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Há 30 anos, Paulo Lima faz entrevistas com as personalidades mais interessantes do país

Músicas

Bianca Comparato, a nova pequena notável
Sem medo de desafios, a atriz que acaba de participar de um episódio da série "Grey's Anatomy" fala da vida em Hollywood, fama e esporte Não estranhe ao se deparar com Bianca Comparato na vigésima temporada de “Grey’s Anatomy”. A atriz e produtora, que acaba de gravar participação em uma das séries mais aclamadas do mundo, faz parte de uma geração de talentos que ganha cada vez mais espaço e destaque não só no audiovisual brasileiro, mas também em Hollywood. “Eu sempre sinto um frio na barriga, que acho que não quero perder. É o que deixa a coisa viva”, conta. Bianca nunca escolheu os caminhos mais fáceis – ou óbvios. Quando protagonizou a série da Netflix 3%, pouca gente apostava no futuro do streaming. “Na época eu recebi muitas opiniões contrárias: ‘você tá doida, é uma empresa pequena que vende DVD nos Estados Unidos’, ‘ninguém vê isso aqui', 'você devia ficar e fazer novela na Globo”’, lembra. “Mas eu sempre tive muita clareza dos projetos que gostaria de fazer, sempre fui movida pelos personagens e pelas pessoas envolvidas nessas séries”. No papo com o Trip FM, Bianca falou de fama, glamour, sobre como seu papel em “João Sem Deus” a fez repensar questões de religião e política, e ainda compartilhou suas percepções sobre a vida em Los Angeles e a mais recente paixão, o surf. Ouça essa conversa na íntegra no Spotify e no play aqui em cima ou leia um trecho abaixo. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/04/6619a4ff59a05/bianca-comparato-atriz-tripfm-mh.jpg; CREDITS=foto: Manuel Nogueira (@manuelnogueira); beleza: Simone Barcelos (@simonebarcelos); LEGEND=Bianca Comparato; ALT_TEXT=Bianca Comparato] Trip. Como tem sido esse tempo morando em Los Angeles? Isso ajuda a acessar o mercado norte-americano? Bianca Comparato. Eu sou movida a desafios e sempre tive uma curiosidade enorme de saber como funciona essa meca do cinema e das séries que é Los Angeles. Eu achava que era só chegar e falar inglês para acessar alguma porta, mas você precisa absorver a cultura e isso leva tempo. Meu sonho sempre foi fazer uma mulher que não fosse latina e isso eu realizei o ano passado. O filme ainda vai sair e foi fruto de eu ficar lá nos Estados Unidos, de entender como o mercado funciona, com funcionam os agenciamentos. Em 2016, você protagonizou a série da Netflix 3%. Você saiu na frente, deixou as novelas para estrear uma das primeiras séries do streaming no Brasil. Como foi esse movimento? Na época eu recebi muitas opiniões contrárias: "você tá doida, é uma empresa pequena que vende DVD nos Estados Unidos", "ninguém vê isso aqui", "você devia ficar e fazer novela na Globo". Mas eu sempre tive muita clareza dos projetos que gostaria de fazer, sempre fui movida pelos personagens e pelas pessoas envolvidas nessas séries. Minha meta era abrir a porteira para produções no Brasil, não importa a crítica, não importa nada. Hoje o streaming deu uma encolhida, mas houve muitas produções brasileiras de qualidade. Você tem 1,54m de altura. Já sofreu bullying na escola por ser muito pequena? Não sofri bullying por ser baixa, mas participei de um bullying contra outra Bianca da minha sala que era muito alta (e por isso eu sempre peço desculpas publicamente quando posso). O meu sofrimento veio muito mais por ser gay e tentar não parecer gay. Eu nem percebia, na verdade, fui entender isso mais velha. Hoje eu sinto o resultado disso, como isso afeta as minhas decisões. Eu me escondia muito, por isso o bullying era mais interno do que vindo de fora. Eu vejo que essa nova geração de atores é muito menos deslumbrada com o sucesso. De onde vem isso? O público ficou muito mais próximo da gente. O lado íntimo do artista de cinema era muito mais isolado. O mundo real mudou isso desde Marcel Duchamp e o seu mictório: a arte mais perto. É a Anitta sem maquiagem na cama, o Caetano tomando um chá. Isso ajuda a nos tirar de um pedestal. O trabalho do dia a dia também ajuda a fugir do hype: fazer a cena, errar, pisar num palco. É perigoso acreditar no glamour. Pode até ir pra banheira com champanhe, mas aí volta pro mundo real.
78:51 12/04/2024
Você realmente conhece Maria Fernanda Cândido?
Da França, onde vive, a atriz falou sobre casamento, capitalismo, a amizade entre os presidentes Lula e Macron e terapia ocupacional Maria Fernanda Cândido se prepara para estrear, no dia 11 de abril, o filme “A Paixão Segundo G.H.”, longa-metragem baseado no livro da escritora Clarice Lispector e dirigido por Luiz Fernando Carvalho. A obra se passa no Rio de Janeiro de 1964 e narra a jornada de uma escultora que questiona sua identidade e algumas convenções sociais que aprisionam o feminino. “Na arte, a gente transforma vidas de uma maneira sutil. Saúde e arte correm muito perto uma da outra”, diz ela no papo com o Trip FM.  Formada também em terapia ocupacional, Maria Fernanda tem propriedade para discorrer sobre intervenções que mudam a vida das pessoas. Como terapeuta, ela garante que o que aprendeu nessa profissão ainda tem muita influência em sua vida. "Nossa concepção de saúde é muito utilitária: ou está curado, ou está doente. Aprendi a lidar com o conceito de melhora. Às vezes, uma pequena melhora pode representar muito em uma vida.”  Diretamente de Paris, na França, onde vive há cerca de seis anos, a atriz falou ainda sobre casamento, sua experiência como a única mulher em um grupo de empreendedores que fundou a Casa do Saber e como é criar filhos adolescentes. Ela também refletiu sobre temas como capitalismo e a amizade entre Lula e Macron, o presidente da França. O programa está disponível aqui no site da Trip (é só dar o play) e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/04/6610305156482/maria-fernanda-candido-atriz-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Patricia Soransso (@patriciasoransso); LEGEND=Maria Fernanda Candido; ALT_TEXT=Maria Fernanda Candido] Trip. Neste tempo em que você esteve em Paris, já deu para entender o francês?  Maria Fernanda Cândido. Deu. Seis anos já é um tempo legal, mas para mim é um esforço. Eu ainda preciso fazer um esforço para estar dentro desta cultura. Meus filhos não, eles têm o chip brasileiro e francês. Eu só tenho o brasileiro. Nós somos acolhedores, temos a disposição para o encontro, menos medo do diferente. É muito inexplicável e emocionante ser brasileira. Eu amo ser brasileira e comecei a entender melhor a minha brasilidade estando fora do meu país. Quando você perde o seu dia a dia, aí passa a dar muito mais valor. Como ser formada em terapia ocupacional influenciou a sua carreira? Nossa ideia de saúde é muito utilitária: ou está curado, ou está doente, mas como terapeuta ocupacional aprendi a lidar com o conceito de melhora. Às vezes, uma melhora pequena pode representar muito em uma vida. Esse fascínio pelo outro eu carrego nas artes, porque a gente também transforma vidas de uma maneira sutil. Saúde e arte correm muito perto uma da outra. A teoria dos setênios vê os 49 anos como um momento muito especial. Como você está vivendo esta idade? Aos 49 anos foi a primeira vez que consegui parar, olhar para trás e pensar: caramba, eu tenho uma história. Aos 20 você não tem nada para ver lá atrás; aos 30 eu estava criando meus filhos, alimentando, ensinando a andar, também não dava para fazer esse exercício. Hoje, assisto o meu filme e é bonito, dá uma sensação de uma passagem por aqui. Mas ainda tenho muito para continuar, tenho muita sede. Como alguém que sempre foi conhecida pela beleza lida com a passagem do tempo? Dá uma tristeza, sim, olhar para aquela foto de 25 anos. Aquela pessoa já não existe para mais ninguém, nem para mim, nem para o público. É preciso ter uma aceitação, tudo muda, mas também tem a minha história toda. Eu quero fazer a trajetória, eu quero percorrer o caminho. Estando aí, acha que o consumismo atingiu menos os países europeus? O consumo invadiu todas as áreas da vida. Consumir bens é uma coisa, mas quando a gente vê que educação e saúde viraram mercadorias é mais complicado. Tudo virou produto, esse mundo está em um esgotamento. Você não quer se sentir cliente em uma escola, a gente quer que os princípios estejam acima disso. Ter um parceiro de outra nacionalidade, com outros costumes e cultura, pode gerar dificuldades. Concorda? Sim, muitas dificuldades. Em um casamento longo, às vezes é preciso viver com um desconforto, mas ficar com esse desconforto pode ser uma bela aventura, de descoberta, aceitação e criação de parceria. A minha amizade com meu marido cresceu, isso não caiu no nosso colo do nada, a gente lutou para chegar aqui. É terapia para todo lado aqui em casa, a gente trabalha muito. É uma característica importante da nossa família.
65:26 05/04/2024
Mulher, negra e Dra. em Física: Sonia Guimarães tem poder
Primeira mulher negra brasileira a se tornar doutora em física e a lecionar no ITA, ela falou sobre o papel da militância na ciência Se no quesito pesquisa, tecnologia e infraestrutura o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, é uma das mais renomadas universidades do mundo, no que diz respeito à diversidade de gênero e raça, a instituição deixa muito a desejar. Vinculada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, o local de ensino superior público da Força Aérea Brasileira proibiu que mulheres estudassem até 1996. Naquela época, porém, a paulista Sonia Guimarães surgiu para mudar esse cenário. Em 1993, Sonia entrou para o ITA como professora — três anos antes de autorizarem que mulheres estudassem física aeronáutica. Primeira mulher negra brasileira a se tornar doutora em física, ela também foi a primeira mulher negra a lecionar no instituto. Mais de 30 anos atuando como professora, uma coleção de títulos acadêmicos e sendo reconhecida como uma das 100 pessoas mais inovadoras da América Latina, Sonia diz que ainda tem que lutar contra a misoginia e o racismo na academia. “Sou formada em física pela UFSCar, a Universidade Federal de São Carlos, PHD em física na Inglaterra e ainda as pessoas dizem que eu não sei física. É frustrante. Por que não acreditam? Na avaliação dos estudantes, tem coisas que eu não consigo ler. Tem aluno que não me olha na cara. Eles não têm a obrigação de ter respeito por mim. É terrível”, indaga ela. Em um papo como Trip FM, a física que adora roupas coloridas e de carnaval, contou com muito bom humor a sua história e discutiu ainda o papel da militância na ciência, a importância do sistema de cotas, moda, saúde e muito mais. O programa fica disponível aqui no site da Trip e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/03/65fdb9c45573f/sonia-guimaraes-professora-negra-ita-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Dalila Dalprat / Divulgação; LEGEND=Sonia Guimarães; ALT_TEXT=Sonia Guimarães] Trip. Com o sucesso do filme "Oppenheimer", muito tem se discutido sobre a relação ciência e militarismo. Como você lida com isso? Sonia Guimarães. As pessoas ficam impressionadas quando descobrem que ajudei a desenvolver uma tecnologia para mísseis, mas nós também precisamos nos proteger. Infelizmente faz parte do trabalho, sinto muito: somos um país imenso, com muitas riquezas. Por outro lado, meus alunos do ITA dão aulas para adolescentes e mostram o laboratório, mostram que a física não é uma ciência dura para crianças que não querem saber nada de ciência. Após décadas de ensino, você ainda luta para ser reconhecida dentro do ITA? Formada em física pela UFSCar, PHD em física na Inglaterra e ainda as pessoas dizem que eu não sei física. É frustrante. Por que não acreditam? Na avaliação dos estudantes, tem coisas que eu não consigo ler. Tem aluno que não me olha na cara. Eles não têm a obrigação de ter respeito por mim. É terrível. Como você avalia o sistema de cotas no Brasil? Política de cotas no Brasil começou tarde demais e ainda é muito pequena. Cerca de 35% de vagas para negros na USP é pouco. Com essas comissões ainda dizendo que gente preta não é preta, é uma confusão. Estou proibida de falar sobre as cotas de um certo instituto que conheço muito, mas um lugar que tinha que ter 20% de pessoas negras, eu não vi nem um por cento ainda. Precisa de fiscalização. Por outro lado, o que a gente já vai vendo desses lugares minimamente respeitando, é uma delícia. Como anda a educação superior no país? Antigamente eu queria muito que meus alunos escrevessem artigos científicos. Hoje, com o ChatGPT, eu quero que eles falem, que me digam tudo o que conseguiram aprender. Texto hoje já não passa por pesquisa nenhuma, isso já é real. Algumas escolas estão atrasadas, o ensino precisa se modernizar, a mudança é radical e é seria.
