Show cover of Ao Ponto (podcast do jornal O Globo)

Ao Ponto (podcast do jornal O Globo)

Aqui ninguém perde tempo, é direto ao ponto. O podcast do GLOBO, publicado de segunda a sexta-feira às 6h, aborda os principais temas do Brasil e do mundo, para que você compreenda tanto os desafios da economia e os trâmites da política, quanto as inovações tecnológicas e a efervescência cultural. É muito? Os jornalistas Carolina Morand e Roberto Maltchik, apresentadores do AO PONTO, encaram o desafio. A cada episódio eles recebem convidados para uma conversa sobre os acontecimentos mais relevantes do dia.

Músicas

Michel Temer e os desafios do próximo governo | E AGORA, BRASIL?
A quarta edição de 2022 do E AGORA, BRASIL? discutiu os desafios para o país aprovar as reformas necessárias na próxima gestão. O convidado foi o ex-presidente Michel Temer, em cujo governo foi aprovada a reforma trabalhista e desenhada a reforma da previdência, que passou no Congresso no primeiro ano do governo Bolsonaro. A mediação foi de Vera Magalhães, colunista do GLOBO, e de Fernando Exman, chefe da sucursal de Brasília do Valor Econômico. O E AGORA, BRASIL? é uma realização dos jornais O GLOBO e Valor Econômico, com patrocínio do Sistema Comércio através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações.
26:07 01/10/2022
Eleições 2022: o balanço do último debate do 1º turno
O último debate dos candidatos à Presidência no primeiro turno, realizado pela TV GLOBO, teve de tudo: pancadaria verbal entre Bolsonaro e Lula, que foi pressionado por todos os adversários no tema da corrupção; Simone Tebet com uma pegada propositiva; Ciro Gomes mirando nos líderes das pesquisas, especialmente o petista. E até um embate inusitado entre Soraya Thronicke e o Padre Kelmon. Padre Kelmon também tirou Lula do sério. Foram tantas as ofensas entre os candidatos, ao longo de três horas de debate, que houve 18 pedidos de direito de resposta, dos quais 10 foram atendidos. Mas o que vale mesmo é a percepção dos eleitores sobre as três horas de confronto direto, que pode ter sido decisivo para a definição do voto de quem chega à antevéspera da abertura das urnas sem ter feito sua escolha. No Ao Ponto desta sexta-feira, o editor-executivo Paulo Celso Pereira e o editor de Política, Thiago Prado, analisam o saldo desse embate decisivo e projetam o seu impacto nas urnas. Eles também avaliam os resultados da pesquisa Datafolha, divulgada horas antes do último encontro entre os presidenciáveis.
38:00 30/09/2022
Eleições 2022: como o debate impacta o eleitor indeciso?
O José Elinando da Silva tem 53 anos. Mora em Manaus e é soldador. Em 2018, trocou o PT pelo voto em Bolsonaro. Agora está indeciso e espera pelo debate desta quinta-feira na TV GLOBO, o último do primeiro turno, para bater o martelo. Mas ele não está sozinho. Na última pesquisa divulgada pelo Ipec, na segunda-feira, um grupo de 10% dos eleitores respondeu 'não sei" na pergunta espontânea, quando o nome dos candidatos a presidente não é apresentado, o menor percentual desde 1989. Esse segmento é formado, majoritariamente, por mulheres, com renda de até um salário mínimo e ensino fundamental. Nem todos, naturalmente, decidirão a partir do debate. Mas o evento pode ser ter impacto relevante para que se defina pela realização ou não do segundo turno, no dia 30 de outubro, considerando a estreita margem que separa o ex-presidente Lula de mais de 50% dos votos válidos. No Ao Ponto desta quinta-feira, o repórter Eduardo Graça, que acompanhou 10 indecisos ao longo de cinco meses, e a diretora do Instituto Ideia, Cristiana Brandão, contam o que os indecisos esperam dos candidatos no debate e como a apresentação de propostas e a troca de acusações são usualmente entendidas pelos eleitores que ainda não escolheram o candidato. Eles também analisam até que ponto o voto útil pode influenciar esse grupo.
26:19 29/09/2022
Eleições 2022: quais são as maiores preocupações do TSE?
Nos últimos meses, a Justiça Eleitoral se esforçou para demonstrar publicamente a confiabilidade do sistema eletrônico de votação. Na segunda-feira, esse trabalho foi referendado pelo presidente em exercício do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas. Segundo ele, “as urnas eletrônicas são auditáveis, confiáveis e transparentes”. Quatro etapas de auditoria técnica já foram concluídas, isso sem contar a checagem que ocorrerá no domingo. As campanhas receberam ainda convites para visitar, nesta quarta-feira, a sala de acompanhamento dos resultados. Só não se mexe mais no sistema de totalização, lacrado desde o início de setembro. Os acordos com as autoridades locais e internacionais também já foram firmados e falta muito pouco para que se diga que tudo está pronto para a disputa deste domingo. Resta, por exemplo, enviar as urnas aos locais de votação e ajustes finais para garantir a segurança dos eleitores e de todo mundo que trabalha na eleição, tema prioritário na Justiça Eleitoral às vésperas do primeiro turno. É a violência política está em evidência e desperta a atenção do presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, e também dos integrantes da Comissão de Transparência, criada pelo TSE, que se reuniu na segunda-feira. No Ao Ponto desta quarta-feira, a repórter Mariana Muniz, que acompanha os bastidores do TSE e o repórter Rafael Moraes Moura, da coluna da Malu Gaspar, contam como o risco de violência mobiliza a Corte e explicam o que tem sido discutido para garantir uma eleição segura. Eles também explicam de que forma está sendo feita a auditoria do sistema de votação.
