessoais (como senhas) ou realize ações prejudiciais. O que muda nessa engenharia social com a IA é que os procedimentos para confundir as pessoas se tornam mais convincentes, difíceis de se identificar, e agora atingem muita gente, para aumentar a chance de fazerem suas vítimas. Como podemos nos proteger disso tudo? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, como usa a IA com segurança e produtividade?
09:38 22/04/2024
IA pode atrapalhar seu sonho profissional
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Você já pensou que, mais que aumento do desemprego, a inteligência artificial pode levar a uma crise de identidade? Não é catastrofismo! A enorme visibilidade em torno da IA desde que o ChatGPT foi lançado reacendeu o velho temor de que, em algum momento, perderemos os nossos empregos para as máquinas. Mas para o futurista em IA Zack Kass, a tecnologia pode provocar outras mudanças no mundo do trabalho, que podem levar a essas crises de identidade. Kass, um dos primeiros profissionais da OpenAI (criadora do ChatGPT), onde atuou por 14 anos, acredita que as pessoas continuarão trabalhando. Mas em muitos casos, elas não poderão fazer o que gostam ou no que foram formadas, porque a função será realizada por um robô. E aí nasce o problema! “Nós conectamos intrinsicamente nossa identidade de trabalho à nossa identidade pessoal”, explica o executivo, que esteve no Brasil na semana passada para participar do VTEX Day, um dos maiores eventos de e-commerce do mundo. Segundo ele, mesmo que as necessidades das pessoas sejam atendidas, não poderem trabalhar com o que desejam pode lhes causar fortes reações. “Esse é meu maior medo”, disse. Se nada for feito, essa previsão sombria pode mesmo se concretizar. Diante dessa perspectiva, os profissionais experientes e os recém-formados devem fazer os movimentos certos para não ficarem desempregados ou para não serem jogados nessa crise profissional e de identidade, o que seria ainda mais grave. Mas quais são esses movimentos? Como podemos nos proteger? Qual o papel das empresas desenvolvedoras e até dos governos? É sobre isso que falo nesse episódio.
08:14 15/04/2024
Como a IA pode ajudar a aprender
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Como a inteligência artificial pode contribuir para o engajamento de alunos com o que aprendem? Uma métrica eficiente para se identificar uma boa aula é medir o quanto os estudantes falam nela sobre o conteúdo. Quando interagem, os alunos aprendem melhor. Agora a inteligência artificial pode ajudar professores a envolverem mais suas turmas. Ser professor pode ser uma tarefa solitária. Fora dos centros de excelência, os docentes costumam criar seus planos de ensino com apoio mínimo, e ministram suas aulas sem uma avaliação contínua, com a qual poderiam aprimorar o processo. Não é uma tarefa fácil. Produzir esse tipo de análise exige recursos que as escolas normalmente não têm. Além disso, se essa informação vazasse, o monitoramento de aulas poderia municiar membros de uma parcela da sociedade que decidiu perseguir professores explicitamente nos últimos anos. Diante disso tudo, a IA surge como uma poderosa aliada pedagógica. Se bem usada, ela pode acompanhar as aulas do professor e lhe oferecer o apoio necessário de maneira eficiente e segura. Pode ainda atuar como um supervisor educacional para os docentes e como um tutor permanentemente disponível aos alunos. Como tudo que se refere à inteligência artificial, soluções que parecem mágicas precisam ser bem compreendidas para que aparentes milagres não se tornem pesadelos. O robô pode mesmo oferecer grandes vantagens educacionais, mas ele não pode, de forma alguma, substituir o professor, como alguns poderiam pensar. Qual o caminho para se conseguir esse bom uso? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, tem sugestões sobre como usar a tecnologia digital de maneira positiva na educação?
08:45 08/04/2024
Inteligência coletiva entre pessoas e máquinas
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A cada dia, surgem mais aplicações com inteligência artificial. O ChatGPT mostrou para as massas como essa tecnologia pode trazer grandes ganhos, e isso ciou uma sensação de que a IA automatizará tudo. Mas isso não é verdade: o ser humano ainda precisa supervisionar seu aprendizado e suas conclusões. Ainda assim, a colaboração inteligente entre máquinas e pessoas pode tornar possível coisas até então inimagináveis. Esses foram alguns dos principais temas da conferência Gartner Data & Analytics, que aconteceu em São Paulo na terça e na quarta. Na palestra de abertura, Aura Popa, diretora-sênior, e Kurt Schlegel, vice-presidente da consultoria, fizeram uma analogia entre a inteligência coletiva do mundo animal e o que podemos fazer junto com a inteligência artificial. Esse fenômeno se observa desde enxames de abelhas até matilhas de lobos. Nelas, cada indivíduo tem autonomia em suas decisões, mas também trabalha para o grupo. Dessa maneira, não apenas sobrevive, como também prospera, atingindo coletivamente ganhos que não conseguiria sozinho. A inteligência artificial funcionaria como um facilitador para as pessoas criarem valores inéditos juntas. Mas, para isso, as empresas precisam reorganizar seus modelos operacionais para dar autonomia e flexibilidade aos profissionais. Devem também ampliar sua educação para usos conscientes dos dados e da IA. Por fim, precisam distribuir autoridade e responsabilidade para que todos atuem com um propósito bem definido, em todos os níveis da organização. É uma proposta interessante, neste momento em que ainda tateamos a IA para encontrar boas formas de usá-la. Na conferência, ficou claro que não se deve delegar decisões críticas completamente à máquina, pois ela pode cometer erros graves. Fazer isso também aceleraria o temor generalizado de termos nossos empregos substituídos por robôs. Você sabe como criar essa inteligência coletiva com o apoio da IA? É sobre isso que falo nesse episódio. E como vem usando essa tecnologia?
08:45 01/04/2024
As guerras do futuro (ou do presente?)