54:57 22/03/2024
Bruno Mazzeo: fora da Globo e feliz no teatro
Pela primeira vez longe da emissora onde trabalhou por três décadas, ator debate sobre cinema, jornalismo e humor na internet "Estou me aproximando dos 50 e vendo tudo o que aprendi dando uma balançada forte. E aí eu me pergunto: eu ainda sirvo nesse lugar? As pessoas que encontraram o seu espaço para se comunicar na internet falam muito diretamente com esse público, sobretudo o mais jovem. Essa é grande questão: como se adaptar a isso e aceitar sem julgamento", reflete o ator Bruno Mazzeo. Em uma conversa com o Trip FM, o roteirista e humorista conta sobre sua experiência "na selva", referindo-se ao primeiro trabalho fora da Rede Globo.  Seu projeto inaugural é a peça teatral "Gostava Mais dos Pais", em cartaz em São Paulo, no Teatro Porto Seguro (sexta e sábado, às 20h, domingo, às 17h). Ao lado do tamabém ator Lucio Mauro Filho, o artista analisa, neste espetáculo, as vantagens e desafios de ser filho de uma personalidade famosa — Bruno é filho do eterno humorista Chico Anysio, falecido em 2012.  "Nunca foi um fardo, talvez porque tenha construído uma carreira diferente a do meu pai, com um estilo de humor único. Pelo contrário, sempre foi motivo de orgulho, e, por isso, permito-me brincar com isso, inclusive com o fato de as pessoas na rua frequentemente expressarem sua preferência por meu pai, o que acho totalmente justo. É claro, eu também prefiro."  Na conversa, Bruno aborda temas como cinema, críticas, jornalismo, humor na internet e muito mais. A entrevista completa você escuta aqui no site da Trip ou no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/03/65eb6a840f099/bruno-mazzeo-ator-tripfm-mh2.jpg; CREDITS=Francio de Holanda ; LEGEND=Bruno Mazzeo na peça teatral "Gostava Mais dos Pais", atualmente em cartaz em São Paulo, no Teatro Porto Seguro (sexta e sábado, às 20h, domingo, às 17h), ao lado de Lucio Mauro Filho; ALT_TEXT=Bruno Mazzeo e Lucio Mauro Filho sentados em cadeiras num palco de teatro ] Trip. Como você analisa o momento da produção audiovisual no Brasil? Estamos passando por um momento delicado, por isso é fundamental a lei da cota de telas para o streaming, isso foi feito lá atrás com a TV a cabo e foi maravilhoso. Por que vai se gastar milhões produzindo aqui se é muito melhor comprar os direitos de um time da Copa do Brasil e isso vai gerar mais assinantes? Essa lei é o que vai sacudir o mercado. Como você define o seu humor? É um humor carioca, um humor de classe média? Como criador, naturalmente escrevo em cima do universo que eu conheço. Coisas cotidiana acabam sendo em cima do meu olhar, é inevitável. Alguém me escreveu: “Pô, mas é sempre o olhar do branco da Zona Sul?”. É o que eu posso oferecer. E sobre esse novo humor das redes sociais. Isso o assusta de alguma forma? Estou me aproximando dos 50 e vendo tudo o que aprendi dando uma balançada forte. E aí eu me pergunto: eu ainda sirvo nesse lugar? As pessoas que encontraram o seu espaço para se comunicar na internet, falam muito diretamente com esse público, sobretudo mais jovem. Não sei se eu conseguiria me comunicar dessa forma. Essa é grande questão: como se adaptar a isso e aceitar sem julgamento. É um grande perigo do artista ficar rancoroso com o jovem que vem chegando. Eu vou ter que me encaixar aí. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/03/65eb52778a5e7/bruno-mazzeo-ator-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Fernando Young Brasileiro (@_fernandoyoung_); LEGEND=Bruno Mazzeo; ALT_TEXT=Bruno Mazzeo]  
59:31 08/03/2024
Julia Lemmertz: Nunca me importei com o que falavam de mim
Uma das protagonistas da série “No Ano Que Vem” (Canal Brasil), a atriz reflete sobre etarismo, sororidade, crises conjugais e maternidade “Eu nunca dei importância para o que falavam de mim. Não vai me trazer nada de bom, vai me confundir, me deixar angustiada. Entendo a curiosidade, mas sempre fui discreta com a minha vida e claro que as pessoas não aguentam, começam a cavar buracos para encontrar coisas. Mas isso é problema dos outros”, disse a atriz Julia Lemmertz em um papo com o Trip FM. A artista será uma das protagonistas da nova série “No Ano Que Vem”, que estreia na próxima segunda-feira (4) no Canal Brasil. A trama abordará temas como etarismo, sororidade, crises conjugais, e maternidade, temas que também surgiram na conversa com a atriz. “Foi tudo muito rápido, minha mãe faleceu em 1986, eu tinha 23 anos, e com 24 engravidei da minha filha. Quando vi tinha alguém para sustentar e uma carreira para dar conta”, revelou Julia, comentando o início de sua premiada jornada de mais de 50 anos trabalhando no teatro, na TV, e no cinema. “Gosto de pensar que sou uma mulher real e que faz personagens de pessoas reais. Eu já vivi 60 anos da minha vida, eu tenho que ter uma bagagem comigo, que seja no corpo, na minha cara. E eu tenho orgulho dela. Não me interessa apagá-la.” A entrevista completa está disponível aqui no site da Trip e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/03/65e22df1cfbc2/julia-lemmertz-atriz-tripfm-mh.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=] Trip. Você nasceu no mundo das artes cênicas já sabendo — através da profissão dos seus pais — que vida de ator não é fácil. Como é a sua relação com o dinheiro? Julia Lemmertz. Foi tudo muito rápido na minha vida: minha mãe faleceu em 1986, eu tinha 23 anos, e com 24 engravidei da minha filha. Quando vi tinha alguém para sustentar e uma carreira para dar conta. Fui fazendo as coisas que gostaria de fazer, mas que também me sustentavam e a família que eu estava criando, sozinha. A televisão entrou na minha vida não só pela grana, mas também porque me proporcionava uma liberdade para fazer outras coisas. Sempre fiz teatro. Era uma contrapartida, eu nunca sustentei só a mim, sempre ajudei a família. E crescer diante da fama, casar e se separar perante as lentes da televisão. Como lida com isso? Eu nunca dei importância para o que falavam de mim. Não coloco meu nome no Google. Quando fiz isso me arrependi amargamente: tem coisas elogiosas, mas tem coisas horríveis. Resolvi me abster desse lugar. Já e muita coisa para dar conta, se for dar conta ainda do que os outros estão pensando, eu não iria viver. Não vai me trazer nada de bom, vai me confundir, me deixar angustiada. Entendo a curiosidade, mas sempre fui discreta com a minha vida e claro que as pessoas não aguentam, começam a cavar buracos para encontrar coisas. Mas isso é problema dos outros. E o envelhecimento para você, dói ou é tranquilo? Envelhecer não dói, e também não é tranquilo: não tem outro jeito, é isso. A outra opção é não estar aqui ou tentar retardar de uma forma que você se torne uma pessoa que não condiz com o seu tempo de vida, que não está presente no momento em que você vive. Sempre me interessou a passagem do tempo. É bonito, não é fácil, você fica mais cansado, mas qual o problema? Os homens ficam lindos grisalhos, com barriguinha, e as mulheres precisam estar em forma o tempo todo e ninguém fala sobre isso. Não condiz com a realidade. Gosto de pensar que eu sou uma mulher real e que faz personagens de pessoas reais. Eu já vivi 60 anos da minha vida, eu tenho que ter uma bagagem comigo, que seja no corpo, na minha cara. E eu tenho orgulho dela. Não me interessa apagá-la.
63:51 01/03/2024
Lu Haddad, médica e triatleta: muito esporte pode fazer mal?
Cirurgiã Luciana Haddad fala dos perigos do exercício em excesso, médicos influenciadores, banho de gelo e mais A médica pós-doutora e livre-docente da Universidade de São Paulo (USP), Luciana Haddad, tem consolidado sua presença nas redes sociais desde que começou a compartilhar sua rotina na linha de frente do combate à Covid-19, em 2020. Segundo ela, essa posição desempenha um papel de grande importância. "Aqueles que são referência devem ocupar esse espaço. Se eu deixar de abordar temas como transplante de fígado, alguém sem acesso a informações de qualidade pode ocupar meu lugar." Em seu perfil no Instagram e no canal FalaLu!, no YouTube, ela compartilha conhecimentos sobre saúde e esportes. Essa expertise não provém apenas de sua dedicação aos estudos, mas também de sua experiência como triatleta ao completar mais de 10 provas de Ironman, evento que combina natação, ciclismo e corrida. Em uma conversa com o Trip FM, a Dr.ᵃ Lu abordou os riscos associados ao treinamento excessivo, a tendência dos banhos de gelo, a disseminação de médicos influenciadores e outros tópicos relevantes. A entrevista está disponível aqui no site da Trip e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/02/65d8b8219ba9c/luciana-haddad-medica-esporte-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Arquivo pessoal; LEGEND=Luciana Haddad; ALT_TEXT=Luciana Haddad] Trip. A atividade física é sempre benéfica? Existem estudos que apontam problemas no exercício exagerado.  No extremo, a atividade física deixa de ser benéfica. Quando a gente pensa em saúde e atividade física, a quantidade de exercício deve ser muito menor do que a de um treino de Ironman, ou de atletas profissionais, por exemplo. Meus conselhos seriam: atividade física é sempre melhor do que nada, e atividade em excesso precisa de orientação e acompanhamento de um profissional. E para qualquer um que vai começar, é preciso fazer no mínimo uma avaliação médica antes. Feita essa etapa, o que é saudável, segundo mostram alguns estudos, são cerca de cinco, sete horas por semana. Isso já garante maior longevidade porque você consegue intercalar treino de força e aeróbico. Agora, 20 horas por semana precisa de um acompanhamento de perto. E qual a sua opinião sobre os médicos influenciadores? Cada vez está mais a medicina está se disseminando, apesar de não ser ainda tão democrática. São muitas pessoas formadas para poucas vagas de residência. Toda essa massa precisa ganhar dinheiro com opções limitadas, muitas vezes trabalhando em estruturas precárias. Então ela vê a oportunidade de entrar nas redes. É um caminho tentador.  Você vê nas mídias sociais hoje, por exemplo, muitos fazendo propaganda de soroterapia, algo que não tem justificativa. São pessoas mal formadas, sem oportunidade. Talvez nós que somos uma referência tenhamos que ocupar esse espaço. Se eu não falar sobre transplante de fígado, pode ser que alguém que não tenha informação de qualidade ocupe esse lugar.  