26:15 28/09/2022
A extrema-direita no poder na Itália
Com a vitória nas urnas assegurada, Giorgia Meloni adotou um discurso de conciliação. Ela defendeu um governo que "fortaleça o que une os italianos, não o que os divide". Mas a grande vitoriosa das eleições legislativas da Itália, a terceira maior economia da Europa, representa uma força que, por décadas, provoca discórdia no país e na Europa. Sua origem é o neofascismo. Até hoje, a provável primeira mulher a assumir o poder italiano se recusa a condenar os crimes do ditador Benito Mussolini. Mesmo assim, sua coalizão recebeu quase 44% dos votos na Câmara e o mesmo índice, no Senado. Por seu histórico, a chegada no novo governo, que deve ser formado dentro de algumas semanas, é marcada por incertezas. Meloni já rejeitou a União Europeia. Agora, suavizou seu euroceticismo, mas segue crítica, por exemplo, à política de imigração, e governará ao lado de Silvio Berlusconi e Mateo Salvini, que fazem coro à política de linha dura à entrada de imigrantes pelo Mar Mediterrâneo. Com o lema "Deus, pátria e família", ela também pode se aliar à Hungria em políticas para suprimir direitos da população LGBTI ou mesmo o direito ao aborto, consagrado na Itália desde 1978. No Ao Ponto desta terça-feira, o jornalista Lucas Ferraz, que retornou ao Brasil no final de agosto, após quase cinco anos acompanhando o dia a dia da política italiana, analisa o que se pode esperar do governo de extrema-direita na Itália e como Meloni chegou ao poder justamente após a derrota de um partido que se apresentava como antissistema, o Movimento Cinco Estrelas. Ferraz também avalia como o novo governo da Itália pode atuar frente à invasão da Ucrânia pela Rússia e quais são as bandeiras da nova líder que deixam os europeus em alerta.
25:17 27/09/2022
Por que a educação é chave na transição energética?
Em algum dia, o petróleo dará lugar a outras fontes renováveis. Esse é o desejo dos principais líderes globais, reconhecido pela indústria e sustentado pelos estudos científicos que demonstram a urgência de um novo modelo de geração e consumo de energia para frear o ritmo do aquecimento global. Muitas alternativas são estudadas e algumas iniciativas já estão em curso, no mundo e no Brasil. A lista vai desde o aumento da eficiência para o uso de fontes de energia fóssil até a expansão e uso em escala do chamado Hidrogênio Verde. Mas para o avanço dessa transição é preciso de mais investimento, planejamento, estímulo à pesquisa e geração de conhecimento, com fortalecimento do sistema educacional, antes mesmo do ensino superior. No Ao Ponto desta segunda-feira, a professora Suzana Kahn, vice-diretora da Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e vice-presidente do Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, explica em que medida as tecnologias precisam evoluir para a concretização da transição energética. E explica como a educação, seja no ensino básico ou na universidade, é determinante para que o Brasil seja protagonista dessa transformação.
24:32 26/09/2022
A reação à ameaça nuclear da Rússia
Há medo e desespero da Rússia, bem longe do campo de batalha. Em São Petesburgo, a cerca de 400 quilômetros da fronteira com a Finlândia, por exemplo, centenas de pessoas enfrentam o risco de prisão para protestar contra a guerra. Os russos também procuram rotas de fuga com medo de serem levados para o front, após a convocação de 300 mil reservistas para reforçar as tropas lideradas por Vladimir Putin, que perdem terrenos após meses de invasão da Ucrânia. É a chamada mobilização parcial. Mas o reforço dos reservistas mal treinados foi apenas uma das respostas do Kremlin à retomada de territórios ao Leste pelo governo ucraniano. A outra veio em forma de ameaça nuclear. Primeiro, do próprio Putin, que garantiu "não estar blefando". E depois, em tom ainda mais duro, do ex-presidente Dimitri Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia. Medvedev afirmou que a Rússia poderá usar armas nucleares para proteger os territórios conquistados ao Leste do país presidido por Volodymyr Zelensky. Novamente, os Estados Unidos, o Conselho de Segurança da ONU e a Otan reagiram. Mas, afinal, qual é o risco de Putin efetivamente lançar mão de armamentos nucleares para evitar a derrota na Ucrânia? No Ao Ponto desta sexta-feira, o repórter Filipe Barini e o especialista em segurança internacional e professor da ESPM Gunther Rudzit explicam os desdobramentos das novas ações de Moscou. Eles também analisam a disposição da Ucrânia de retomar as áreas que podem ser anexadas pela Rússia e em que medida Putin corre o risco de ficar isolado, inclusive dentro de seu país.
27:09 23/09/2022
Eleições 2022: o voto útil e a dúvida sobre o 2º turno
De um lado, o presidente Jair Bolsonaro foi à tribuna da ONU em Nova York e à sacada do hotel em Londres, no funeral da rainha Elizabeth II, para fazer campanha contra o PT. Do outro, Lula partiu para o ataque mais duro na campanha de TV contra o seu principal adversário. Enquanto isso, Ciro, com sua metralhadora giratória, na TV ou nas redes sociais, tenta tirar votos dos dois e luta contra o chamado voto útil, que passou a ser a principal aposta do petista para vencer no primeiro turno. Para evitar o segundo turno, Lula busca formar uma ampla aliança. Desde quarta-feira, por exemplo, conta com o apoio inusitado do jurista Miguel Reali Junior, um dos autores do pedido de impeachment contra Dilma Rousseff. E Bolsonaro não consegue até agora diminuir sua rejeição no conjunto do eleitorado, que, segundo o Ipec, segue em 50%, contra 33% do petista. No Ao Ponto especial de eleições desta quinta-feira, o editor-executivo Paulo Celso Pereira e o editor de Política, Thiago Prado, analisam como esses elementos compõem o quadro da disputa presidencial a 11 dias da votação. Eles também avaliam o cenário em Rio, com crescimento de Marcelo Freixo (PSB), e em São Paulo, onde o governador Rodrigo Garcia (PSDB) trava uma disputa contra Tarcísio de Freitas (Republicanos) por uma vaga no segundo turno. Eles também comentam a polêmica racial que envolve o líder das pesquisas na Bahia, o ex-prefeito ACM Neto, que vê com preocupação o crescimento do petista Jerônimo Rodrigues na reta final da campanha.