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Como a inteligência artificial pode alterar o próprio conceito das guerras? Para mim, elas representam a falência da humanidade. Quando governos recorrem a armas para impor pontos de vista ou obter ganhos às custas de incontáveis vidas humanas e enorme destruição, algo dramaticamente deu errado, partindo para a força. A tecnologia vem abrindo novos caminhos para a guerra, em que as armas dividem seu protagonismo com o mundo digital. Talvez cheguemos a um cenário em que se vença um conflito sem que nenhum tiro seja disparado, o que não quer dizer que não mais existirão prejuízos e sofrimento. Ainda não estamos lá, mas a brutal invasão russa na Ucrânia fez dos dois anos desse teatro de guerra um campo de testes tecnológicos de drones, novos materiais e inteligência artificial para fins militares, que estão transformando o conceito da guerra. Ela sempre esteve associada à ciência, para o desenvolvimento de melhores estratégias e armamentos. Grandes avanços para a humanidade também se derivaram disso, como a penicilina e até os fornos de micro-ondas. Agora a Ucrânia vivencia uma guerra de algoritmos, inteligência artificial e satélites. O desconhecido se torna claro, previsível e muitas vezes evitável. Por outro lado, tropas e civis se tornam mais vulneráveis. Generais criam assim suas estratégias com o apoio de algoritmos preditivos e de armas que cumprem “suas missões” sozinhas. Mas então por que o conflito da Ucrânia chegou a um impasse, sem conclusão aparente? Por que as cidades seguem sendo destruídas e as pessoas continuam sendo mortas? É sobre isso e sobre o papel da tecnologia digital que falo nesse episódio. Como se pode ver, nesse videogame, ninguém tem vida extra.
09:55 25/03/2024
Regulamentando a IA do jeito certo
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A Europa resolveu organizar a inteligência artificial! Será que vai dar certo? O Parlamento Europeu aprovou na quarta a Lei da Inteligência Artificial, legislação pioneira que visa proteger a democracia, o meio ambiente e os direitos fundamentais, enquanto promove o desenvolvimento dessa tecnologia. As novas regras, que entrarão em vigor ao longo de dois anos, estabelecem obrigações para desenvolvedores, autoridades e usuários da IA, de acordo com potenciais riscos e impacto de cada aplicação. Na semana anterior, a Europa já havia aprovado uma lei que regula a atuação das gigantes da tecnologia, favorecendo a competição. Tudo isso consolida a vanguarda do continente na organização do uso do mundo digital para proteger e beneficiar a sociedade, inspirando leis pelo mundo. O maior exemplo é a GDPR, para proteção de dados, que no Brasil inspirou a LGPD, nossa Lei Geral de Proteção de Dados. Legislações assim se tornam necessárias à medida que a digitalização ocupa espaço central na vida, transformando profundamente a sociedade. Isso acontece desde o surgimento da Internet comercial, na década de 1990. De lá para cá, cresceu com as redes sociais, os smartphones e agora com a inteligência artificial. O grande debate em torno dessas regras é se elas podem prejudicar a sociedade, ao atrapalhar o desenvolvimento tecnológico. A preocupação é legítima, mas ganha uma dimensão muito maior que a real por influência dessas empresas, que se tornaram impérios por atuarem quase sem regras até agora, e gostariam de continuar assim. Infelizmente essas big techs abusaram dessa liberdade, sufocando a concorrência e criando recursos que, na prática, podem prejudicar severamente seus usuários. Portanto, essas leis não devem ser vistas como ameaças à inovação (que continuará existindo), e sim como necessárias orientações sociais para o uso da tecnologia. Para saber mais como funciona a nova lei europeia, ouça esse episódio. E depois conte para nós aqui o que acha de regulamentações de tecnologias.
09:35 18/03/2024
O fim da autorregulação das big techs?
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Estamos diante do fim da liberdade quase irrestrita das big techs sobre nós? Na segunda passada, a Apple foi multada pela União Europeia em €1,8 bilhão (cerca de R$ 9,8 bilhões), em um processo movido pelo Spotify, que a acusava de concorrência desleal. A decisão impacta muito mais que a empresa e seus clientes: reflete mudanças que governos tentam impor às big techs para reduzir seu enorme poder sobre a vida da população. A principal queixa era a exigência pela Apple de que os aplicativos para o iPhone e o iPad sejam instalados exclusivamente a partir da App Store, com a empresa ficando com 30% das transações na sua plataforma. O Spotify entendia que o Apple Music, serviço de streaming da Apple, tinha uma vantagem indevida, pois esses 30% ficavam na empresa. Além disso, ele já vem pré-instalado nesses equipamentos. Travestida de facilidade para os clientes, essa sutil imposição dos próprios produtos por ser dono de um ecossistema digital foi criada pela Microsoft na década de 1990, graças à dominância do Windows. Nos anos seguintes, o modelo foi aperfeiçoado pela Apple, Google e Meta. O processo foi tão eficiente, que nós mal percebemos essa dominação e achamos tudo normal. Mas isso pode estar com os dias contados. Na Europa, as big techs fizeram mudanças profundas, graças à Lei dos Mercados Digitais, que passou a valer na quinta. Pelo tamanho do mercado europeu e por suas regulações da tecnologia inspirarem leis ao redor do mundo, podemos começar a ver movimentos semelhantes em outras regiões. Essas empresas construíram seus impérios quase sem regras, focadas nos lucros, esmagando concorrentes e com rumos definidos apenas pelas suas bússolas morais. Resta saber se essas novas leis realmente encerrarão esse período de “autorregulação” e se isso beneficiará os seus clientes. É sobre que falo nesse episódio. Junte-se a nós nesse debate!