59:45 23/02/2024
Como ser mãe de uma criança trans no Brasil
Thamirys Nunes, do perfil @minhacriancatrans, compartilha a sua história como mãe da Agatha Em 2019, Thamirys Nunes se viu diante de um dos momentos mais desafiadores de sua vida. Faltavam informações na internet para ajudá-la, mas um feixe de luz surgiu quando se deparou com um artigo científico em inglês sobre transexualidade, gentilmente compartilhado por uma amiga. Esse achado revelou-se crucial no acolhimento de sua filha Agatha, que aos 4 anos se entendia uma menina. Após um período permeado por tristeza, dúvidas e angústias, Thamirys decidiu se tornar a referência que não encontrou no processo de transição da filha. Com o livro "Minha Criança Trans?", ela compartilhou sua jornada para servir como inspiração e oferecer apoio às mães que enfrentam desafios semelhantes. Além de escritora, Thamirys se tornou uma ativista dedicada, coordenando organizações não governamentais voltadas para a defesa dos direitos das crianças e a promoção de políticas públicas. Em uma conversa franca com o Trip FM, ela compartilhou detalhes de sua história e também falou sobre preconceito, solidão e educação. "A mãe do menino podia sonhar com muita coisa nessa vida. Para acontecer algo com um menino branco de classe média precisaria ser uma fatalidade. O céu era o limite. Já a minha filha tem uma expectativa de vida de 35 anos, porque as mulheres trans são assassinadas com requinte de crueldade no Brasil. Eu só quero que ela volte viva", conta ela, em um relato tocante que destaca não apenas sua jornada pessoal, mas também lança luz sobre questões de inclusão e defesa dos direitos trans e das crianças.  A entrevista completa com Thamirys está disponível aqui no site da Trip e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/02/65cfa1e6ccd37/thamirys-nunes-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Layla Motta (@laylamotta); LEGEND=Thamirys Nunes; ALT_TEXT=Thamirys Nunes] Trip. Como foi para você quando percebeu que, logo aos dois anos, seu filho já não se encaixava nos padrões normativos do universo masculino?  A gente tinha convivência com outros meninos da mesma idade nessa época e ele não respondia aos mesmos estímulos da mesma forma. Muito pelo contrário, se interessava pelas roupas e brinquedos tipicamente femininos. Isso me gerou uma angústia. Procuramos uma profissional da saúde mental, uma psicóloga muito bem recomendada, que fez várias sessões com nós todos. Ela me disse que eu era vaidosa demais, que dava muitas referências do universo feminino para a minha criança, que meu marido era muito ausente. Para mim, a culpa ser dos pais foi um alívio. O que eu não sabia é que estava abrindo a porta para o inferno. Me masculinizei muito, tirei todos os brinquedos coloridos, enchi a casa de bonecos de heróis, comprei um cachorro macho… Passei dois anos colocando coisas masculinas em casa enquanto a rejeição da criança só aumentava. E as pessoas ao redor julgavam a minha criança como ingrata, mas o que aconteceu é que eu não estava escutando. Com três anos começou a verbalização: “Mãe, é triste que eu nasci menina”. Minha angústia só aumentou. Onde eu estava errando? Eu não conseguia sair desse cárcere de gênero. Quando ele me perguntou se quando morresse poderia voltar menina, comecei a perceber que não valia a pena aquele caminho. Por que eu estava naquele caminho? Pelo medo de como a sociedade ia me julgar, pelos espaços que iria perder, pela validade como uma família bem quista? Era o meu filho que estava em jogo. Eu optei por ele. Você é muito criticada nas redes, mas as pessoas confundem muito gênero com sexualidade. Você pode falar um pouco sobre isso? A gente tem que começar entendendo que genitália não define gênero. Quando alguém pergunta sobre quem você é, você vai falar do tamanho da sua genitália, da potência? Não, a última coisa que pensamos quando nos descrevemos é na nossa genitália. E a gente vive em uma sociedade que acha que isso define gênero. Uma criança a partir de dois anos de idade tem estrutura cerebral cognitiva para entender as caixinhas que a gente coloca o que é feminino e o que é masculino. Nós somos uma sociedade extremamente binária. Se eu chegar em uma loja de bóia, eles vão me perguntar se é pra menino ou menina. É pra não afundar! As crianças percebem isso e 98% está de acordo com o gênero que lhe foi colocado. Estima-se que 2% sente desconforto com o que foi imposto. A questão da sexualidade só vai aflorar na puberdade. Identidade de gênero não é o mesmo que sexualidade. É importante falar isso porque o xingamento que mais recebo é de pedófila. O que eu faço é respeitar quando ela olha para mim e fala "Eu me sinto mais confortável se você me chamar de filha do que de filho". A gente tem uma cultura antiga de não validar a criança, de que escutar a criança é um sinal de fraqueza. A criança é um indivíduo pertencente aos seus interesses e desejos. A gente precisa lidar com a frustração de os nossos filhos não corresponderem ao que a gente planejou. E como você lidou com o processo de transição?  Perder o meu filho de vista foi muito sofrimento. Eu achei que iria morrer de tristeza. Como mãe, eu estava muito feliz com meu filho homem. Ele é que estava infeliz. Precisei decidir entre a minha felicidade e a dele. Lembrei que mais do que ser mãe de um filho homem, eu queria ser mãe de uma pessoa que queria fazer feliz. Quando ele colocou o primeiro tutu eu já sabia que nunca mais iria vê-lo do jeito que o conheci. Eu sentia que se amasse a menina que estava vindo, eu trairia a memória do meu filho. Como eu amo a pessoa que está matando quem eu mais amo. Sou mãe de duas pessoas, são amores diferentes. Minha filha, hoje, é um amor visceral, eu mato e morro por ela. Foi difícil achar esse caminho. A mãe do menino podia sonhar com muita coisa nessa vida. Para acontecer alguma coisa com um menino branco de classe média precisaria ser uma fatalidade muito grande. O céu era o limite: viagens, formaturas. Já a minha filha tem uma expectativa de vida de 35 anos, porque as mulheres trans são assassinadas com requinte de crueldade no Brasil. Eu não estou nem mais me lascando se o Natal vai ser ou não na minha casa, por exemplo. Eu só quero que ela volte viva de onde quer que ela vá. Não foi só uma troca de roupa, foi uma troca de sonhos, de vida.  
66:17 16/02/2024
Andreas Kisser: Precisamos falar da morte
Guitarrista do Sepultura fala da turnê de despedida da banda, sobre a perda da esposa Patrícia e da relação com o álcool Após quatro décadas na estrada, a lendária banda Sepultura está se preparando para encerrar sua jornada. Marcada por ser a primeira grande banda brasileira a conquistar reconhecimento internacional (bem antes de Anitta, eles já colecionavam prêmios no MTV Music Awards), o grupo se despedirá dos fãs em grande estilo. O renomado guitarrista e músico globalmente aclamado, Andreas Kisser, compartilhou detalhes dessa despedida em uma conversa emocionante com o Trip FM. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/02/65c66db35aad3/andreas-kisser-sepultura-rock-artista-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Bob Wolfenson; LEGEND=A banda Sepultura; ALT_TEXT=Sepultura] "Não foram um ou dois os sinais para encerrar o Sepultura'', conta Andreas. Num papo sobre o ato de "deixar morrer", ele refletiu sobre a série de eventos que o conduziram a esse momento. Um dos principais foi a perda de sua esposa de mais de 30 anos, Patrícia Kisser, que faleceu em 2022 após uma batalha contra o câncer. "Não foram apenas um ou dois os motivos para encerrar o Sepultura. O confronto com a finitude, a perda da minha esposa Patrícia e todo o trabalho subsequente para abordar a questão da morte no Brasil foram alguns deles. Senti-me totalmente despreparado, como cidadão, para lidar com isso: despreparado para dialogar com médicos, compreender os cuidados paliativos e diversos outros aspectos. Por que não se discute eutanásia no Brasil? Estou aprendendo tanto com a morte da Patrícia quanto aprendi em sua vida. Um filme sem fim não faz sentido. E por que não encarar o fim do Sepultura dessa mesma maneira? Só temos a ganhar com essa abordagem", diz. Andreas também falou sobre sua decisão de abandonar o consumo de álcool, sobre o São Paulo Futebol Clube, do movimento Matricia, em homenagem à esposa, deu recomendações de bandas e muito mais. A entrevista completa está disponível aqui no site da Trip e no Spotify.  Trip FM. Você sempre esteve aberto a colaborar com qualquer artista. Já recebeu críticas do universo do metal por isso? Andreas Kisser. Conhecer os artistas por trás da música, com todas as suas fraquezas, me ensinou muito sobre essa profissão, que não é fácil. O artista sobe no palco de peito aberto, numa posição muito frágil. É preciso estar preparado, saber quem você é. É a essência da música. Toquei com a Ivete no ano passado e ouvi muitas críticas. Fiquei surpreso que em 2024 as pessoas ainda estejam presas a esse tipo de limite. Tem sido difícil a decisão de encerrar o Sepultura? Não foram um ou dois os sinais para encerrar o Sepultura. O contato com a finitude, a passagem da minha esposa Patrícia e todo o trabalho que se seguiu para conseguir falar sobre morte aqui no Brasil foi um desses sinais. Me senti muito despreparada como um cidadão ao passar por isso: despreparado para falar com médicos, para entender os cuidados paliativos e muitos outros aspectos. Por que não se fala de eutanásia no Brasil? De testamento vital? Fiquei sabendo de coisas que me deixaram chocado. Não existe cuidado paliativo na maioria dos hospitais do país. Não faz parte nem do currículo na faculdade. Eu estou aprendendo com a morte da Patrícia tanto quanto aprendi em vida com ela. A maneira como ela encarou, como deixou as coisas preparadas. Quando aconteceu todo mundo sabia o que ela queria. Precisamos falar de morte, morte é limite e limite é educação. Um filme sem fim não tem sentido. Tem que ter um encerramento, só há sentido com fim. E por que não encarar o fim do Sepultura dessa forma? A gente só tem a ganhar. O que mais você aprendeu com a Patrícia? A não acreditar muito nesse mito da guitarra, do palco, na forma como as pessoas enxergam você. É perigoso esquecer de onde você veio. É importante sempre lembrar do motivo de estar aqui, de quando eu estava ensaiando no quarto de casa imaginando viajar, tocar com o Ozzy. Conquistei todos os meus sonhos e muito mais. Eu amo guitarra, eu amo música. Outro novo ciclo que se inaugurou na sua vida foi na relação com o álcool? A melhor coisa que fiz na minha vida foi ter largado o álcool. Além da saúde, de desinchar, de economizar dinheiro, o mundo é outro. Para mim o mundo antes era bar. Entrava no aeroporto, bar; no avião, cerveja; futebol, vamos beber; churrasco no fim de semana, beber; tô puto, vou tomar uma; tô feliz, vou tomar uma. O álcool fazia todas as minhas escolhas: qual restaurante, quais férias, tudo. Eu não fui na Disney com a minha família porque não tinha cerveja. E não percebia. A Patrícia falava que eu era um Playmobil com a latinha encaixada na mão. E nunca fui alcoólatra de beber todo dia, mas tudo tinha o álcool. A partir do momento em que essa ficha caiu, percebi que eu era um imbecil. Saiu uma nuvem negra de cima de mim. Comecei a meditar, fazer pilates, estudar mais violão, tomar banho de gelo. Enfrentar uma pandemia, perder minha esposa, reconstruir a minha vida com meus filhos… Tudo foi melhor sem o álcool.