36:49 22/09/2022
O que Lula sinaliza ao mercado e ao agronegócio?
Na segunda-feira, a bolsa subiu, o dólar caiu e o setor financeiro sinalizou otimismo com a declaração pública de apoio de Henrique Meirelles à candidatura do ex-presidente Lula, que lidera as pesquisas. O ex-presidente do Banco Central tem credibilidade no mercado e um discurso forte em defesa da estabilidade fiscal e do teto de gastos. Ele acredita que é possível manter investimentos sociais sem furar o teto, com uma robusta reforma administrativa, combinada ao fim de benefícios fiscais indevidos. Mas o PT não fala exatamente a mesma língua de Meirelles. A campanha petista ainda não apresentou um programa detalhado de governo, que estava prometido para agosto. Muito menos indica quem será o novo ministro da Economia, caso Lula seja eleito. O ex-presidente também não explicou em profundidade como pretende manter o Auxílio Brasil de R$ 600 e reajustar o salário mínimo acima da inflação sem aumentar o desequilíbrio fiscal. Nessa reta final de campanha, em que o PT tenta agregar votos para vencer ainda no primeiro turno, o ex-presidente ainda busca atrair alguns eleitores do agronegócio, setor majoritariamente ligado a Jair Bolsonaro. Mas seus compromissos com esse segmento também carecem de mais detalhes e podem entrar em conflito com a palavra dada por Lula a ex-ministra Marina Silva, com quem se comprometeu com uma aliança programática. No Ao Ponto desta quarta-feira, os repórteres Sérgio Roxo, da sucursal de São Paulo, e Jeniffer Gularte, da sucursal de Brasília, explicam em que medida a campanha petista sinaliza publicamente adesão às ideias de Henrique Meirelles na economia e por que Lula resiste em detalhar suas propostas. Eles também contam o que o ex-presidente tem indicado aos setores do agronegócio com os quais conseguiu abrir diálogo.
26:28 21/09/2022
Por que o voto evangélico é tão cobiçado?
No início dos anos de 1990, o IBGE contabilizava 9% de evangélicos no Brasil. Àquela altura, eram cerca de 30 mil igrejas com CNPJ cadastrado. Mas, de lá para cá, essa população cresceu como nenhuma outra no país. Os evangélicos superam um quinto do total de brasileiros. O número de igrejas registradas saltou para mais de 178 mil, segundo um levantamento inédito obtido pelo GLOBO junto à organização Brasil.io e que faz parte da série de reportagens "Salto Evangélico", publicada desde o último domingo. Essa explosão demográfica alcança também a política. Desde 2002, a bancada evangélica aumentou mais de 60%. Só nas eleições de 2018, o bloco elegeu 92 parlamentares. Este ano, o número de candidaturas religiosas cresceu 11% e os candidatos que se dizem pastores é 19% maior na comparação com a última disputa. Esse fenômeno, naturalmente, faz com que o voto dos fiéis seja disputado por todos os presidenciáveis, especialmente Lula e Bolsonaro. O presidente, no entanto, conta com o apoio de importantes líderes desse segmento, que servem como cabos eleitorais, fora e dentro dos cultos. Uma prática que não agrada a todos os fiéis, de acordo com o antropólogo Juliano Spyer, autor do livro "Povo de Deus - Quem são os evangélicos e por que eles importam". No Ao Ponto desta terça-feira, o repórter Bernardo Mello, que trabalhou com outros colegas de Brasília, São Paulo e Rio nessa série especial, e o editor de Política, Thiago Prado, explicam de que forma a política acompanha a evolução da população evangélica no Brasil e qual é o limite da atuação dos líderes religiosos. Eles também analisam as diferenças entre as manifestações dos pastores e a opinião dos fiéis.
27:23 20/09/2022
Farmácia Popular: a ponta do iceberg da penúria na saúde
Há bastante tempo, os recursos destinados para o programa Farmácia Popular estão em queda. Nos últimos cinco anos, o orçamento foi reduzido em mais de 20%. Porém, em 2023, a situação do programa que distribui remédios gratuitos ou com descontos para pacientes de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e asma, pode ficar ainda pior. O projeto de orçamento, encaminhado ao Congresso pelo governo, retirou 60% do total de recursos destinados ao programa. Depois que o corte foi revelado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o presidente Jair Bolsonaro enviará uma mensagem para o Congresso recompondo os recursos do programa. Quando? Segundo ele, logo depois das eleições. Ocorre que o Farmácia Popular não foi o único que sofreu cortes. Toda a verba de investimentos do Ministério da Saúde teve uma previsão de queda de 29%, o que afeta, por exemplo, o programa de vacinação, que enfrenta enormes desafios com a queda da cobertura vacinal para doenças erradicadas, como a poliomielite. No Ao Ponto desta segunda-feira, a professora Lígia Bahia, especialista de financiamento do SUS e doutora em Saúde Pública pela Fiocruz, explica a dimensão dos cortes no orçamento do Farmácia Popular e por que a falta de dinheiro deste programa representa apenas um pedaço dos problemas no caixa da Saúde. Ela também avalia de que forma o orçamento secreto ajuda a comprometer os recursos para o setor e como as falhas de gestão prejudicam discussões importantes, como a adoção do piso dos profissionais de enfermagem.