09:10 11/03/2024
A hora e a vez da IA nas eleições
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Chegou a hora e a vez da inteligência artificial nas eleições. Como isso vai impactar as campanhas? A tecnologia volta a ser protagonista na política, e não dá para ignorar isso em um mundo tão digital. Na terça, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou instruções para o pleito municipal desse ano. Os usos de redes sociais e inteligência artificial nas campanhas chamaram atenção. Mas apesar de positivas e bem-produzidas, elas não dizem como identificar e punir a totalidade de crimes eleitorais no ciberespaço, que só aumentam. Enquanto isso, a tecnologia continua favorecendo os criminosos. Claro que a medida gerou uma polêmica instantânea! Desde 2018, as eleições brasileiras vêm crescentemente sendo decididas com forte influência do que se vê nas redes sociais, especialmente as fake news, que racharam a sociedade brasileira ao meio. Agora a inteligência artificial pode ampliar a insana polarização que elege candidatos com poucas propostas e muito ódio no discurso. É importante que fique claro que as novas regras não impedem o uso de redes sociais ou de inteligência artificial. Seria insensato bloquear tecnologias que permeiam nossa vida e podem ajudar a melhorar a qualidade e a baratear as campanhas, o que é bem-vindo, especialmente para candidatos mais pobres. Mas não podemos ser inocentes e achar que os políticos farão apenas usos positivos de tanto poder em suas mãos. Infelizmente a solução para essas más práticas do mundo digital não acontecerá apenas com regulamentos. Esse é também um dilema tecnológico e as plataformas digitais precisam se envolver com seriedade nesse esforço. O que você acha dessas medidas: elas ajudam ou atrapalham? Serão efetivas? E qual deve ser o impacto da IA nas campanhas e nos seus resultados?
09:00 04/03/2024
IA não pode patentear seus inventos
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 No dia 13, o Gabinete de Marcas e Patentes dos Estados Unidos determinou que patentes não podem ser registradas em nome de plataformas de inteligência artificial, apenas por pessoas. Essa tecnologia pode, entretanto, ser usada intensamente no desenvolvimento de invenções: basta seres humanos terem feito uma “contribuição significativa” para que a patente possa ser concedida. A questão que salta aos olhos é: quem é o verdadeiro inventor nesse caso? Apesar de bem-intencionada, a determinação possui falhas conceituais. A proposta de garantir que a propriedade intelectual continue sob domínio de pessoas é bem-vinda. Mas ao permitir que a IA seja usada na pesquisa (e não faz sentido proibir isso hoje), cria-se uma brecha para que ela seja vista como coautora do processo. Como a tal contribuição humana não precisa ser comprovada, pode acontecer ainda de a IA fazer todo o trabalho e depois não ser “reconhecida” pelos pesquisadores. Seria injusto com o robô? O aspecto tecnológico então dá lugar a outros, éticos e filosóficos: a máquina trabalha para nós ou o contrário, quando lhe fornecemos comandos e ela se torna coautora? Além disso, imagine o ChatGPT começando a se tornar coautor de patentes de tudo em que ele for usado: sua criadora, a OpenAI, rapidamente se tornaria a maior detentora de patentes do mundo! Ela deveria então receber royalties por todas essas invenções? Nada disso está claro! Mas como diz o ditado, “é nos detalhes que mora o diabo”. E você, acha que a IA deve ser usada intensamente em inventos? Ela teria algum direito sobre eles? É sobre isso que falo nesse episódio.
09:59 25/02/2024
IA agora quer se passar por jornalistas
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 O que você sentiria se o presidente da República telefonasse a você para lhe convencer de algo? Ou se alguém bem próximo, como um sobrinho ou até um filho, enviasse um áudio pedindo dinheiro? Muita gente desconfiaria que se trata de um golpe. Mas o rápido avanço da inteligência artificial está tornando esse tipo de engodo cada vez mais crível, fazendo vítimas em todos os estratos sociais. Portanto, cuidado ao gritar que jamais cairá em algo assim. Por muito menos, todo mundo já acreditou em alguma fake news! A ameaça cresce quando se observa que o uso da IA vai muito além da produção de textos, áudios e vídeos bem-feitos. Os robôs agora constroem sequências de notícias falsas sobre temas que lhes forem solicitados. Além disso, eles as distribuem de maneiras cada vez mais criativas, até como se fossem jornalistas humanos. Não por acaso, em janeiro, o Fórum Econômico Mundial apontou a desinformação potencializada pela inteligência artificial como o maior risco que a humanidade enfrentará nos próximos anos. As big techs, responsáveis pela criação dessas plataformas, estão se mexendo. No mesmo Fórum, Nick Clegg, presidente de assuntos globais da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp), anunciou que a empresa está trabalhando com os principais nomes do setor para criar mecanismos que identifiquem claramente que um conteúdo foi sintetizado por IA. O executivo classificou a iniciativa como “a tarefa mais urgente” da indústria tecnológica atualmente. Já passamos há anos do ponto em que as versões ficaram mais “importantes” para o público que os fatos, e falhamos miseravelmente no combate a isso, com consequências desastrosas. Nesse ano, com mais de 2 bilhões de pessoas votando em 58 países, o desafio de todos passa a ser não apenas resgatar o valor da verdade, como também serem capazes de identificá-la. Mas como separar o joio do trigo, quando ficam tão parecidos? Dou algumas dicas nesse episódio. E você, como faz?