81:35 09/02/2024
O melhor do Trip FM em 2023: Marcelo Gleiser
Confira um dos melhores papos que rolaram ano passado enquanto preparamos mais episódios inéditos para 2024 Durante o período de férias de verão, nossa equipe selecionou alguns dos melhores papos do ano de 2023. Se você ainda não ouviu (ou quer rever a conversa), aqui está uma das escolhidas. Certamente você já ouviu falar da importância da ciência e da necessidade de mudar a relação entre ser humano e natureza. Afinal, o mundo não vai bem. E para debater essa triste realidade, o Trip FM ouviu um dos maiores cientistas do mundo, o físico e astrônomo Marcelo Gleiser, que há anos tem sido uma voz contundente na interpretação das angústias humanas e no futuro da humanidade. "Não tente construir narrativas de imortalidade, porque isso não vai acontecer. O segredo da vida é vivê-la da maneira mais intensa possível, e para isso, é necessário se alimentar bem, exercitar o corpo e a mente. Leia, escreva, jogue xadrez, aprenda uma nova língua para permanecer sempre alerta. Este é o segredo do transumanismo: tornar-se cada vez mais humano”, disse ele. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/02/65bd0dec839d5/marcelo-gleiser-fisico-astronomo-cientista-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Eli Burakian | Dartmouth College; LEGEND=Marcelo Gleiser; ALT_TEXT=Marcelo Gleiser] Desde criança, Marcelo nutre uma curiosidade muito grande pelos mistérios do universo. Questões sobre como surgiu tudo o que nos rodeia, a origem da própria vida e a inquietude de querer saber se estamos sozinhos no cosmo ocupavam — e ainda ocupam — sua mente. Em 1981, ele se formou em física na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, fez mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado no King’s College de Londres. Desde 1991, é professor e pesquisador no Dartmouth College, nos Estados Unidos. "A gente só aprende porque se questiona sobre as experiências que temos. Se você não tentar aprender com o que está acontecendo, com o que não deu certo, vai continuar errando sempre. Sou um estudioso não só da física, mas um estudioso da vida e, certamente, um estudioso do amor.” No papo, Marcelo falou ainda sobre o esporte como uma forma de meditação, a psicanálise auxiliada por substâncias psicodélicas, a vida, a morte, o amor e muito mais. A entrevista completa está disponível aqui no site da Trip e no Spotify.
61:39 02/02/2024
O melhor do Trip FM em 2023: Denise Fraga
Confira um dos melhores papos que rolaram ano passado enquanto preparamos mais episódios inéditos para 2024 Durante o período de férias de verão, nossa equipe selecionou alguns dos melhores papos do ano de 2023. Se você ainda não ouviu (ou quer rever a conversa), aqui está uma das escolhidas. “Uso o humor para abrir picada para o pensamento”, conta a atriz Denise Fraga durante um papo animado com o Trip FM. Na conversa, ela falou um pouquinho de tudo: filhos, sobre o que a mantém "encucada" à noite, de etarismo, amor e até da paixão pelo perfume hippie patchouli. Uma das grandes potências do teatro nacional, Denise brilhou no ano passado com a peça “Eu de Você”, outro trabalho desenvolvido com o parceiro de vida e profissão Luiz Villaça e a produtora Café Royal. “Essa foi a primeira vez em que fui para uma sala de ensaio sem texto, para recolher histórias e trançá-las com literatura, música e poesia. Eu nem sei do que é a peça, mas emociona, virou uma experiência”, explica. Confira um trecho da entrevista aqui na página ou ouça o programa completo no Spotify.  
70:37 26/01/2024
O melhor do Trip FM em 2023: Milhem Cortaz
Confira um dos melhores papos que rolaram ano passado enquanto preparamos mais episódios inéditos para 2024 Durante o período de férias de verão, nossa equipe selecionou alguns dos melhores papos do ano de 2023. Se você ainda não ouviu (ou quer rever a conversa), aqui está uma das escolhidas. O ator Milhem Cortaz está vivendo uma transformação incrível em sua vida pessoal e profissional. No início da década de 1990, quando ainda era adolescente, ele foi mandado por sua família para morar com a tia na Itália após “se enfiar na obsessão da cocaína”, como ele mesmo define. “Isso me levou para um buraco muito grande. Eu quase acabei com a minha família, emocionalmente e financeiramente”, conta. Hoje, o artista enxerga o que viveu como algo que o fez crescer. Outro momento importante em sua trajetória, principalmente no que diz respeito à saúde, aconteceu pouco antes da pandemia. Milhem encontrou um médico que o ajudou a superar suas crises de pânico, que o afligiam desde 1998, e até mesmo abriu, mais recentemente, uma padaria aconchegante na garagem de casa. Essa mudança o aproximou de seus vizinhos em Perdizes, bairro nobre onde mora em São Paulo, reacendendo relacionamentos que há muito tempo estavam adormecidos. “Hoje, eu conheço muita gente do meu bairro, como se eu ainda andasse de skate, andasse de bicicleta, como se eu me relacionasse, jogasse taco na rua.” [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2024/01/65aae91b4aaae/milhem-cortaz-ator-padeiro-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Reprodução / Instagram; LEGEND=Milhem Cortaz; ALT_TEXT=Milhem Cortaz] Em uma conversa sincera com o Trip FM, o ator compartilha ainda sua jornada de amor, fala sobre seu vício precoce em cocaína e revela detalhes dos bastidores de "Os Outros", um marco de maturidade em sua carreira. O programa está disponível aqui no site da Trip e no Spotify.
50:03 19/01/2024
O melhor do Trip FM em 2023: Marcos Palmeira
Confira um dos melhores papos que rolaram ano passado enquanto preparamos mais episódios inéditos para 2024 Durante o período de férias de verão, nossa equipe selecionou alguns dos melhores papos do ano de 2023. Se você ainda não ouviu (ou quer rever a conversa), aqui está uma das escolhidas. "Tenho muito orgulho de constatar como fui capaz de me inserir profundamente no Brasil, representando com personagens o homem de diversas regiões, seja do sul, do norte, do nordeste ou do sudeste. Isso é algo muito enriquecedor e, como tenho uma paixão pelo país, considero isso uma combinação perfeita entre o útil e o agradável", afirmou o ator Marcos Palmeira em uma conversa com o Trip FM. Afastado da televisão desde o término da novela "Pantanal", exibida em 2022 na Globo, o artista compartilhou suas percepções sobre a regravação de "Renascer", de Benedito Ruy Barbosa, e também sobre as filmagens da série "Cidade de Deus", da HBO Max. Na produção, que dá continuidade ao aclamado filme homônimo de 2002, Marcos interpreta Genivaldo Curió, um líder carismático que controla o tráfico na comunidade. "Na série, o cenário é marcado pela violência, mas ela explora como as pessoas conseguem sobreviver nesse universo, revelando como a comunidade se reconstrói diariamente", destacou o ator. Marcos ainda falou sobre sua dedicação à agricultura orgânica, a política no Rio de Janeiro, o processo de envelhecimento e outros temas. A entrevista completa fica disponível aqui no site da Trip e no Spotify.
47:20 12/01/2024
O melhor do Trip FM em 2023: Leticia Colin
Confira um dos melhores papos que rolaram ano passado enquanto preparamos mais episódios inéditos para 2024 Durante o período de férias de verão, nossa equipe selecionou alguns dos melhores papos do ano de 2023. Se você ainda não ouviu (ou que rever a conversa) aqui está uma das escolhidas. Leticia Colin cresceu diante das câmeras, deixando um pedacinho de si em cada personagem que interpretou, como ela mesma relata. Hoje, com 33 anos e mais de duas décadas de carreira, ela parece ter adquirido muito mais do que deixou para trás, mesmo sem ter tido tempo para buscar uma formação formal em sua área. Em um papo com o Trip FM, sempre com clareza e doçura, inclusive ao discutir assuntos complexos, como a depressão e comentar seus novos papéis, a atriz contou, em primeira mão, sobre a sua entrada no elenco da segunda temporada da série “Os Outros”, sucesso da Globoplay. Neste novo papel, muito mais densos do que outros que já teve na TV, ela dá vida à Raquel, uma evangélica com dificuldades de engravidar — que, claro, também se envolve nos conflitos do condomínio de classe média no Rio de Janeiro. Embora se sinta nervosa devido à grande responsabilidade desse papel, também vê nele uma forma de amenizar uma insegurança constante de ficar parada: “Tenho dificuldade em ficar sem trabalhar. Como faço isso há muito tempo, tenho essa tendência à produtividade, algo que afeta a todos nós. Não nos permitimos o ócio porque tememos verdadeiramente conhecer nossas mentes”, disse. Leticia falou ainda sobre drogas, das experiências intensas de quando está gravando, de relacionamento e maternidade. O programa completo está disponível no play aqui em cima e no Spotify.  [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/12/6585f4e0a369c/leticia-colin-atriz-melhores-do-ano-tripfm-mh.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=]
65:13 06/01/2024
O melhor do Trip FM em 2023: Eduardo Schenberg
Confira um dos melhores papos que rolaram durante este ano enquanto preparamos mais episódios inéditos para 2024 Durante o período de férias de verão, nossa equipe selecionou alguns dos melhores papos do ano de 2023. Se você ainda não ouviu (ou que rever a conversa) aqui está uma das escolhidas.  relação pessoal e profunda do neurocientista Eduardo Schenberg, de 43 anos, com a ayahuasca tornou-se um caminho para ele impactar a vida dos outros, ao iniciar uma investigação sobre os benefícios do uso de psicodélicos para tratar a saúde mental das pessoas – além do chá preparado a partir de um cipó, inclua na lista o LSD, MDMA [sigla do composto químico metilenodioximetanfetamina, princípio ativo do ecstasy] e a psilocibina (presente nos cogumelos alucinógenos). Seu ponto de partida foi estudar o efeito da ayahuasca no cérebro de voluntários saudáveis, objeto de estudo do pós-doutorado iniciado em 2011 na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Na sequência, entre 2014 e 2015, partiu para o Imperial College de Londres, onde foi o único brasileiro a participar do primeiro estudo mundial que trouxe imagens da atividade cerebral sob efeito de LSD. Da Inglaterra, Eduardo trouxe novos conhecimentos e a velha certeza de que fazer ciência no Brasil é lutar diariamente. Essa situação, no entanto, não parou Eduardo em sua busca por entender como as drogas psicodélicas podem agir positivamente na vida das pessoas. Junto com o pós-doutorado na Unifesp, o paulistano havia iniciado as atividades do instituto Plantando Consciência, organização sem fins lucrativos onde desenvolveu suas pesquisas com psicodélicos. Entre os estudos que conduziu, estava o uso de MDMA em voluntários diagnosticados com transtorno do estresse pós-traumático (TSPT) – pessoas que passaram por situações extremas, como sequestro, abuso sexual, tiroteio, assalto, morte repentina de familiares etc. Ao atravessar os preconceitos e estereótipos associados a drogas normalmente lembradas pelo uso recreativo, Eduardo passa a procurar respostas para perguntas que, no Brasil, não vinham sendo feitas. Dessa forma, se alinha ao que se vê com cada vez mais frequência em grandes centros de pesquisa pelo mundo. O MDMA foi sintetizado em 1970 e, na década seguinte, como princípio ativo do ecstasy, passou a ser usado de modo recreativo, o que resultou na proibição. Nos Estados Unidos, a retomada do trabalho com a droga para fins terapêuticos se deu nos anos 90 e, até 2025, a substância deve entrar para a lista de medicamentos liberados pelo FDA, o órgão responsável por regulamentar remédios e tratamentos nos EUA. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/12/6585f6b617207/eduardo-schenberg-melhores-do-ano-tripfm-mh.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=] Hoje em dia, Eduardo está a frente do instituto Phaneros, que se prepara para poder começar a tratar até 220 pacientes, aqui no Brasil, entre 2024 e 2025, por meio de psicoterapias assistidas por MDMA e psilocibina, mas que ainda depende de financiamento e acaba de abrir uma campanha de financiamento coletivo por em www.catarse.me/pap2023 Em um papo com o Trip FM, Eduardo conta sobre tudo isso, em um papo muito interessante que fala ainda de ancestralidade, reconexão com a natureza e o estado da saúde mental no Brasil e no mundo.