27:50 19/09/2022
Como o extremismo silencia os eleitores?
Os episódios de violência ou de incitação à violência nas eleições deste ano são notórios e cada vez mais numerosos. Se até pouco tempo estavam associados a rixas entre grupos políticos, às vezes motivadas por disputas de poder local, agora avança na mesa do bar e até dentro de igrejas. Facas e armas de fogo, cada vez mais em circulação, fazem parte do roteiro das tragédias. E o efeito disso se vê na rua: muita gente passou a evitar - e até temer - falar sobre o próprio voto. O advogado Agassiz Almeida, que milita na esquerda, reconheceu que "se o cenário fosse outro, naturalmente, o envolvimento, a vibração política e o entusiasmo seriam mais intensos". Mas o temor de ser agredido por expor o voto extrapola o campo político da esquerda, que, segundo o Ipec, é representado por 26% do eleitorado. O levantamento "Violência e Democracia: panorama brasileiro pré-eleições de 2022", pesquisa inédita da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que 67,5% dos entrevistados afirmam ter medo de agressão física em razão de sua escolha política ou partidária. E 3,2% desses entrevistados afirmaram que já foram ameaçados de alguma maneira. No Ao Ponto desta sexta-feira, o presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o sociólogo Renato Sérgio de Lima, analisa se esse temor é, de fato, justificado e quais são as chances de o medo e a violência prosseguirem mesmo depois da eleição. O sociólogo também avalia o papel da Justiça e do Ministério Público para combater o fenômeno.
28:35 16/09/2022
Como a fome atinge as crianças do Brasil?
A Michele Cruz tem 36 anos. Dois filhos, Já tem netos e dá abrigo a sobrinhos em um prédio ocupado no Centro do Rio. Ao todo, são sete sob o mesmo teto. Na terça-feira, a comida foi angu com feijão. Na quarta-feira, o cardápio do almoço foi aipim com ovo, mas não havia comida para o jantar, nem para esta quinta-feira, quando ela conversou com o Ao Ponto no começo da tarde. São dezenas de milhões de brasileiros que sobrevivem em situação parecida. Três de cada dez famílias enfrentaram nos últimos meses a fome ou correram risco de passar fome por falta de dinheiro. O nome técnico disso é insegurança alimentar grave ou moderada. Os dados foram coletados pela Rede Penssan, formada por entidades da sociedade civil que estudam o impacto da fome no Brasil. E no retrato da insegurança alimentar, as crianças são as mais atingidas. Em 37,8% dos lares com pessoas de até dez anos de idade, a pesquisa verificou fome ou redução de quantidade e qualidade de alimentos. No Ao Ponto desta quinta-feira, a repórter Cássia Almeida explica como os números da insegurança alimentar são calculados. Ela também analisa de que forma as crianças são as mais impactadas e por que famílias que recebem o Auxílio Brasil de R$ 600, como a da Michele, também correm o risco de não ter o que comer.
24:01 15/09/2022
Eleições 2022: o pós 7/9, o efeito Marina e a disputa nos estados
A campanha eleitoral tem uma máxima: o importante é analisar como o filme se desenrola, não apenas a fotografia do momento. Mas é inegável que o retrato da antepenúltima semana antes do primeiro turno favorece o ex-presidente Lula. Ele se mantém estável à frente de Jair Bolsonaro e, agora, aposta em acordos, como o selado com a ex-ministra Marina Silva, para tentar vencer já no próximo dia dois de outubro. O presidente Jair Bolsonaro trabalha para recuperar parte do voto das mulheres. Estimula a presença da primeira-dama Michele em eventos de campanha, como os grandes comícios de 7 de setembro. No entanto, as últimas pesquisas, feitas depois do Dia da Independência, não registraram mudanças capazes de animar a equipe da campanha. No Ao Ponto especial de eleições desta quarta-feira, o editor-executivo Paulo Celso Pereira e o editor de Política, Thiago Prado, analisam o que Lula e Bolsonaro ainda podem fazer, faltando 18 dias para o primeiro turno. E avaliam por qual razão o presidente segue em desvantagem em relação ao petista na corrida contra a rejeição. Os jornalistas também avaliam como estão as disputas nos maiores colégios eleitorais do país.
36:15 14/09/2022
O retrato da inadimplência recorde no Brasil
De acordo com a Serasa, mais de 68 milhões de brasileiros estavam com alguma conta ou prestação atrasada no final de julho. Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgou os números de agosto, que apontam que um em cada três brasileiros atrasaram o pagamento de dívidas ou de contas, como luz e telefone. É o pior índice desde que esse indicar foi criado, em 2010, com crescimento de seis pontos em 12 meses. Com um agravante: os juros, que alcançam 370% no cartão de crédito, devem seguir altos, tornando-se fator determinante de dificuldade para o pagamento de dívidas. No atual cenário, a elevação da inadimplência tem se concentrado nos carnês de lojas do varejo. Mas, os dados da CNC apontam que a incapacidade de honrar as contas se dissemina em todos os setores e nas diferentes faixas de renda. As empresas, especialmente no setor de serviços, também enfrentam dificuldades e sofrem com a instabilidade dos preços. E agora atuam para renegociar com fornecedores. No primeiro semestre, de acordo com a SERASA Experian, eram mais de seis milhões de negócios no vermelho. No Ao Ponto desta terça-feira, o repórter de Economia Bruno Rosa explica quais são os principais fatores que levam a esse nível de inadimplência e como os especialistas analisam o atual retrato. Ele também conta qual é a melhor escolha na hora de quitar dívidas e como as empresas têm atuado para renegociar com bancos e fornecedores.