08:55 18/02/2024
Seus posts viram comida para a IA
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Cuidado: tudo que você postar pode ser usado contra você e a favor da IA. Não é novidade que o que publicamos nas redes sociais é usado para criarem perfis detalhados sobre nós para que seus anunciantes nos vendam todo tipo de quinquilharia. Também é conhecido que nossas informações são usadas para “aprimorar” essas plataformas. E que muitas delas fazem menos do que poderiam e deveriam para nos proteger contra desinformação e diferentes assédios. Mas o que é novidade é que agora essas companhias usam nossas informações pessoais para treinar seus nascentes serviços de inteligência artificial, abrindo uma nova potencial violação de privacidade. Essas empresas transitam nas ambiguidades de seus termos de serviço e posicionamentos públicos. Por exemplo, no dia 31, os CEOs das redes sociais mais usadas por crianças e adolescentes foram interpelados no Comitê Judiciário do Senado americano, sobre suas ações para proteger os jovens. O mais questionado foi Mark Zuckerberg, CEO da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp). Diante da pressão, ele se levantou e se desculpou ao público nas galerias. Ali estavam pais e mães de crianças que morreram por problemas derivados de abusos nas redes sociais. Menos de uma semana depois, o mesmo Zuckerberg disse, durante uma transmissão sobre os resultados financeiros anuais da Meta, que sua empresa está usando todas as publicações de seus usuários (inclusive de crianças) para treinar suas plataformas de IA. O mercado adorou: suas ações dispararam 21% com os resultados! E essa infinidade de dados pessoais é mesmo uma mina de ouro! Mas e se eu, que sou o proprietário das minhas ideias (por mais que sejam públicas), quiser que a Meta não as use para treinar sua IA, poderei continuar usando seus produtos? É inevitável pensar que não temos mais privacidade e até propriedade sobre nossas informações. E as empresas podem se apropriar delas para criar produtos e faturar bilhões de dólares. É isso mesmo? Como nos proteger? Falo sobre isso nesse episódio. #redessociais #inteligênciaartificial #dados #informação #privacidade #Meta #MarkZuckerberg #saúdemental #PauloSilvestre
09:20 11/02/2024
A tecnologia na volta às aulas
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Estamos em plena volta às aulas! Com os alunos, ressurge o debate sobre como usar a tecnologia na educação, com uma inteligência artificial cada vez mais poderosa. E a prefeitura do Rio de Janeiro jogou lenha na fogueira ao proibir, na sexta, que os alunos usem celulares nas escolas públicas municipais, mesmo no recreio. Especialistas aprovam a decisão. Já debatemos longamente aqui como celulares em sala de aula em atividades não acadêmicas roubam a atenção dos alunos e prejudicam seu aprendizado. No caso do recreio, eles atrapalham os processos de socialização entre as crianças, necessários para seu desenvolvimento. Pela nova regra, os equipamentos devem ficar desligados ou silenciados na mochila, podendo ser usados apenas se o professor os solicitar para alguma atividade, ou em casos excepcionais, como alunos com algum problema de saúde. A determinação é interessante para ampliarmos o debate sobre a digitalização do ensino. Nessa mesma época, no ano passado, os professores estavam em polvorosa devido ao então recém-lançado ChatGPT. Muitos achavam que não conseguiriam mais avaliar seus alunos e alguns temiam até perderem o emprego para as máquinas. Passado um ano, nada disso aconteceu, até porque essa tecnologia ainda erra muito. Mas todo aquele burburinho serviu para os professores repensarem os seus processos de avaliação. Em uma sociedade altamente digitalizada, não dá mais para só pedir que alunos entreguem textos escritos em casa. Mas se sabemos o que não deve mais ser feito, ainda não há clareza sobre como usar todo esse poder digital de maneira criativa e construtiva com os estudantes, desde a infância até a universidade. A despeito dos riscos e problemas conhecidos, os alunos devem aproveitar o que ela também oferece de bom, de forma adequada a sua idade. Essa é uma lição de casa que todos nós temos que fazer. Mas então qual caminho seguir? Como você vê o uso de diferentes tecnologias na educação de crianças a adultos? Nesse episódio, eu dou algumas dicas sobre como responder essas perguntas.
09:00 05/02/2024
Não deixe a IA afetar a sua saúde mental
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Cada vez mais nos deslumbramos com as incríveis oportunidades geradas pela inteligência artificial, mas, ao mesmo tempo, descobrimos coisas com as quais temos que tomar cuidado. Agora será que imagens geradas por IA podem agravar problemas de saúde mental? Na semana passada, as redes sociais foram inundadas com fotos de Taylor Swift nua. Não se tratava de algum vazamento de fotos íntimas da cantora, mas de imagens falsas criadas por inteligência artificial, uma técnica conhecida por “deep nude”. Apesar da compreensível revolta dos fãs pelo uso criminoso da sua imagem, o episódio não deve ter causado grandes transtornos para ela, que tem uma equipe multidisciplinar para ajudá-la a lidar com os problemas típicos da sua superexposição. Infelizmente quase ninguém tem essa rede de proteção. Por isso, a explosão de imagens sintetizadas digitalmente vem provocando muitos danos à saúde mental de crianças, jovens e adultos, que não sabem como lidar com fotos e vídeos falsos de si mesmos ou de ideais inatingíveis de beleza ou sucesso. Isso não é novo: surgiu na televisão, antes das mídias digitais. Mas elas potencializaram esse problema, que agora se agrava fortemente com recursos de inteligência artificial generativa usados inadequadamente. Junte ao pacote a dificuldade que muitos têm de lidar com os efeitos nocivos da exposição que as redes sociais podem lhes conferir, ainda que de maneira fugaz. Não é algo pequeno, não é “frescura” ou uma bobagem. Família, amigos e as autoridades precisam aprender a lidar com esses quadros, oferecendo o apoio necessário para que o pior não aconteça. Você sabe quais são os mecanismos usados pelas redes sociais (e agora potencializados pela IA) que podem afetar nossa saúde mental? E o que devemos fazer para nos proteger? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, acredita que faz um uso saudável dessas tecnologias?