68:14 29/12/2023
Andréa Beltrão só quer nadar e jogar bola
Atriz não esquiva do debate sobre envelhecimento, mas recusa rótulo de porta-estandarte contra o etarismo e tem muito a dizer Andréa Beltrão não tem medo de se posicionar quando o assunto é envelhecimento. Desde que deu vida à Rebeca, uma mulher de 50 anos que recusava qualquer caixinha que a limitasse na novela “Um Lugar ao Sol” (2021), na Globo, a atriz assumiu um lugar de destaque nesse debate. Mas ela tem muito mais a dizer. “Todo mundo começou a me chamar para falar de menopausa. Pera aí! É crucial discutir esse tema, mas não é legal designar uma pessoa para falar sobre isso apenas por causa de uma novela, que, embora tenha sido incrível, não me torna a embaixadora. Somos muitas, somos todas. Prefiro ser reconhecida como a ‘mulher que não sai da praia’. É assim que quero ser chamada", diz. E não sai mesmo. Entre a natação no mar de Copacabana e a altinha, seu novo vício, ela nem mais se incomoda com a presença dos paparazzi atrás de uma foto de biquíni. "Não me afeta, afinal, estou lá todos os dias; essa foto vai enjoar. Se começou valendo duzentos reais, hoje nem paga mais o Chicabon". Em uma conversa descontraída com o Trip FM, Andréa falou sobre maternidade, vida e morte, fama, empreendedorismo e seu novo trabalho, "Lady Tempestade". Com estreia marcada para janeiro, a peça conta a história da advogada Mércia Albuquerque, que lutou para defender presos políticos durante a ditadura e apoiar suas famílias. Você pode ouvir a conversa na íntegra no play aqui em cima ou no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/12/65835e5c89187/andreia-beltrao-atriz-novela-natura-tpm-mh.jpg; CREDITS=Lucas Seixas (@retratoslucas); LEGEND=Andrea Beltrão; ALT_TEXT=Andrea Beltrão] Trip FM. Vamos falar sobre o assunto mais importante: a natação. A natação é uma parte muito importante da minha vida ordinária, é um lugar só meu. Não é um lugar do bem-estar, porque eu acho que na civilização não há esse lugar do bem-estar absoluto, é um lugar de entrega. Eu gosto muito de um certo anonimato possível que eu até consigo nas minhas idas à praia. Pode ter até alguém me fotografando, mas não me afeta, até porque eu tô todo o dia lá, essa foto vai enjoar, se começou valendo duzentos reias, hoje já não paga nem mais um Chicabon. Essa vidinha ordinária de nadar, ler um livro, jogar uma altinha que agora é a minha nova mania, é vital. Eu me sinto muito atraída pelo fazer, correr, subir em árvore. O tempo vai passando e os limite vão aparecendo. Tudo bem, mas a praia tem a ver com essa força, essa paixão pela vida. Como você avalia hoje o seu papel como mãe? Os filhos geralmente vêm em uma época em que você está com muita garra de trabalhar, coisas para fazer, desejos, impulsos. Então os pais ficam muito mais ausentes do que gostariam de estar. Mas eu gosto de trabalhar, do convívio, de estar com outras pessoas, do reconhecimento financeiro. É um equilíbrio delicado. Eu acho que me saí razoavelmente bem: meu filhos são pessoas legais. Mas precisa ter atenção, o chamado de fora é muito forte. Essa coisa tão prosaica de desenhar, fazer o carrinho andar, vestir a boneca, pode parecer quase nada, mas é muito grande. A gente nem sabe quando isso vai se transformar em uma explosão maravilhosa lá na frente. O afeto faz um caminho muito forte. Como você tem lidado com esse papel de ser a voz da mulher de 50/60 anos? Depois de “Um Lugar ao Sol” começaram a me chamar pra fazer matéria de capa para falar de menopausa. Pera aí. Eu não vou virar porta-estandarte para falar de menopausa e seus efeitos. Esse assunto tem que ser muito discutido, mas não é legal eleger uma pessoa para falar disso por conta de uma novela, que foi legal à beça, mas não me faz a embaixadora. Somos muitas, somos todas. Eu prefiro o posto da mulher que não sai da praia. Eu quero que me chamem assim.
66:50 22/12/2023
Maeve Jinkings: Vulnerabilidade é potência (pt.2)
Em segunda parte de um papo potente, atriz fala de envelhecimento, da indústria audiovisual e da falta de controle no trabalho "A maior dificuldade é imaginar, sendo a indústria tão etarista como ela é, qual espaço vai existir para a Maeve de noventa e poucos anos", diz a atriz Maeve Jinkings. "Eu acho que vai ser inteligente dos roteiristas contar essas histórias, pois no futuro a maioria da população vai ser de pessoas mais velhas. Eu quero chegar nos 120, com 70 ainda vou estar na flor da idade". Na segunda parte de uma conversa com o Trip FM, ela falou sobre envelhecimento, sobre a precarização do mercado audiovisual e a falta de controle do ator no resultado final de um filme. O programa está disponível no play acima e no Spotify. Você pode conferir a primeira parte desse papo aqui.  [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/12/657cc2d393d54/maeve-jinkings-atriz-mh.jpg; CREDITS=Gil Inoue; LEGEND=Maeve Jinkings; ALT_TEXT=] Trip. Com tanto tempo de cinema, consegue dizer o que falta alguma coisa em relação às condições de trabalho? Maeve Jinkings. As plataformas de streaming entraram em um momento importante, possibilitando que a indústria continuasse em movimento quando perdemos a força do Ministério da Cultura. Por outro lado, eu sinto que neste momento de precarização e vulnerabilidade da indústria, foram estabelecidos alguns vícios. Quando você dá condições mais dignas de salário, jornada de trabalho, de distribuição de lucro, quando eu estou em um ambiente de trabalho sendo vista, é fisiológico, a minha criatividade, o meu tesão de trabalhar, é incomparável ao do ambiente onde não me sinto respeitada. Não é sobre paparicar, e nem só sobre os autores, em um ambiente justo todo mundo executa melhor a sua função. Sinto falta de falar disso com menos tabu. Você disse que recentemente precisou ser caracterizada com 30 anos a mais. Como se sentiu? Me caracterizar com 70 anos de idade foi incrível, me deu uma confusão mental. Achei que fosse ficar assustada, mas confesso que gostei, me achei uma velhinha bem gata. Me deu uma segurança de saber que lá na frente vou estar vivendo coisas boas. Chegando aos 40 foi difícil perceber que estava com a vista cansada, por exemplo, mas hoje em dia já estou aceitando bem. A maior dificuldade é imaginar, sendo a indústria tão etarista como ela é, qual espaço vai existir para a Maeve de noventa e poucos anos. Eu acho que vai ser inteligente dos roteiristas contar essas histórias, pois no futuro a maioria da população vai ser de pessoas mais velhas. Eu quero chegar nos 120, com 70 ainda vou estar na flor da idade. No Brasil existem grandes exemplos disso. A Fernanda Montenegro é um. O ofício do ator tem essa magia. Eu amo conversar com criança, com idoso, com quem for, porque eu estou contida em todas essas pessoas e essas pessoas estão contidas em mim. Eu aprendo muito sobre a nossa condição conversando com os outros. E fico pensando em como o mundo vai me tratar quando eu estiver mais velha. Quais serão as condições de trabalho? Não porque eu quero continuar produzindo o tempo inteiro, mas porque eu quero seguir trocando, me comunicando com as pessoas.
42:07 15/12/2023
Maeve Jinkings: Vulnerabilidade é potência
Com vontade de interpretar até os 125 anos, a atriz olha para dentro para criar protagonistas complexas, virtuosas, malvadas e imperfeitas “Nos momentos de glória eu preciso fazer um esforço muito grande, porque sei que estou sujeita a me deixar embriagar por essa coisa ilusória que é o sucesso”, diz a atriz Maeve Jinkings. “Tenho muito medo de me perder de mim e, ao mesmo tempo, sei que a minha maior riqueza é a capacidade de me aproximar da minha humanidade e das pessoas”. Brasiliense de nascimento, paraense de criação e recifense de coração, a atriz invadiu o cinema nacional com sua energia poderosa há mais de uma década, quando interpretou uma dona de casa solitária no filme “O Som ao Redor” (2012), dirigido por Kleber Mendonça Filho. Desde então, Maeve se joga sem medo em papéis intensos e envolventes no cinema – ela está em cartaz com o longa “Pedágio” – e em séries como “Os Outros” e “DNA do Crime”. “Eu busco personagens femininas complexas, virtuosas, malvadas, com imperfeições”, diz. Maeve tem muito a dizer – e por isso esta é apenas a primeira parte de uma conversa potente da atriz com o Trip FM. Ela respondeu perguntas dos colegas Thomás Aquino, Leticia Colin, Andréia Horta e Camila Márdila, falou sobre vida, morte, máscaras sociais e muito mais. O programa está disponível no play acima e no Spotify. A segunda parte da conversa você confere aqui.  [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/12/65739a1ce1006/1006x1006x960x540x20x176/whatsapp-image-2023-12-08-at-40855-pm.jpeg?t=1702074935785; CREDITS=Gil Inoue; LEGEND=; ALT_TEXT=] Trip. Nesses anos todos de entrevista a gente percebe que quem lida melhor com a fama é quem tem apoio da família, dos amigos, e também uma riqueza interior. Você concorda? Maeve Jinkings. Nos momentos de glória eu preciso fazer um esforço muito grande, porque sei que estou sujeita a me deixar embriagar por essa coisa ilusória que é o sucesso. Tenho muito medo disso, porque sei quão tóxico pode ser. Tenho muito medo de me perder de mim e sei que, ao mesmo tempo, a minha maior riqueza é a capacidade de me aproximar da minha humanidade e das pessoas. Para isso preciso me aterrar, entender as minhas vulnerabilidades, os meus medos. Nos meus momentos de maior fragilidade e de necessidade de maior força, a consciência da nossa finitude, do quão pequeno a gente é, me ajuda a simplificar a vida e me acalma. E em relação aos amigos? Eu brinco com eles e falo: “Gente, se eu enlouquecer, manda uma cartinha”. A gente vive num mundo que às vezes é tão hiper elogioso. É claro, tem os haters, mas eu sinto falta de ter um feedback. Eu amo ser amada, sem demagogia, mas não sinto necessidade que as pessoas amem tudo o que eu faço. Tenho um desejo, uma curiosidade sobre a verdade das pessoas. Fico com medo de me perder das pessoas nesse mundo em que qualquer coisa a gente levanta, bate palma de pé, mas quando se afasta fala: “Foi mais ou menos, né?”.