26:12 13/09/2022
O sucateamento da proteção à Amazônia
Nos últimos dias, os moradores de São Paulo e de outras cidades nas regiões Sul e Sudeste foram surpreendidos por camadas de fumaça no céu e pelo cheiro de queimado no ar. Números oficiais, produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ajudam a explicar esse fenômeno. O número de queimadas na Amazônia apenas nos primeiros sete dias deste mês supera a quantidade de focos de incêndio registrada ao longo de todo o mês de setembro de 2021. Foram mais de 18 mil e 300 registros, em uma semana. Como normalmente a Amazônia leva umidade para o Sul, agora leva também o resultado das queimadas em volume recorde. A prática ilícita aumenta em um contexto no qual já atingiu níveis inéditos nos anos anteriores. E o mesmo acontece com o desmatamento. Apesar disso, os recursos efetivamente aplicados em prevenção e fiscalização das atividades ilegais ficam muito aquém do desejado. E bem abaixo do que o próprio governo reservou para essas atividades. Até dia 5 de setembro, por exemplo, o governo utilizou apenas 37% do total previsto para atividades de prevenção e controle de queimadas. E outros números também dão conta do sucateamento desse sistema: os autos de infração para coibir crimes ambientais atingiram o menor patamar em 17 anos. No Ao Ponto desta segunda-feira, a ex-presidente do Ibama e especialista sênior do Observatório do Clima Suely Araújo descreve o retrato do sucateamento do sistema de proteção da Amazônia e explica como as restrições orçamentárias ajudam a entender o aumento da devastação. Ela também descreve o estado de desânimo dos servidores envolvidos nas atividades de comando e controle e avalia até que ponto coibir o crime na Amazônia, agora, se tornou muito mais difícil.
24:51 12/09/2022
Elizabeth II, uma rainha maior que a própria Coroa
O anúncio oficial pela rede britânica BBC da morte "em paz" da rainha Elizabeth II, na tarde de quinta-feira, em Balmoral, na Escócia, foi sóbrio. Acabou por servir de homenagem à personalidade da monarca, que partiu aos 96 anos. Ela falava pouco, fazia muito e era amada no Reino Unido e também em boa parte do mundo. O reinado mais longo da Coroa britânica, e um dos mais longevos da História, durou 70 anos. Na infância, Elizabeth não pensava em ser rainha, mas, rapidamente, após uma sucessão de mortes e desistências, tornou-se, em 1936, a primeira na linha sucessória. Ali, percebeu que o dever seria uma missão. E se preparou para abdicar do sonho de uma vida no campo, cercada por cavalos e cachorros, para comandar o império. Elizabeth se casou com príncipe Philip, dois anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Com ele, atravessou todos os principais eventos históricos até abril de 2021, data da morte de seu companheiro de vida, aos 99 anos. Enfrentou a Guerra Fria e a transição do império para a Comunidade Britânica das Nações, consolidada em 1997. Liderou grandes comemorações, como o Jubileu de Ouro, em 2002, quando completou 50 anos de reinado. E teve que lidar com um dos momentos mais duros de sua vida particular: a separação entre agora Rei Charles III e a princesa Diana, em 1992, e as reações à sua postura, considerada fria, diante da trágica morte de Diana, cinco anos mais tarde. No Ao Ponto desta sexta-feira, de Londres, a jornalista Cláudia Sarmento conta de que forma Elizabeth conseguiu ter mais prestígio que a própria Coroa britânica e analisa como ela influenciou o Reino Unido e o mundo ao longo dos últimos 70 anos. A jornalista também avalia o que se pode esperar do reinado de Charles III, o novo rei da Inglaterra.
27:46 09/09/2022
Qual foi o saldo dos comícios de 7 de Setembro?
De comemoração do bicentenário da Independência, o 7 de Setembro teve muito pouco. O que se viu e ouviu, especialmente na orla de Copacabana, foi a massa de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro embalada pela Esquadrilha da Fumaça, pelos paraquedistas da Força Aérea Brasileira (FAB) e pelos tiros de canhão que partiam, de hora em hora, do Forte de Copacabana. Em Brasília, o tradicional desfile militar, sem a presença dos presidentes de Câmara, Senado e Supremo Tribunal Federal (STF), também serviu de esquenta para o discurso eleitoral, repetido numa versão mais longa no Rio de Janeiro. Houve cuidado para que nenhuma fala fosse caracterizada como golpista, mas isso não evitou insinuações e a exortação para "extirpar" os adversários da esquerda, além de faixas e cartazes contra o STF e a pregação às armas entre os militantes, uma das principais bandeiras do presidente. No Ao Ponto desta quinta-feira, o colunista Thomas Traumann avalia o saldo dos comícios de 7 de setembro para Bolsonaro e até que ponto ele misturou a festa cívico-militar com o comício eleitoral. O colunista também analisa como os atos de 7 de setembro devem influenciar próximas e decisivas semanas de campanha.