09:10 28/01/2024
A IA que ajuda e atrapalha a empregabilidade
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A inteligência artificial ajudará ou atrapalhará a sua carreira? No dia 14, o Fundo Monetário Internacional divulgou um estudo que indica que cerca de 40% dos trabalhos do mundo serão impactados pela inteligência artificial. Isso não se dará de maneira homogênea: enquanto ela trará grande produtividade a alguns, pode eliminar postos de trabalho e até deixar muitas pessoas “inempregáveis”, ou seja, sem capacidade de assumir qualquer ocupação com o que sabem fazer. Por que uma mesma tecnologia provoca consequências tão opostas no mercado de trabalho de um mesmo país, ao mesmo tempo? A resposta passa pelas capacidades dos profissionais de se adaptar para tirar proveito do que ela oferece. Enquanto isso, o Brasil comemora mais uma queda na taxa de desemprego, que terminou novembro em 7,5%, a menor desde fevereiro de 2015. Ainda assim, o país continua tendo 8,2 milhões de desempregados. Apesar de muito bem-vinda essa retração, é preciso estar atento à qualidade desses empregos. Afinal, com o avanço da IA, muitos deles podem desaparecer em breve por falta de capacitação. A sociedade brasileira precisa se mobilizar para que isso não aconteça com força. A IA escancara, portanto, algo que já se observa há anos: o futuro do trabalho passa pelo futuro da educação. Os robôs estão se tornando auxiliares valiosos, mas as pessoas precisam de uma melhor formação para não serem substituídas por eles. Você sente que está no grupo que se beneficiará da inteligência artificial? O que é preciso para isso? E o que a sociedade deve fazer para surfar corretamente nessa onda? É sobre isso que falo nesse episódio!
09:00 21/01/2024
Inteligência artificial, jornalismo e democracia
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Como a recente briga do New York Times contra a Microsoft e a OpenAI pode definir como nos informaremos no futuro e impactar consideravelmente a saúde da democracia no mundo todo? Acontece que o processo aberto pelo jornal no dia 27 contra as duas empresas de tecnologia pode balizar a qualidade do que a inteligência artificial oferecerá a todos nós. E nós a usaremos cada vez mais! O jornal afirma que seu conteúdo vem sendo usado para treinar as plataformas de IA, sem que seja remunerado ou sequer tenha autorizado esse uso, o que é verdade. Enquanto isso, essas plataformas rendem bilhões de dólares a seus donos. Desde que o ChatGPT foi lançado no final de 2022, as pessoas vêm usando a IA para trabalhar, estudar e se divertir, acreditando candidamente em suas entregas. Sua precisão e seus recursos para evitar que produza e dissemine fake news dependem profundamente da qualidade do conteúdo usado em seu treinamento. O New York Times e outros grandes veículos jornalísticos são, portanto, algumas das melhores fontes para garantir uma entrega mais confiável aos usuários. O problema é tão grave que, no dia 10, o Fórum Econômico Mundial indicou, em seu relatório Riscos Globais 2024, que informações falsas ou distorcidas produzidas por inteligência artificial já representam o “maior risco global no curto prazo”. Nesse ano, dois bilhões de pessoas participarão de eleições no mundo, inclusive no Brasil, e a IA já vem sendo usada para aumentar a desinformação nas campanhas. Por aqui, o Tribunal Superior Eleitoral busca maneiras de regular seu uso no pleito municipal de outubro, uma tarefa muito complexa. Por isso, é fundamental que os bons produtores de conteúdo e as big techs encontrem formas de melhorar essas plataformas respeitando os direitos e remunerando adequadamente os autores. Para entender melhor como todos esses elementos se entrelaçam e impactam decisivamente nossa vida, convido você a ouvir esse episódio. E depois deixe suas ideias nos comentários.
09:40 15/01/2024
Não terceirize sua criatividade para a IA
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Cuidado para não “terceirizar” a sua criatividade para as máquinas! Quando o ChatGPT foi lançado, em 30 de novembro de 2022, muita gente disse que, com ele, as pessoas começariam a ficar “intelectualmente preguiçosas”, pois entregariam à inteligência artificial até tarefas que poderiam fazer sem dificuldade. De lá para cá, observamos mesmo muitos casos assim, inclusive com resultados desastrosos. Mas o que também tenho observado é algo mais grave, ainda que mais sutil: indivíduos “terceirizando” a sua criatividade para as máquinas. Quando fazemos um desenho, tiramos uma foto, compomos uma música ou escrevemos um texto, que pode ser um singelo post para redes sociais, exercitamos habilidades e ativamos conexões neurológicas essenciais para o nosso desenvolvimento. Ao entregar essas atividades à máquina, essas pessoas não percebem o risco que correm por realizarem menos essas ações. Há um outro aspecto que não pode ser ignorado: a nossa criatividade nos define como seres humanos e como indivíduos. Por isso, adolescentes exercitam intensamente sua criatividade para encontrar seu lugar no mundo e definir seus grupos sociais. A inteligência artificial generativa é uma ferramenta fabulosa que está apenas dando seus passos iniciais. Por mais que melhore no futuro breve (e melhorará exponencialmente), suas produções resultam do que essas plataformas aprendem de uma base gigantesca que representa a média do que a humanidade sabe. Ao entregarmos aos robôs não apenas nossas tarefas, mas também nossa criatividade, ameaçamos nossa identidade e a nossa humanidade. Esse é um ótimo exemplo de como usar muito mal uma boa tecnologia. E infelizmente as pessoas não estão percebendo isso. Para entender por que isso está acontecendo e como evitar isso, convido você a ouvir esse episódio. E você, como anda usando a inteligência artificial?
09:05 07/01/2024
2024: o ano da IA diferente!
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana (e o ano) 😊 Esse será de novo o ano da inteligência artificial, mas de uma forma diferente! Quando 2022 começou, o mundo da tecnologia só falava de metaverso, grande promessa incensada por Mark Zuckerberg, que até trocou o nome de sua empresa de Facebook para Meta. Mas, passados 12 meses, nada verdadeiramente útil aconteceu em torno dele. Já 2023 começou com a inteligência artificial ocupando os grandes debates tecnológicos, e, ao final do ano, ela superou todas as expectativas. Agora, que estamos começando 2024, ressurge a pergunta: esse será o ano do que, no cenário tecnológico? Nos últimos dias de 2023, conversei com diferentes especialistas e executivos de grandes empresas e a resposta passa novamente pela inteligência artificial. Mas nada será como era antes! O que aconteceu em 2023 e deixou o mundo de queixo caído ficará para trás como iniciativas embrionárias, quase protótipos. Os entrevistados foram unânimes em afirmar que o ano que passou foi de aprendizado e que agora, em 2024, o mundo deve começar a ver a inteligência artificial movendo produtos realmente profissionais. Outras mudanças em curso se consolidarão a reboque disso. O mercado de trabalho continuará sendo impactado, com oportunidades para profissionais mais atualizados e ameaças para quem permanece em tarefas repetitivas. Além disso, a liderança de TI ocupará cada vez mais o espaço de decisão de negócios, e questões éticas do uso da tecnologia ganharão destaque no cotidiano empresarial. Ou seja, esse será o ano em que a inteligência artificial se tornará verdadeiramente produtiva! Para saber os detalhes, convido a você a ouvir esse episódio! E para você, 2024 será o ano do que no campo da tecnologia?