45:53 08/12/2023
Marcelo Gleiser: cosmos, ciência e ultramaratona
Físico fala da meditação no esporte, psicoterapia assistida com psicodélicos, vida, morte e amor Se você também está enfrentando as ondas de calor, vivenciando os tsunamis meteorológicos, ou acompanhou espantado os noticiários sobre os tornados e tempestades na Região Sul do Brasil, certamente ouviu falar da importância da ciência e da necessidade de mudar a relação entre ser humano e natureza. Afinal, o mundo não vai bem. E para debater essa triste realidade, o Trip FM ouviu um dos maiores cientistas do mundo, o físico e astrônomo Marcelo Gleiser, que há anos tem sido uma voz contundente na interpretação das angústias humanas e no futuro da humanidade. "Não tente construir narrativas de imortalidade, porque isso não vai acontecer. O segredo da vida é vivê-la da maneira mais intensa possível, e para isso, é necessário se alimentar bem, exercitar o corpo e a mente. Leia, escreva, jogue xadrez, aprenda uma nova língua para permanecer sempre alerta. Este é o segredo do transumanismo: tornar-se cada vez mais humano”, disse ele. Desde criança, Marcelo nutre uma curiosidade muito grande pelos mistérios do universo. Questões sobre como surgiu tudo o que nos rodeia, a origem da própria vida e a inquietude de querer saber se estamos sozinhos no cosmo ocupavam — e ainda ocupam — sua mente. Em 1981, ele se formou em física na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, fez mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado no King’s College de Londres. Desde 1991, é professor e pesquisador no Dartmouth College, nos Estados Unidos. "A gente só aprende porque se questiona sobre as experiências que temos. Se você não tentar aprender com o que está acontecendo, com o que não deu certo, vai continuar errando sempre. Sou um estudioso não só da física, mas um estudioso da vida e, certamente, um estudioso do amor.” No papo, Marcelo falou ainda sobre o esporte como uma forma de meditação, a psicanálise auxiliada por substâncias psicodélicas, a vida, a morte, o amor e muito mais. A entrevista completa está disponível aqui no site da Trip e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/11/655fb9efbdbfd/tripfm-marcelo-gleiser-cientista-mh.jpg; CREDITS=Dartmouth College / Divulgação; LEGEND=Marcelo Gleiser; ALT_TEXT=Marcelo Gleiser] Trip FM. Você é ultramaratonista, como isso ajuda na preservação da sua mente, é também uma forma de meditar? Em uma ultramaratona, tudo dói, você fica desidratado, com câimbra, com fome, mas a medida que o seu corpo quebra, a sua alma se abre. O grande desafio é como você vai sobrepujar o que a cabeça te pede, porque chega uma hora que você nem sabe quem é, entra em sintonia completa com a natureza ao redor: é a exposição ao que melhor existe na essência do ser humano. Nosso corpo foi feito para correr, para estar na natureza. Nas cidades a gente paga um preço emocional muito grande por estar longe da natureza. A ideia da meditação em movimento é a de estar totalmente presente no momento, com foco no movimento. É uma maneira de parar de pensar, o que é inestimável. Em que medida a perda da sua mãe aos seis anos fez parte da sua busca pelo desconhecido? Quando você é uma criança e perde uma mãe, há um vácuo emocional gigantesco. Isso molda quem você é como ser humano. Primeiro eu me senti vitimado: “O que eu fiz para merecer essa vida?”. Ali eu entendi que o tempo é o nosso grande mestre. A mãe é aquela que jamais pode abandonar o filho, mas essa ótica era muito centrada em mim. Com o passar dos anos eu fui começando a entender que a perda foi dela, a dor de perder a vida aos 38 anos foi dela. Comecei a entender esse processo de uma forma mais generosa e menos egoísta. Quando algo acontece com a gente, a tendência é a de se vitimar e esquecer o que aconteceu com as outras pessoas que estão em volta de você. Aprendi que se houvesse alguma coisa a me relacionar com a perda da minha mãe seria dedicar a minha vida a viver o que ela não pode viver. Essa força de explorar o mistério é de uma certa forma uma maneira de me engajar com esse desconhecido. E a morte é esse desconhecido. O que significa ser humano? Somos uns bichos muito estranhos, temos um lado todo animal, a gente precisa comer, secreta o que não precisa no meio ambiente, se reproduz, tem emoções parecidas com as de muitos outros mamíferos. Mas, por outro lado, nós questionamos quem somos, criamos teorias sobre o universo, tentamos entender se existe vida fora da terra, escrevemos sinfonias... Tudo isso é um grande esforço para preservar a nossa presença no mundo. Quando você lê um poema do Vinicius de Moraes, ele está contigo. Você só morre quando ninguém mais lembra que você viveu. Nenhum outro bicho faz isso. O que você pode dizer por essa busca pelo transumano, a busca pela vida eterna? Desde a Idade Média, a expectativa de vida dobrou. A ciência já está aumentando a vida, mas até onde a gente pode ir? Será que a ciência pode conquistar a morte? É o mito do Frankenstein. O transumanismo é a última versão dessa história. São duas correntes: uma de usar implantes no corpo e expandir a sua capacidade de visão, força, etc. E tem essa visão de ficção científica de você se transformar em uma nuvem de informação transportada de máquina em máquina. Não tem nada de científico nisso. O que me interessa é o seguinte: viva a vida da melhor forma enquanto você está vivo. Não tente tecer histórias de imortalidade porque isso não vai acontecer. O segredo da vida é vivê-la da maneira mais intensa e para isso é preciso se alimentar bem, exercitar o corpo e a mente. Leia, escreva, jogue xadrez, aprenda uma língua nova para continuar sempre alerta. Esse é o segredo do transumanismo, ser cada vez mais humano, aqui.  
61:38 24/11/2023
Marcos Palmeira: 60 anos de idade, 48 de TV
Ator se prepara para o remake de "Renascer" e comenta papel em série spin-off de "Cidade de Deus" "Tenho muito orgulho de constatar como fui capaz de me inserir profundamente no Brasil, representando com personagens o homem de diversas regiões, seja do sul, do norte, do nordeste ou do sudeste. Isso é algo muito enriquecedor e, como tenho uma paixão pelo país, considero isso uma combinação perfeita entre o útil e o agradável", afirmou o ator Marcos Palmeira em uma conversa com o Trip FM. Afastado da televisão desde o término da novela "Pantanal", exibida em 2022 na Globo, o renomado artista, conhecido por seus papéis marcantes na teledramaturgia, compartilhou suas percepções sobre a regravação de "Renascer", de Benedito Ruy Barbosa, e também sobre as filmagens da série "Cidade de Deus", da HBO Max. Na produção, que dá continuidade ao aclamado filme homônimo de 2002, Marcos interpreta Genivaldo Curió, um líder carismático que controla o tráfico na comunidade. "Na série, o cenário é marcado pela violência, mas ela explora como as pessoas conseguem sobreviver nesse universo, revelando como a comunidade se reconstrói diariamente", destacou o artista. Além disso, durante a entrevista, Marcos abordou sua dedicação à agricultura orgânica, discutiu sobre rótulos, a política no Rio de Janeiro, o processo de envelhecimento e outros temas. A entrevista completa fica disponível aqui no site da Trip e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/11/6557d7f1ef10e/tripfm-leticia-colin-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Marcos Palmeira; ALT_TEXT=Marcos Palmeira] Trip FM. Tem gente que liga mais e tem também quem ligue menos, mas fato é que aos 60 anos a gente ganha oficialmente a carteirinha de idoso. Como esse número bateu para você? Eu não quero estar bonito, quero estar bem. Não fico atrás de ser um homem de sessenta com cara de trinta. Mas existe uma bobagem da dramaturgia de perseguir a juventude, mesmo existindo personagens incríveis para serem contados com sessenta, setenta… Uma história de amor nessa idade é incrível de ver. Como é essa paixão? Mas a gente fica sempre amarrado àquela coisa da energia juvenil. É um privilégio eu ainda ter a oportunidade de fazer bons personagens. O Brasil demorou muito a valorizar a dramaturgia. Fui criado no audiovisual e ouvi muitas vezes “O roteiro não é muito bom, mas o diretor resolve na hora”. A gente demorou muito para olhar para o que estava sendo contado. Eu não acredito em uma história que não está bem escrita. Você foi um dos primeiros a sai da Globo para o mercado do streaming. Como você vê a cena audiovisual hoje? O ator brasileiro deve ser um dos mais mal pagos do mundo e por culpa nossa mesmo, nós, atores que não fizemos esse dever de casa há 30 anos. Agora estamos correndo para ter uma voz comum de discussão, de respeito na utilização da nossa imagem. É um momento rico, mas que surge dentro de uma grande crise. Tem muito ator bom sem trabalho. Acredito muito no potencial do audiovisual brasileiro. Somos meio Macunaíma: queremos mil, mas aí não tem nem dez e você vai e entrega mesmo assim. Se a gente não se valorizar, quem vai? O que me assusta um pouco é quando você sai daquilo que quer contar para o que acha que o outro quer ouvir. Como carioca, como você enxerga a situação no Rio de Janeiro ultimamente? Eu amo o Rio de Janeiro, sou carioca, vou continuar aqui, votando e tentando acertar, mas acho que estamos em uma decadência grande. Tem um lado do ser humano que não deu certo. Tenho esperança de melhora, mesmo não vendo nada que alimente essa esperança. Eu queria ver a zona norte de misturar com a zona sul, ver a gente se frequentar. Imagina a explosão cultural? O que temos agora é uma cidade partida.
65:02 17/11/2023
Leticia Colin: enfim uma atriz sem medo da vida real
A paulista fala sobre a 2ª temporada da série “Os Outros”, sucesso da Globoplay, drogas, relacionamento e maternidade Leticia Colin cresceu diante das câmeras, deixando um pedacinho de si em cada personagem que interpretou, como ela mesma relata. Hoje, com 33 anos e mais de duas décadas de carreira, ela parece ter adquirido muito mais do que deixou para trás, mesmo sem ter tido tempo para buscar uma formação formal em sua área. Em um papo com o Trip FM, sempre com clareza e doçura, inclusive ao discutir assuntos complexos, como a depressão e comentar seus novos papéis, a atriz contou, em primeira mão, sobre a sua entrada no elenco da segunda temporada da série “Os Outros”, sucesso da Globoplay. Neste novo papel, muito mais densos do que outros que já teve na TV, ela dá vida à Raquel, uma evangélica com dificuldades de engravidar — que, claro, também se envolve nos conflitos do condomínio de classe média no Rio de Janeiro. Embora se sinta nervosa devido à grande responsabilidade desse papel, também vê nele uma forma de amenizar uma insegurança constante de ficar parada: “Tenho dificuldade em ficar sem trabalhar. Como faço isso há muito tempo, tenho essa tendência à produtividade, algo que afeta a todos nós. Não nos permitimos o ócio porque tememos verdadeiramente conhecer nossas mentes”, disse. Leticia falou ainda sobre drogas, das experiências intensas de quando está gravando, de relacionamento e maternidade. O programa completo está disponível no play aqui em cima e no Spotify.  [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/11/654b8d3840ab3/leticia-colin-atriz-globo-tripfm-mh.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=]  Trip FM. O que você aprendeu sobre adicção em "Onde Está Meu Coração"? Nós estamos em uma sociedade que cada vez mais produz a adicção. Seja medicamentosa, de games, de comida, de álcool, cocaína, sexo. É uma sociedade que lida muito mal com isso, e não como uma questão de doença, mas de polícia. Aí a coisa degringola e piora muito mais. Todo mundo tem alguém que ama que vive algum problema de adicção. Ao mesmo tempo, nós somos uma sociedade que normatiza o álcool, une a socialização ao uso do álcool. Em “Onde Está Meu Coração”, nós falamos muito do crack e mostramos que a droga não para nos mais pobres, que ninguém está a salvo. É sobre a nossa condição humana que adoece e fica compulsiva. Como você faz para se desconectar de personagens densos como esses que tem feito ultimamente? O que a gente deixa no personagem, o que ficou gravado na retina da câmera, nunca mais volta. O que dei, o pedacinho da minha alma, ficou eternamente gravado naquele personagem. É bom também ir se colocando pelo caminho. Mas a gente recebe coisas também. Tem sensações em cena tão verdadeiras que aquilo gera algo, algo que estamos inventando na Terra. Você se apropria daquilo, que vai te pertencer para sempre. Esse seu jeito de falar sobre as coisas da vida com doçura vem do budismo? Verdade sem amor é crueldade, então sempre temos que colocar uma coisa mais doce pra vida não ficar dura demais. Eu já tive depressão algumas vezes, sou muito sensível. Eu não quero nunca que ninguém se sinta como eu. Óbvio que tem uma hora que vai ficar muito ruim a parada, mas isso também tem a beleza de ser a vida em si e de nesse momento a gente conseguir se reconhecer humanos, desarmar, chorar e experimentar uma sensação nova, levantar e ir adiante. Esse ciclo de algo dar errado, quase desistir e voltar à vida é muito bonito. Mas não é só cíclico, é espiralado, porque você roda, mas sai um pouco mais na frente. Há algum tempo, uma manchete anunciava que você tinha revelado o segredo do seu relacionamento, que um relacionamento não é algo fácil de manter. Como você tem feito? O Uri [filho] vai fazer quatro anos e agora sinto que sou mais confortável com essa nova função materna. Eu com o Michel já passamos por muitas fases, algumas muito difíceis, da gente achar que não está conseguindo renovar o olhar para o outro. O segredo do relacionamento é que ele acaba e depois recomeça. Você ter coragem de deixar isso vir à tona é a única coisa que faz ser possível recomeçar. E recomeçar é mais difícil que começar porque você já sabe o que vem pela frente.
65:10 10/11/2023
Por que a maioria dos médicos ignora a nutrição?