28:08 08/09/2022
O risco das armas no 7 de Setembro e nas eleições
No papel, ninguém tem dúvidas. O dia deveria ser festivo. O Brasil comemora nesta quarta-feira o bicentenário da Independência. Acontece que, há um ano, essa data se tornou motivo de apreensão, após as manifestações de teor golpista, com ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF), lideradas pelo presidente Jair Bolsonaro. Esse ano, em que o 7 de Setembro ocorre no calor da disputa presidencial, a história não muda muito. Bolsonaro tem estimulado sua militância mais radicalizada. Na segunda-feira (5), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) chegou a convocar donos e frequentadores de clubes de tiro a se tornarem voluntários da campanha à reeleição. A maior fabricante de armas do Brasil também resolveu lançar uma coleção exclusiva em alusão ao 7 de setembro. Esse contexto, no qual a campanha eleitoral se insere, provocou reações da Justiça. Em uma frente, o TSE proibiu a posse de armas em locais de votação. Em outra, no STF, o ministro Edson Fachin suspendeu trechos de decretos do presidente que ampliaram a circulação de armas no país. E, na decisão, afirmou: "Tenho que o início da campanha eleitoral exaspera o risco de violência política". No Ao Ponto desta quarta-feira, a advogada Juliana Vieira dos Santos, doutora em direito de estado pela USP e coordenadora jurídica da Rede Liberdade, que atua em casos de interesse público, analisa a efetividade da decisão de Fachin e até que ponto a ampliação do número de armas em circulação favorece clima de apreensão. Ela também analisa em que medida a convocação dos CACs por Eduardo Bolsonaro envia uma mensagem ambígua aos atiradores aliados do presidente.
27:20 07/09/2022
O enorme obstáculo diante de Liz Truss, a nova líder britânica
Nesta terça-feira, a deputada Liz Truss viaja para a Escócia. Será longe do Palácio de Buckingham que a rainha Elizabeth II oficializará a nomeação dela para assumir o governo britânico, após os sucessivos escândalos que levaram à renúncia de Boris Johnson. Na véspera, assim que os resultados da disputa dentro do Partido Conservador, na qual venceu Rishi Sunak, foram divulgados, a parlamentar recebeu os cumprimentos de chefes de outras nações. E um presente amargo do russo Vladimir Putin: a Rússia condicionou a normalização do fornecimento de gás para a Europa à retirada das sanções econômicas impostas após a invasão da Ucrânia. A nova primeira-ministra britânica é justamente uma das maiores defensoras dessas medidas. Além da ameaça das restrições de acesso ao gás russo durante o rigoroso inverno, a conservadora precisa gerenciar os problemas do presente. O Reino Unido já vive uma crise de energia. Há greves disseminadas em vários setores e a inflação está muito além do esperado. No Ao Ponto desta terça-feira, a jornalista Vivian Oswald, radicada em Londres e que acompanha de perto o início do mandato da sucessora de Boris Johnson, analisa o quanto a conservadora conseguirá manter o discurso inflamado contra Moscou e como ela pretende contornar a crise na economia britânica, sem precedentes nas últimas décadas. Vivian Oswald também explica por qual razão Liz Truss desperta desconfiança entre outros líderes europeus, como o francês Emmanuel Macron e avalia o futuro político de Boris Johnson.
25:09 06/09/2022
Por que Portugal quer acelerar concessão de vistos?
Na semana passada, o Conselho de Ministros de Portugal aprovou as regras para a entrada em vigor do Acordo de Mobilidade entre os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que inclui o Brasil e nações africanas. O objetivo é agilizar a concessão de vistos e eliminar exigências como comprovação de meios de subsistência, seguro de viagem e apresentação de passagem de volta ao país de origem. No mesmo dia, em viagem a Moçambique, o primeiro-ministro português, António Costa, prometeu que os pedidos de vistos para cidadãos da CPLP seriam imediatamente concedidos. Portugal tem um déficit estimado de aproximadamente 50 mil trabalhadores. Apesar da pressa dos empresários portugueses, na prática quem precisa de um visto ou tenta obter cidadania portuguesa e outros serviços consulares tem enfrentado muitas dificuldades. A espera pode levar meses, até mesmo para quem já mora em Portugal.
27:31 05/09/2022
O que é importante nos dados sobre o PIB?
A quinta-feira foi marcada por revisões de contas no mercado financeiro. O banco de investimentos Goldman Sachs, que até essa semana projetava um crescimento de 2,2% na economia brasileira em 2022, agora fala em alta de 2,9%. O Itaú Unibanco revisou para 2,5%. É o resultado direto dos números do Produto Interno Bruto, apresentados horas antes pelo IBGE, que revelaram um crescimento de 1,2% da atividade econômica no segundo trimestre deste ano, que foi acima da expectativa. O crescimento se deu em todos os setores, como serviços. O consumo das famílias cresceu. E uma série de medidas anunciadas pelo governo no período pré-eleitoral ajudam a entender esse dado. A liberação da parcela de R$ 1 mil do FGTS a todos os trabalhadores é uma delas. A expansão do crédito é outra. Mas a lista de boas notícias da economia não para por aí. A inflação está em queda, puxada pela queda dos preços dos combustíveis, que está associada à redução de impostos e à queda do preço internacional do barril de petróleo. Mas a inflação dos alimentos ainda preocupa. Da mesma forma que os parcos investimentos públicos e o descolamento entre o crescimento da economia e da renda média do trabalhador. No Ao Ponto desta sexta-feira, o repórter de Economia Manoel Ventura conta quais são os destaques do PIB do segundo trimestre e avalia como os estímulos pré-eleitorais influenciaram esse número. O jornalista também analisa em que medida esse crescimento é sustentável para 2023.
24:02 02/09/2022
Rock in Rio: o que tem de melhor no festival deste ano?