09:05 29/12/2023
Por que esse foi, sem dúvidas, o ano da inteligência artificial?
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana depois do Natal 😊 Por que esse foi o ano da inteligência artificial? É como se já a usássemos e falássemos sobre essa tecnologia há anos, mas quase tudo que se vê hoje aconteceu apenas em 2023! Nesse período, ela deixou de existir apenas em debates acadêmicos e de especialistas para ocupar rodas de conversas de leigos em mesas de bar. Mas o que fez uma tecnologia septuagenária e que já integrava nosso cotidiano (ainda que a maioria não soubesse disso) ganhar tamanha importância? A resposta passa pelo lançamento de um produto: o ChatGPT. Apesar de ter sido liberado em 30 de novembro de 2022, nesse ano se tornou o produto de mais rápida adoção da história (e não me restrinjo a produtos digitais), com 100 milhões de usuários em apenas quatro meses! Mas a despeito de suas qualidades, sua grande contribuição foi demonstrar ao cidadão comum o poder da IA. E isso detonou uma corrida frenética para inclusão dessa tecnologia em todo tipo de produtos. O ChatGPT faz parte de uma categoria da inteligência artificial chamada “generativa”. Isso significa que ele é capaz de gerar conteúdos inéditos (no seu caso, textos) a partir do que sabe. Parece mágica para muita gente, mas uma outra característica sua talvez seja ainda mais emblemática: o domínio da linguagem humana, e não termos truncados ou computacionais. E uma linguagem complexa, estruturada e consciente nos diferenciava dos outros animais e das máquinas. Agora não mais das máquinas! Ao dominar a linguagem humana, a IA praticamente “hackeou” o nosso “sistema operacional”. E essa é a verdadeira explicação para 2023 ter sido o ano da inteligência artificial. Nesse episódio, eu conto resumidamente a sequência de fatos (alguns “cinematográficos”) que nos trouxeram até aqui, explicando como a IA entrou a nossas vidas para nunca mais sair. E você, também acha que esse foi o ano da inteligência artificial?
09:00 23/12/2023
A IA que "capota, mas não breca"!
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Tem uma turma de entusiastas em inteligência artificial que quer acelerar sem parar seu desenvolvimento, sem medo que ela possa “derrapar”! Nesse ano, a IA deixou de ser um interesse da elite tecnológica e conquistou o cidadão comum, virando tema até de conversas de bar. Muita gente agora a usa intensamente, criando tanto coisas incríveis, quanto enormes bobagens. E isso gerou uma excitação em torno da tecnologia. Isso pode parecer emocionante, mas esconde um tipo de deslumbramento quase religioso que de vez em quando brota no Vale do Silício, a meca das big techs. Um movimento especificamente vem fazendo bastante barulho com essa ideia. Batizado de “Aceleracionismo Efetivo”, ele defende que a inteligência artificial e outras tecnologias emergentes possam avançar o mais rapidamente possível, sem restrições ou regulamentações. Eles desprezam pessoas que chamam de “decels” e “doomers”, aquelas preocupadas com riscos de segurança vindos de uma IA muito poderosa ou reguladores que querem desacelerar seu desenvolvimento. Entre eles, está Geoffrey Hinton, conhecido como o “padrinho da IA”, que no dia 1º de maio se demitiu do Google, para poder criticar livremente os caminhos que essa tecnologia está tomando e a disputa sem limites entre as big techs, o que poderia, segundo ele, criar “algo realmente perigoso”. Como de costume, radicalismos de qualquer lado tendem a dar muito errado. A verdade costuma estar em algum ponto no meio de caminho, por isso todos precisam ser ouvidos. Então, no caso da IA, ela deve ser regulada ou seu desenvolvimento deve ser liberado de uma forma quase anárquica? Nesse episódio, eu apresento os pontos de vista dos que defendem a aceleração e os que querem uma regulamentação, além de tecer meus comentários sobre o tema. E você, o que pensa sobre isso?
09:45 17/12/2023
Me engana, que eu acredito!
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 As pessoas vêm se tornando presas fáceis de bandidos por acreditarem no que desejam e em “cópias sintéticas “ de sus ídolos. Usar famosos para vender qualquer coisa sempre foi um recurso poderoso do marketing. Mas agora as imagens e as vozes dessas pessoas estão sendo usadas sem sua permissão ou seu conhecimento para promover produtos que eles jamais endossariam e sem que ganhem nada com isso. Esse conteúdo falso é criado por inteligência artificial e está cada vez mais convincente. Além de anunciar todo tipo de quinquilharia, esses “deep fakes”, como é conhecida essa técnica, podem ser usados para convencer as massas muito além da venda de produtos, envolvendo aspectos políticos e até para se destruir reputações. O processo todo fica ainda mais eficiente porque as pessoas acreditam mais naquilo que desejam, seja em uma “pílula milagrosa de emagrecimento” ou nas ideias insanas de seu “político de estimação”. Portanto, os bandidos usam os algoritmos das redes sociais para direcionar o conteúdo falso para quem gostaria que aquilo fosse verdade. Há um outro aspecto mais sério: cresce também o uso de deep fakes de pessoas anônimas para a aplicação de golpes em amigos e familiares. Afinal, é mais fácil acreditar em alguém conhecido. Esse recurso também é usado por desafetos, por exemplo criando e distribuindo imagens pornográficas falsas de suas vítimas. Não dá nem mais para dizer que é “preciso ver para crer”, pois o que está cristalino diante de nossos olhos e ouvidos pode ser uma completa enganação! O que devemos fazer para não cairmos nessa armadilha e para protegermos nossa própria imagem? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, como lida com esse crescimento da “fakes hiper-realistas”?