Como a falta de conhecimento sobre alimentação pode estar nos matando? Dr. José Souto responde No início dos anos 2000, a dieta com baixo consumo de carboidratos alcançou um sucesso estrondoso. Com o passar dos anos, no entanto, o hábito começou a enfrentar críticas e questionamentos quanto aos seus possíveis efeitos colaterais. “O fato da medicina não valorizar o estilo de vida é de natureza histórica e a nutrição ruim está na base da maioria das doenças crônicas e degenerativas”, diz o Dr. José Carlos Souto, que dedicou os últimos 12 anos de sua carreira ao estudo dos benefícios de uma dieta pobre em carboidratos.  Autor do livro "Uma dieta além da moda: uma abordagem científica para a perda de peso e a manutenção da saúde," lançado em setembro deste ano, ele assegura que uma dieta pobre em carboidratos é uma das melhores opções para combater a síndrome metabólica. Essa condição está associada à hipertensão arterial, níveis elevados de açúcar no sangue, acúmulo de gordura abdominal e desequilíbrios no colesterol.  “Se você está com pressão alta, diabetes ou gordura no fígado, você vai receber algum remédio. Isso é importante, mas é preciso saber que se você reduzir o açúcar, o amido e substituir por carnes, legumes, ovos, pode reverter boa parte dessa situação".  Em um papo com o Trip FM, ele falou ainda sobre a febre do medicamento Ozempic, a eficácia real do exercício físico na perda de peso e a preferência da indústria médica pelo uso de medicamentos em detrimento das mudanças no estilo de vida.  [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/10/653c285ac5ff8/jose-souto-nutri-tripfm-mh.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=] Trip FM. Por que você acha que a nutrição está em segundo plano no estudo da medicina? O fato da medicina não valorizar o estilo de vida é de natureza histórica, tem a ver com o sucesso da ciência na introdução de estudos clínicos para testes de drogas. Isso aliado com a evolução das cirurgias e das ferramentas cirúrgicas, da descoberta dos antibióticos, acabou eclipsando o estilo de vida. É curioso porque a nutrição ruim está na base da maioria das doenças crônicas e degenerativas, as principais que enfrentamos depois de uma certa idade. Nos congressos médicos onde acontece a atualização dos profissionais, o patrocinador é a indústria farmacêutica e de equipamentos médicos. Felizmente essa indústria existe. Mas o estilo de vida não é a grande novidade, ele não é sexy e não tem o patrocínio que vai colocá-lo em destaque. No consultório, quando chega na parte de falar sobre o estilo de vida, a resposta é de senso comum, o que dificilmente vai reverter problemas já instalados em grande parte da população, como sobrepeso, obesidade e as doenças metabólicas, como diabetes, pressão alta e gordura no fígado. Você tem recebido muitas críticas por defender a dieta com baixo consumo de carboidratos? O que estou propondo tem evidência científica robusta, o que já rebate boa parte das críticas. Não quero confrontar, quero propor algo que seja incorporado à prática dos colegas. Se você está com pressão alta, diabetes, acumulo de gordura na região da barriga, colesterol bom baixo, gordura no fígado… Você vai receber algum remédio, o que é importante, mas é preciso saber que se você pode reduzir o açúcar, o amido e substituir por carne, peixe, frango, salada, legumes, ovos, pode reverter boa parte dessas coisas. Isso é baseado em evidência, não é alternativa, precisa ser uma opção para que o paciente possa optar por esse caminho. E quanto o prazer de comer um pouco a mais, como fazemos em relação a ele? É importante que as pessoas não se prendam no mindset da perfeição. A vida se atravessa, há celebrações e festas, mas o deslize não é um pecado que precisa ser punido. É natural não esperar a perfeição e portanto quando o planejamento não dá certo, você retoma no dia seguinte e segue adiante. Essa é a vida.  
76:16 27/10/2023
Isabelle Nassar: Passarela, haters e sucesso na TV
Atriz carioca que interpretou Sara na novela Travessia, da Globo, fala sobre maternidade, filosofia e os impactos que a exposição na TV Nascida no Rio de Janeiro e criada no interior de Minas Gerais, a atriz Isabelle Nassar descobriu, aos 15 anos, que tinha potencial para ser modelo. Ela venceu concursos prestigiados da época, como o Elite Model Look e o Ford Models, e embarcou em viagens de trabalho para Milão e China — onde experimentou uma vida pouco glamorosa, compartilhando um apartamento com vinte outras jovens e vivendo experiências que a marcariam profundamente. Com a toxidade do mundo da moda naqueles tempos, Isabelle chegou a considerar fazer procedimentos cirúrgicos no nariz e no queixo. No entanto, um médico sensato a convenceu a esperar e aceitar a si mesma, evitando gastar dinheiro que não tinha. “Fui para casa revoltada, mas hoje eu agradeço e entendo que a minha diferença é o que me faz única.” Anos depois, ao estrear na novela “Travessia”, da Rede Globo, as experiências que teve mais jovem a ajudaram a navegar melhor pelos impactos que a exposição intensa na TV traz, como questionamentos sobre sua aparência. “Ser mulher deveria bastar, nosso feminino não pode ser legitimado por uma única forma. É uma questão de estereótipo. Cada vez mais estamos conseguindo nos aceitar, existir em todos os âmbitos e de todas as formas”, conta. No papo com o Trip FM, Isabelle falou sobre maternidade, a série "Bom Dia, Verônica", dinheiro, fama e muito mais. A entrevista, que você lê a seguir, está disponível no Spotify e no play aqui no site. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/10/6532da2f7cd2a/isabelle-nassar-atriz-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Carlos Teixeira (@studiocarlosteixeira); LEGEND=Isabelle Nassar; ALT_TEXT=] Trip FM. Você acha que o universo das redes sociais piorou a nossa relação com o próximo? Isabelle Nassar. O tempo presente é fruto de nossas ações, e não o contrário. Todos estamos incluídos nesta falta de diálogo. Na verdade, não sei se temos mais dificuldade de dialogar ou de escutar. A gente esquece que o mundo é plural e que as perspectivas de vida são diferentes e as polaridades que se apresentam deveriam transformar a gente. Como você tem lidado com uma filha adolescente e o tempo de exposição às telas? Cada dia é um dia com a minha filha; não tenho fórmula nenhuma para dar a ninguém. Se eles ficam muito tempo nas telas, é também porque nossa sobrecarga de trabalho é tão profundo que a gente acaba delegando. Eu não quero perder a minha filha, então a proibição não é a minha forma de ver o mundo. Tento entender o que ela está buscando na internet e tento negociar com notas de escola, com tempo… Às vezes a gente acerta, às vezes a gente erra. Nós somos seres de matilha, gostamos de pertencer. Eu sinto que essa adolescência, que foi interceptada pela pandemia, ficou pertencendo demais a um grupo online. É um desafio: a gente só vai entender essa geração quando eles tiverem 30 anos. Ser mãe é nunca estar perfeita. O mundo da moda pode ser muito cruel para a adolescente. Como foi no seu caso? Hoje, com a internet, os homens recebem um letramento de como se lidar com mulheres no âmbito corporativo. O RH precisa ensinar como se lidar com mulheres no ambiente de trabalho. Há 15 anos, no mundo da moda, era “não, você é gorda”, “saí daqui, seu queixo é grande”… Parece muito luxuoso quando eu falo que fui para China, para Milão, mas era um apartamento com vinte meninas com dinheiro no bolso para pegar o metrô. Quando se trata de uma adolescente, isso deixa marcas profundas. Eu fico feliz quando vejo que as coisas vão se organizando para um lado mais humano. Tudo o que queremos é ser visto, é pertencer, é ser amado. É verdade que você chegou a marcar cirurgia plástica, mas foi dissuadida pelo médico? O adolescente já não cabe no corpo que é dele, mas se não pertencer em um padrão, é ainda pior. Nos feedbacks que recebi quando era modelo, fiquei achando que teria que diminuir o queixo e fazer uma plástica no nariz. Ainda bem que o cirurgião captou que aquele era um desejo externo e não meu. Ele me convenceu a esperar e a me aceitar, a não gastar um dinheiro que eu não tinha. Fui para casa revoltada, mas hoje agradeço e entendo que a minha diferença é o que me faz única. Cada vez mais as mulheres se aceitam da forma que elas são: minha filha é muito mais leve nesta questão.
46:04 20/10/2023
Maeve Jinkings: atuação, tesão e eletrodomésticos
Ela já foi uma estrela do tecnobrega, uma dona de casa maconheira e outras tantas mulheres que a fizeram aprender sobre si mesma Brasiliense de nascença, paraense de criação e recifense de coração, a atriz Maeve Jinkings vem conquistando público e crítica com atuações brilhantes, tanto na televisão quanto no cinema. Após estrelar a série “Os outros”, da Globoplay, ela está no elenco de “DNA do Crime”, primeira série brasileira de ação policial da Netflix que será lançada em breve. Nos cinemas, Maeve está em cartaz com os filmes “Pedágio” e “Sem Coração”, exibidos no Festival do Rio, que vai até 15 de outubro. Em 2018, numa conversa com o Trip FM, a artista relembrou importantes momentos da carreira, como a personagem Bia, do longa “O som ao redor”, que marcou sua carreira e virou até inspiração para o seu pós-morte. “Eu acho que quando eu morrer, meu epitáfio no cemitério vai ser: 'aquela que fumava um baseado com um aspirador de pó', ou 'aquela que se masturbava na máquina de lavar'. Os eletrodomésticos irão comigo.” A entrevista fica disponível no Spotify e aqui no site da Trip. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/10/6520894d0da4d/maeve-jinkings-atriz-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Gil Inoue (@gil_inoue); LEGEND=Maeve Jinkings; ALT_TEXT=Maeve Jinkings]
33:20 06/10/2023
LSD, MDMA e Ayahuasca com ciência podem nos curar?