Em 1991, o show do Guns´N Roses foi histórico. De tão marcante, o "Guns" agora faz parte da família Rock In Rio. A banda pede, a organização marca e os fãs vão à loucura, mesmo que, 31 anos depois, a voz de Axl Rose já não seja mais a mesma. Foi assim em 2019. Será de novo este ano. A festa começa nesta sexta-feira. E quem dá a largada é o metal, com mais gente da família, como os ingleses do Iron Maiden, atração principal pelo Palco Mundo. Em sete dias de eventos, serão 300 shows, com mais de mil e 200 artistas, dos mais diferentes gêneros musicais. De Djavan a Cold Play. De Ludmilla a estrela pop Dua Lipa. De Capital Inicial a Green Day. Também há espaço pra muito mais, como o ídolo americano da nova geração Post Malone e o DJ Alok. A Cidade do Rock está com 385 mil metros quadrados de atrações, com duas montanhas-russas, a roda gigante, a tirolesa e espaços dos mais variados, como um reservado só para a galera dos games. A dica é chegar cedo pra aproveitar os shows e a diversão. No Ao Ponto desta quinta-feira, o jornalista Bernardo Araújo, craque em Rock In Rio e que participa da grande cobertura que o GLOBO fará ao longo de todo o festival, conta quais são as principais atrações e as novidades. Ele também explica como o Rock In Rio se torna, cada vez mais, um evento diversificado e dá as principais orientações para aproveitar bem cada minuto na Cidade do Rock.
25:41 01/09/2022
Eleições 2022: o debate, as pesquisas e a campanha na TV
Uma pesquisa Ipec que refletiu a força da polarização, com Lula (PT) estabilizado em 44% das intenções de voto, e Bolsonaro (PL) pontuando os mesmos 32% do último levantamento. Um debate na Band, com clima quente nos bastidores, no qual o presidente e o ex-presidente saíram no prejuízo. E uma propaganda em rádio e TV que começa sem artilharia pesada, pelo menos, por enquanto. A segunda semana de campanha presidencial já revela as dificuldades dos líderes nas intenções de votos para enfrentar seus pontos fracos. O que levanta perguntas: a eleição se encaminha para a definição em primeiro ou segundo turno? E qual é o papel de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) para que essa resposta seja dada? No Ao Ponto desta quarta-feira, que marca a segunda semana de campanha, o editor-executivo Paulo Celso Pereira e o editor de Política, Thiago Prado, passam por esses temas e analisam também o que se pode esperar dos atos, com a presença de Bolsonaro, daqui a uma semana, em Brasília e Rio de Janeiro, que marcarão o feriado de Sete de Setembro.
32:32 31/08/2022
Como as guerras culturais invadiram o debate político?
Inspirados na ideia de despachos de guerra, trazida pelo sociólogo americano James Hunter, o primeiro autor que identifica e nomeia as guerras culturais, o filósofo Pablo Ortellado, professor da USP e colunista do GLOBO, e a repórter Elisa Martins foram para a batalha. Sua missão? Desvendar as origens e investigar a fundo o enredo de disputas politizadas sobre temas morais que tomam cada vez mais espaço na sociedade e até nas eleições. No Brasil e no mundo. E eles descobriram que foi percorrido um longo caminho entre a semente das guerras e os choques culturais dos dias de hoje. Detalharam como termos e movimentos, que dão origem a ações e reações, como "ideologia de gênero", "escola sem partido" e "marxismo cultural", são forjados por grupos que se organizam, ainda que de forma pontual, para estabelecer diferenças entre visões de mundo. E usá-las como instrumento de disputa política. Esse trabalho detalhado, tocado ao longo dos últimos meses, deu origem à série "Guerras culturais: uma batalha pela alma do Brasil", lançado na segunda-feira pela Globoplay e produzido pelo GLOBO. Serão sete episódios. Nesta terça-feira, eles mergulharam no universo da suposta ideologia de gênero. Na quarta, o tema é o marxismo cultural. No Ao Ponto desta terça-feira, o Pablo Ortellado e a Elisa Martins explicam o que, afinal, são as guerras culturais; o papel da religião nesse debate e contam um pouco dos temas dos próximos episódios.
25:25 30/08/2022
Ciberataques: a guerra travada nos serviços públicos
Nos últimos dias, os moradores da cidade do Rio de Janeiro, especialmente quem precisa acessar os sistemas on-line da prefeitura, foram prejudicados pela interrupção de diferentes serviços ao cidadão. Desde a emissão de nota fiscal até a inclusão de exames no sistema de regulação dos procedimentos feitos pelo SUS. Foi, como disse o prefeito Eduardo Paes, o resultado de um ataque hacker. Ações criminosas cada vez mais comuns, como a que afetou diferentes órgãos federais no ano passado e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2020. Na iniciativa privada, instituições financeiras, redes varejistas e grandes fornecedores de serviços tecnológicos também tentam evitar os danos provocados pelos ataques. Os investimentos em proteção na iniciativa privada são bilionários, sendo que a previsão é que, até o final do ano, os gastos sejam 82% superiores aos de 2021. Os órgãos públicos também trabalham para minimizar prejuízos, com diferentes camadas de proteção. Mas até que ponto essas instituições estão preparadas? E mais: se evitar os ataques já é desafiador, punir os criminosos é ainda mais. No Ao Ponto desta segunda-feira, o cientista de computação Emílio Nakamura, diretor-adjunto de Segurança Cibernética da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, entidade responsável pela infraestrutura de internet do Brasil, analisa os desafios de segurança cibernética dos órgãos públicos e também explica como funcionam os sistemas de proteção de dados sensíveis, como os guardados pela Justiça Eleitoral.
22:29 29/08/2022
Médicos e indústria: como dar transparência a essa relação?