08:53 10/12/2023
Ensino RUIM a distância
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 A ganância de muitas faculdades vem massificando um ensino ruim a distância. E isso é um enorme risco à sociedade! Por isso, na quarta passada, o Ministério da Educação publicou uma portaria suspendendo por 90 dias novos cursos a distância em 17 áreas, incluindo todas as licenciaturas. Mais que bem-vinda, a decisão já deveria ter sido tomada há tempos, pois o EAD vem deixando de ser uma poderosa ferramenta de inclusão, para se tornar um mecanismo de massificação de ensino de baixa qualidade por instituições que visam apenas o lucro. Segundo o Censo de Educação Superior, publicado em outubro, em uma década os cursos acadêmicos por EAD cresceram 700%, ficando hoje com dois terços dos ingressantes no Ensino Superior e formando 31% do total. Mas a qualidade é muito ruim: apenas 19% dos cursos privados e 34% dos públicos obtiveram notas 4 ou 5 nas avaliações do MEC. Na formação de novos professores, a situação fica dramática: na licenciatura e pedagogia, 65% dos formandos são por EAD. Na rede particular, 93,7% dos ingressantes desses cursos, onde a média de alunos em sala é de 171, estudam online. Cursos da área de saúde, os de áreas que exijam ir a campo como parte da formação, Pedagogia e licenciaturas jamais deveriam acontecer por EAD. Esses profissionais acabam sendo despejados no mercado com formações muito deficientes. A sociedade precisa parar de ver esses números como “democratização do ensino”, porque essas pessoas aprendem muito pouco, na prática apenas “comprando um diploma barato”. O ensino a distância pode ser realmente muito bom, se for bem implementado. Não deve ser usado apenas como um jeito de aumentar os lucros. Mas pelo jeito, esse mercado não está conseguido se autorregular. O governo faz bem em impedir que isso aumente, e agora deveria descredenciar os cursos caça-níqueis. Para entender melhor o que é preciso para o EAD ser implementado corretamente e os ganhos que ele traz, convido você a ouvir esse episódio. Depois conte nos comentários o que acha disso tudo.
09:05 04/12/2023
Robôs assassinos ou superprodutivos?
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Você deve ter ouvido sobre a recente confusão na OpenAI, a criadora do ChatGPT, que culminou na saída e na volta de seu CEO e fundador, Sam Altman. Mas você sabe como isso definirá a sua vida de agora em diante? Nessa quarta, o lançamento do ChatGPT completa seu primeiro aniversário. É bem pouco tempo para um produto que mudou a maneira como fazemos muitas coisas em nossas vidas. Isso se deu não por seus próprios recursos, mas por ter iniciado a corrida da inteligência artificial generativa, que invadiu todo tipo de ferramenta de produtividade. Por uma infame coincidência, a OpenAI quase deixou de existir na semana passada. Na sexta anterior, Altman foi sumariamente demitido, pegando o mundo da tecnologia –e aparentemente ele mesmo– de surpresa. A OpenAI só não desapareceu por uma cinematográfica sequência de eventos, que puseram Altman de volta na sua cadeira em apenas cinco dias. Isso já tornaria essa história incrível, mas pouco se sabe e menos ainda se fala dos elementos mais suculentos em seus bastidores. Afinal, o que faria o conselho de administração da OpenAI mandar embora a estrela mais brilhante do Vale do Silício no momento, em plena ascensão? A resposta é profundamente mais complexa que uma simples “quebra de confiança”, apresentada na justificativa. O real motivo são visões conflitantes sobre como o desenvolvimento da inteligência artificial deve continuar acontecendo. De um lado, temos uma maneira mais lenta e cuidadosa, até para se evitar que ela “saia do controle” e ameace a humanidade. Do outro, há os que defendam que isso aconteça de forma acelerada, criando freneticamente novos e fabulosos produtos com ela. De qual grupo você faz parte? E o que há por trás de tudo isso? E como isso definirá nossas vidas de agora em diante? É sobre isso que falo nesse meu episódio.
09:23 27/11/2023
Mordendo a mão que o alimenta
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Dá para vivermos só com o que aprendemos nas redes sociais? Um dos sinais da falência de uma sociedade é quando as pessoas deixam de acreditar nas instituições democráticas. Quando não se confia em nada ou em ninguém, perde-se a capacidade essencial de se buscar o bem comum com o outro. Por isso, pesquisas recentes do prestigioso instituto Pew Research Center, que demonstram a baixa confiança da população na imprensa, me impactam, mas não me surpreendem. E isso é um sintoma que deveria preocupar todo mundo. Segundo os levantamentos, apenas 38% dos americanos adultos se informam “o tempo todo ou quase o tempo todo”. Além disso, só 15% acreditam “muito” e 46% “um pouco” nos veículos jornalísticos nacionais. Em compensação, 14% buscam notícias no TikTok (32% entre os que têm de 18 a 29 anos), que ainda fica atrás do Instagram (16%), do YouTube (26%) e do Facebook (30%). O mesmo instituto já havia indicado que o aumento de informações nas redes sociais é inversamente proporcional a sua qualidade, e que o público que as utiliza como principal fonte de informação é menos engajado, informado e capaz de demonstrar bom discernimento, se comparado a quem se informa pela imprensa. Pelas minhas observações, arriscaria dizer que temos números semelhantes no Brasil. Só que todos perdem muto com esse divórcio entre a imprensa e seu público, e cada um tem seu papel e suas razões. Mas isso precisa ser revertido! As bolhas de pensamento único, que nos maltratam diariamente, impedem que vivamos em uma sociedade com cidadãos mais conscientes e capazes de se desenvolver. Como explicar essa perda de confiança crônica do público no jornalismo? Por que isso é perigosíssimo para a democracia? E quais caminhos existem para se resgatar a parceria fundamental entre ambos? É sobre isso que falo nesse episódio. E você, que caminhos sugere?
09:15 20/11/2023
A importância de saber dizer NÃO
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Ganha força a tese de que crianças e adolescentes fazem um uso excessivo de telas na escola e em casa, e que isso provoca grandes prejuízos ao seu desenvolvimento. Mas qual o papel de pais e de professores nisso? No dia 26 de julho, um relatório da Unesco destacou pela primeira vez o problema e como um quarto dos países já faz alguma restrição de celulares em sala de aula. Mas ainda se fala pouco sobre como professores sem autoridade e até coibidos por pais de alunos podem ser levados a contribuir com essa situação. Isso aparece no recém-lançado estudo “Educando na era digital”, da consultoria educacional OPEE. Ele indica que 97% dos educadores brasileiros concordam que há “uso excessivo de telas sem acompanhamento”, mas paradoxalmente apenas 9,7% deles acham que elas devem ser proibidas na sala de aula. O exagero digital dos jovens vai além da escola. Outra pesquisa, a TIC Kids Online Brasil, divulgada no dia 25 de outubro pelo Cetic.br (órgão de pesquisa ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil), indica que 95% dos brasileiros entre 9 e 17 anos estão online, e que isso acontece cada vez mais cedo: no ano passado, 24% tiveram seu primeiro acesso até os seis anos de idade; em 2015, eram 11% nessa faixa etária. Todos esses fatos estão interligados e se retroalimentam. Enquanto pais e educadores não resgatarem a consciência de sua autoridade para impor limites aos mais jovens, esse quadro tende a se agravar. É impensável negar o acesso à tecnologia digital no nosso mundo hiperconectado, mas é preciso ensinar crianças e adolescentes a usarem-na de maneira construtiva e responsável. E os adultos estão falhando nisso! Para entender melhor por que isso acontece, convido você a ouvir esse episódio. E depois conte para nós como é a relação de seus filhos (e as suas próprias) com as telas no cotidiano.
09:23 13/11/2023
"Black Mirror" invade nossas vidas
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Você gostaria de ter a sua disposição algumas das tecnologias de “Black Mirror”, que praticamente dão “superpoderes” a seus usuários, mesmo que isso possa lhes trazer algum risco? Se a reposta for positiva, prepare-se, pois a inteligência artificial pode fazer algo parecido àquilo se tornar realidade em breve, com tudo de bom e de ruim que oferece. A série britânica, disponível na Netflix, ficou famosa por mostrar uma realidade alternativa ou um futuro próximo com dispositivos tecnológicos incríveis, capazes de alterar profundamente a vida das pessoas. Mas, via de regra, algo dá errado na história, não pela tecnologia em si, mas pela desvirtuação de seu uso por alguns indivíduos. Os roteiros promovem reflexões importantes sobre as pessoas estarem preparadas para lidar com tanto poder. Com as novidades tecnológicas já lançadas ou prometidas para os próximos meses, os mesmos dilemas éticos começam a invadir nosso cotidiano, especialmente se (ou quando) as coisas saírem dos trilhos. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925 – 2017) era mesmo o filósofo de nosso tempo, com obras como “Modernidade Líquida”, “Amor Líquido” e “Vida Líquida” Não viveu para experimentar a IA ou dispositivos potencializados por ela, mas seu pensamento antecipou como tudo se tornaria descartável e efêmero na vida, nos relacionamentos, na segurança pessoal e coletiva, no consumo e no próprio sentido da existência. Nesse episódio, eu apresento alguns desses dispositivos e o que podem fazer. Mas diante de problemas inusitados (para dizer o mínimo) que começamos a enfrentar graças a eles, quem deve ser responsabilizado: os clientes, pelos seus usos inadequados, ou seus fabricantes, que não criaram mecanismos de segurança para conter isso?
08:56 06/11/2023
A explosão da pedofilia online no Brasil
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Duas pesquisas divulgadas no dia 25 demonstram uma explosão nos casos de pedofilia na Internet brasileira, ao mesmo tempo em que se observa um crescimento do uso da rede por crianças ainda na primeira infância. O problema gravíssimo dispara vários questionamentos sobre responsabilidades pelo seu crescimento e buscas por caminhos para a diminuição. A primeira delas, da Safernet, referência no combate a crimes digitais no país, aponta que novos casos de imagens de abuso e de exploração sexual infantil chegaram a 54.840 entre 1 de janeiro e 30 de setembro desse ano, frente a 29.809 no mesmo período do ano passado: um crescimento de 84%. Já a TIC Kids Brasil, levantamento feito pelo Cetic.br, ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, indica que as crianças estão ficando online cada vez mais cedo e por mais dispositivos. Dos brasileiros com até 6 anos de idade, 24% já haviam acessado a Internet nesse ano. Em 2015, primeiro ano da pesquisa, eram 11%. No dia anterior, 41 Estados e o Governo Federal americano iniciaram processos contra a Meta, dona do Facebook e do Instagram, alegando que essas plataformas prejudicam crianças com recursos “viciantes”. As ações representam o esforço mais significativo daquelas autoridades para controlar seus impactos na saúde mental de jovens. A coincidência de datas evidencia o tamanho do desafio para proteger crianças e adolescentes no meio digital. Assim como acontece com adultos, ele é uma fonte de valor inestimável para realização de atividades e para entretenimento. Porém os jovens são muito mais suscetíveis a abusos e ao desenvolvimento de dependência que os mais velhos, especialmente quando não recebem as devidas orientações. O que podemos fazer para proteger nossas crianças e adolescentes de predadores digitais? É sobre isso que falo nesse episódio. Qual o papel de pais e mães, assim como das plataformas digitais? E qual sua sugestão para melhorar esse quadro?
08:55 30/10/2023

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