Nos Estados Unidos, a proximidade entre médicos e a indústria de medicamentos ou de outros produtos terapêuticos é debatida há bastante tempo. Lá, desde 2010, existe o chamado Sunshine Act, que, como o próprio nome diz, joga luz sobre a relação financeira entre entidades, empresas e os profissionais de saúde. Aqui, essa discussão caminha mais devagar. Porém, o Ministério da Saúde é pressionando e já tem pronto o rascunho de uma proposta para regulamentar o tema. A última versão da proposta cria uma espécie de portal da transparência, no qual seriam apresentadas informações de pagamentos ou benefícios a partir de R$ 20 mil. Ainda estabelece punições quando o incentivo financeiro estiver associado à prescrição de um produto. O próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reconheceu, em entrevista ao site Metrópoles, que há muitos conflitos de interesse nessa relação. No Ao Ponto desta sexta-feira, o repórter Daniel Gullino, da sucursal de Brasília, conta os detalhes da proposta e diz o que pensam as entidades ligadas à indústria e à classe médica. O advogado Silvio Guidi, autor do livro Serviços Públicos de Saúde e ex-membro do Fórum de Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), analisa até que ponto essa regulamentação poderá coibir os conflitos de interesse.
25:23 26/08/2022
O futuro da guerra da Ucrânia, meio ano depois
Na quarta-feira, foi feriado na Ucrânia. Dia da independência do país, que se desgarrou da União Soviética em 1991. Mas, esse ano, não teve espaço para comemoração. Além das sirenes, a bandeira azul e amarela sobrevoou o centro de Kiev puxada por drones. A parada militar foi formada por tanques russos destruídos em seis meses de guerra. E a festa deu lugar a mais um bombardeiro: pelo menos 22 pessoas morrem em um ataque com míssil a uma estação de trem no centro da Ucrânia, denunciado imediatamente pelo presidente Volodymyr Zelensky, que trocou a palavra "paz" por "vitória" em seu discurso à nação, que marca a independência e também os seis meses de invasão russa. A Rússia já controla cerca de 20% do território ucraniano. As mortes se contam aos milhares, mas não há dados precisos sobre baixas entre militares e civis ucranianos ou de soldados russos. O certo é que essa é uma história de sangue e destruição, no mais grave conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Os bombardeios ocorrem até mesmo a área da maior usina nuclear do continente. E os efeitos do conflito se fazem presentes em todo o mundo. Com as sanções impostas à Rússia por Europa e Estados Unidos, os preços globais de alimentos e de derivados de petróleo foram às alturas. E o suprimento de gás para os vizinhos da Ucrânia, que cedem armas, dinheiro e apoio político pra Kiev, passou a ser uma ameaça constante. No Ao Ponto desta quinta-feira, o professor de ESPM e especialista em segurança internacional Gunther Rudzit explica por que não há nada que indique o fim da guerra e analisa os principais riscos nucleares no atual estágio do conflito. Ele também avalia o papel da China e a capacidade da Europa se manter unida contra a ação liderada por Vladimir Putin.
26:41 25/08/2022
Eleições 2022: a primeira semana de campanha
Lula, Bolsonaro, Ciro Gomes e Simone Tebet. São os principais nomes da disputa presidencial deste ano, que, evidentemente, está polarizada entre os dois primeiros. Nessa primeira semana de campanha, eles já participaram de grandes atos, se empenham nas redes sociais e foram desafiados por entrevistas, como a do Jornal Nacional, que, na segunda-feira, recebeu Bolsonaro e, na terça-feira, Ciro Gomes. Para além desse teste de fogo - Lula vai para a bancada do JN na quinta-feira, e Simone Tebet, na sexta-feira - a eleição para presidente já tem seus temas marcantes: a busca pelos votos evangélicos, da classe média e a disputa entre o atual e o ex-presidente para saber quem ganha mais eleitores na população atendida pelos programas sociais do governo. No Ao Ponto desta quarta-feira, o editor-executivo Paulo Celso Pereira e o editor de Política, Thiago Prado, analisam os principais destaques dessa primeira semana de campanha e de que forma Lula e Bolsonaro têm conseguido alcançar novos eleitores. Eles também avaliam como essa disputa super polarizada influencia a campanha em estados-chave.
35:45 24/08/2022
A curiosa viagem do coração de Dom Pedro I
Para os portugueses, Dom Pedro IV. Para os brasileiros, Dom Pedro I, o segundo filho homem de Dom João VI e Carlota Joaquina e príncipe regente da Coroa Portuguesa, que, em 7 de setembro de 1822, proclamou a Independência do Brasil e anunciou à Corte que não tinha mais relações com o reino de Portugal. Seu reinado por aqui durou menos de 10 anos. Em 1831, ele abdicou do trono e retornou a Portugal, onde disputou com seu irmão, Dom Miguel, o reinado do país. É dessa batalha que nasceu o carinho de Dom Pedro pela cidade do Porto. E que o levou a fazer um pedido, já no leito de morte, em 1834. O pedido era para que seu coração ficasse guardado na cidade. E é justamente o coração de Dom Pedro, guardado para homenagear o Porto, que foi a relíquia escolhida pelo governo brasileiro como o principal símbolo das comemorações do bicentenário da Independência. A viagem terminou na segunda-feira. Com controvérsias, cuidados e custou típicos de uma visita de chefe de Estado. No Ao Ponto desta terça-feira, o repórter Arthur Leal, que acompanhou de perto todas as tratativas para o traslado da relíquia, conta como foram essas negociações e explica por qual razão essa viagem despertou a polêmica sobre o uso político do coração de Dom Pedro I no bicentenário da Independência do Brasil.
22:54 23/08/2022