O prof. Eduardo Schenberg responde A relação pessoal e profunda do neurocientista Eduardo Schenberg, de 43 anos, com a ayahuasca tornou-se um caminho para ele impactar a vida dos outros, ao iniciar uma investigação sobre os benefícios do uso de psicodélicos para tratar a saúde mental das pessoas – além do chá preparado a partir de um cipó, inclua na lista o LSD, MDMA [sigla do composto químico metilenodioximetanfetamina, princípio ativo do ecstasy] e a psilocibina (presente nos cogumelos alucinógenos). Seu ponto de partida foi estudar o efeito da ayahuasca no cérebro de voluntários saudáveis, objeto de estudo do pós-doutorado iniciado em 2011 na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Na sequência, entre 2014 e 2015, partiu para o Imperial College de Londres, onde foi o único brasileiro a participar do primeiro estudo mundial que trouxe imagens da atividade cerebral sob efeito de LSD. Da Inglaterra, Eduardo trouxe novos conhecimentos e a velha certeza de que fazer ciência no Brasil é lutar diariamente. Essa situação, no entanto, não parou Eduardo em sua busca por entender como as drogas psicodélicas podem agir positivamente na vida das pessoas. Junto com o pós-doutorado na Unifesp, o paulistano havia iniciado as atividades do instituto Plantando Consciência, organização sem fins lucrativos onde desenvolveu suas pesquisas com psicodélicos. Entre os estudos que conduziu, estava o uso de MDMA em voluntários diagnosticados com transtorno do estresse pós-traumático (TSPT) – pessoas que passaram por situações extremas, como sequestro, abuso sexual, tiroteio, assalto, morte repentina de familiares etc. Ao atravessar os preconceitos e estereótipos associados a drogas normalmente lembradas pelo uso recreativo, Eduardo passa a procurar respostas para perguntas que, no Brasil, não vinham sendo feitas. Dessa forma, se alinha ao que se vê com cada vez mais frequência em grandes centros de pesquisa pelo mundo. O MDMA foi sintetizado em 1970 e, na década seguinte, como princípio ativo do ecstasy, passou a ser usado de modo recreativo, o que resultou na proibição. Nos Estados Unidos, a retomada do trabalho com a droga para fins terapêuticos se deu nos anos 90 e, até 2025, a substância deve entrar para a lista de medicamentos liberados pelo FDA, o órgão responsável por regulamentar remédios e tratamentos nos EUA. Hoje em dia, Eduardo está a frente do instituto Phaneros, que se prepara para poder começar a tratar até 220 pacientes, aqui no Brasil, entre 2024 e 2025, por meio de psicoterapias assistidas por MDMA e psilocibina, mas que ainda depende de financiamento e acaba de abrir uma campanha de financiamento coletivo por em www.catarse.me/pap2023 Em um papo com o Trip FM, Eduardo conta sobre tudo isso, em um papo muito interessante que fala ainda de ancestralidade, reconexão com a natureza e o estado da saúde mental no Brasil e no mundo. A conversa pode ser escuta na íntegra aqui no site ou no Spotify. Nós podemos dizer que o mundo moderno é um mundo cada vez mais pobre de saúde mental? A ciência não tem uma resposta única se a sociedade está enlouquecendo, mas os indicadores são preocupantes. A saúde mental em geral não vai bem nas grande metrópoles. No Brasil, as taxas de depressão, transtorno de estresse pós-traumático, dependência química, síndrome do pânico são altas. Mas nem tudo também se refere a diagnósticos psiquiátricos específicos. As pessoas podem estar descontentes, cansadas e em sofrimento e não necessariamente têm um diagnóstico muito claro. E muitas vezes as pessoas que estão neste sofrimento crônico não encontram solução nos tratamentos atuais. Além disso a gente tem que reconhecer que não se trata só de uma questão de saúde, mas é uma questão social. Pobreza, estimulo ao armamento, aumento da violência. Tudo está relacionado. No Brasil a violência é crescente e muito preocupante. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/09/6517525d0e87a/eduardo-schenberg-neurocientista-tripfm-mh.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=] Trip FM. É real a noção de que a conexão com a natureza, ainda que seja em um parque urbano, faz bem para a saúde mental? O ambiente urbano é estressante no nível de ruído, de poluição no ar. Ele modifica nosso ritmo, a gente desconecta do nascer e do pôr do sol, desconecta do claro e do escuro. Tudo isso mexe com os hormônios e afeta cada um de nós. Isso gera cansaço. Viver com a violência, trânsito, com muitas pessoas ao redor. Você acaba acostumando com um estado de estresse constante e é só quando você sai por um tempo que percebe em si mesmo como o corpo relaxa, como a cabeça pensa melhor, o ciclo do sono muda. Esse questão de ligação com a natureza é antiga. Existem registros no começo do século XX de pacientes que recebiam a prescrição médica de passar um tempo na natureza. Desde os primeiros trens, médicos começaram a especular que a tecnologia poderia fazer mal às pessoas. Como eu explico para os meus filhos sobre o ecstasy?  Dentro de um contexto de guerra às drogas, a abordagem mais inteligente e segura é a chamada redução de danos, diminuir os perigos, saber que substância você vai usar com os kits de teste. Falar que isso é apologia às dorgas é um absurdo. Redução de danos é cinto de segurança no carro. Imagina que o álcool não tivesse nem cheiro ou sabor e você não soubesse se é cachaça ou cerveja. As pessoas não sabem o que estão tomando e isso agrava muito o problema. No caso dos psicodélicos as pessoas precisam saber do momento de vida e o propósito do uso: é simplesmente uma recreação sem reflexão? Ou tem propósito de autoconhecimento? Não é à toa que existem as igrejas da ayahuasca no Brasil. São substâncias que geram uma reflexão muito profunda e precisam ser usadas com sabedoria. O uso recreativo deixa a comunidade científica ressabiada porque existe uma tendência ao uso pouco consciente, com provocações sociais para usar cada vez mais, o que pode desencadear ataques de pânicos e estados de muita ansiedade. No Brasil a gente tem a uma questão interessante que é o universo de certa forma regulamentado do uso religioso da ayauhaska que não é isento de problemas mas que tem se mostrado uma forma sociocultural de se fornecer um contexto seguro para que as pessoas vivenciem essa experiência minimizando riscos. O uso recreativo deve ser proibido? Ele atrapalha os estudos científicos? Proibir o uso recreativo? Combater a recreação, a dança, a música, a liberdade cognitiva das pessoas sobre o seus corpos. São princípios éticos que precisamos conversar. Mas, sim, há riscos também. A guerra às dorgas nunca conteve o uso. O aparato policial é absolutamente incapaz de impedir a circulação dessas substâncias que podem ser pingadas em um papelzinho e escondidas na mala das pessoas. Então eu sou bastante favorável a descriminalização e tirar o prioridade do orçamento às políticas bélicas. O que a gente vê é que a guerra às drogas é uma opção pela violência para impedir um certo tipo de uso, o uso recreativo, de substâncias que tem potenciais medicinais, terapêuticos e também, por que não, recreativos. Uma população que faz tanta recreação com álcool precisa se perguntar por que ela faz guerra com opções alternativas ao álcool.
69:06 29/09/2023
Alice Carvalho: de R$ 600 por mês a Cangaço Novo
Atriz potiguar que interpreta Dinorah Vaqueiro, protagonista da série da Prime Video, fura a bolha e desponta como talento da nova geração “O cinema mundial não está acostumado a ver mulheres brutas e imponentes em embates físicos emblemáticos”, diz a atriz potiguar Alice Carvalho, referindo-se à personagem que interpreta na aclamada série “Cangaço Novo”, da Prime Video. Nessa atuação, Alice incorporou com maestria a brutalidade de Dinorah Vaqueiro, uma cangaceira das brabas, e, após um árduo treinamento em artes marciais, criou uma figura rara no universo das obras de ação: uma mulher que mete a porrada. Antes de conquistar papéis de destaque, no entanto, Alice desdobrava-se em diversas atividades para dar vazão à sua inquietante vontade de se expressar — e também pra conseguir pagar as contas vivendo de cultura. Experimentou stand-up, escreveu livros e roteiros, dirigiu e atuou em peças de teatro.   Hoje, aos 27 anos, Alice se estabeleceu como atriz, já está filmando uma futura novela da Globoplay, chamada “Guerreiros do Sol”, com estreia marcada para 2024. Em um papo com o Trip FM, ela falou sobre os esses diversos “corres” de uma multiartista. “É uma forma de se virar, meu filho, pra tentar chegar no fim do mês”, diz. O papo fica disponível no Spotify e no play aqui no site. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/09/650e0bfc9b0dd/alice-carvalho-atriz-cangaco-novo-tripfm-mh.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=] Trip FM. É claro que há exceções, principalmente no humor, com nomes como Chico Anysio, mas durante muitos anos o artista nordestino foi muito desvalorizado. Em termos de grana, foi diferente para você? Alice Carvalho. Trabalho desde os meus 13, 14 anos, mas nunca tinha recebido nem 20% do meu cachê de "Cangaço Novo". Eu vivia com R$ 600 por mês. Acho que também essa coisa do multiartista foi uma forma de me virar, pra tentar fechar a conta no fim do mês. As últimas produções — como "Bacurau" e "Som ao Redor" — têm trazido esse olhar de fora do Sul e Sudeste, e investimento também, mas ainda falta muito. Infelizmente, no Brasil é desse jeito, precisa ser aprovado por 99% da crítica para a grana chegar. E são produções realmente de altíssimo nível? Se a gente botar o dinheiro na mão das pessoas certas para contarem suas histórias, o negócio fica muito bom. E eu acho que a gente tá começando a entender isso um pouco agora. Pô, bota a grana na mão de Kleber Mendonça e bota a grana na mão de Karim Aïnouz, bota a grana na mão das minas, entendeu? Da Juliana Almeida. Tem que botar grana na mão dessas pessoas. Falando sobre "Cangaço Novo", me conte um pouco sobre se transformar em uma mulher nervosa e explosiva e boa de porrada? O cinema mundial, arraigado de machismo, não está acostumado a ver mulheres nesse lugar, da ação. Eu queria ficar grande e bruta e forte, imponente mesmo, porque a partir do momento que a mulher começa a desenhar mais o corpo, eu já ouvi muitas vezes que perde um pouco o feminino. Era aí que eu treinava mais, era aí que eu entendia que eu estava no caminho certo.
46:47 22/09/2023
Milhem Cortaz: o ator genial, o pão e as farinhas
Ator fala de amor, drogas e "Os Outros" O ator Milhem Cortaz está vivendo uma transformação incrível em sua vida pessoal e profissional. No início da década de 1990, quando ainda era adolescente, ele foi mandado por sua família para morar com a tia na Itália após “se enfiar na obsessão da cocaína”, como ele mesmo define. “Isso me levou para um buraco muito grande. Eu quase acabei com a minha família, emocionalmente e financeiramente”, conta. Hoje, o artista enxerga o que viveu como algo que o fez crescer. Outro momento importante em sua trajetória, principalmente no que diz respeito à saúde, aconteceu pouco antes da pandemia. Milhem encontrou um médico que o ajudou a superar suas crises de pânico, que o afligiam desde 1998, e até mesmo abriu, mais recentemente, uma padaria aconchegante na garagem de casa. Essa mudança o aproximou de seus vizinhos em Perdizes, bairro nobre onde mora em São Paulo, reacendendo relacionamentos que há muito tempo estavam adormecidos. “Hoje, eu conheço muita gente do meu bairro, como se eu ainda andasse de skate, andasse de bicicleta, como se eu me relacionasse, jogasse taco na rua.” Em uma conversa sincera com o Trip FM, o ator compartilha ainda sua jornada de amor, fala sobre seu vício precoce em cocaína e revela detalhes dos bastidores de "Os Outros", um marco de maturidade em sua carreira. O programa está disponível aqui no site da Trip e no Spotify. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/09/6504bea5af3fa/milhem-cortaz-ator-tripfm-mh.jpg; CREDITS=divulgação / Globo / Estevam Avellar; LEGEND=Milhem Cortaz; ALT_TEXT=Milhem Cortaz]
51:02 15/09/2023
Rodrigo Lombardi: dinheiro, paternidade e televisão
Ator fala sobre seu receio de ficar pobre, o começo conturbado no teatro e o trabalho na televisão Rodrigo Lombardi é um dos mais requisitados atores da televisão brasileira. Paulistano, ele tentou uma carreira no vôlei antes de se jogar nas artes cênicas. Sua trajetória pelo palco começa em 1999, no grupo Tapa de teatro. Sua estreia na televisão aconteceu no mesmo ano, na novela Meu Pé de Laranja Lima, da Bandeirantes. Em 2005, com Bang Bang, fez seu primeiro trabalho na Rede Globo, onde trabalha até hoje e viveu importantes personagens, como o Raj, da novela Caminho das Índias, Herculano Quintanilha, da O Astro, e Alexandre Ticiano, da Verdades Secretas. Na conversa com o Trip FM, o ator fala do seu começo conturbado na carreira e revela que tem receio de ficar pobre: “Sempre tive medo de virar mendigo”. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2018/10/5bca19312a8b3/1935x964x960x540x488x130/rodrigolombardi.jpg; CREDITS=; LEGEND=; ALT_TEXT=]
30:55 08/09/2023
Patrícia Fonseca: Do transplante de coração ao triatlo
A economista ficou 2 meses na UTI, recebeu um novo coração aos 30 anos, virou atleta campeã e acaba de lançar um livro sobre sua trajetória Assim como a notícia do transplante de coração do apresentador Faustão parou o Brasil no mês passado, a história da economista Patrícia Fonseca também ganhou destaque nacional, em 2015. Na época, ela chegou às capas de revista por se tratar de uma das primeiras transplantadas de coração do mundo a se tornar triatleta. “Eu dou valor a ficar em pé, a andar. Na minha família a gente tem o conceito do ‘problema bom’: estourar um cano, bater um carro é problema bom, problema de quem está vivo. A vida é isso, é errar, aprender e descobrir”, diz. Hoje, Patrícia batalha para desmistificar os equívocos que cercam esse tipo de cirurgia e encorajar mais pessoas a optarem pela doação de órgãos. Ela acaba de lançar o livro “Coração de Atleta”, em que narra sua jornada. Em entrevista ao Trip FM, ela compartilha suas experiências, relembrando a angústia de aguardar na UTI por um coração compatível, as dificuldades enfrentadas durante a infância devido às complicações cardíacas e os medos após a cirurgia.  A entrevista fica disponível no Spotify e aqui no site da Trip. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/09/64f25a602c151/tripfm-patricia-fonseca-coracao-transplante-triatleta-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Patrícia Fonseca; ALT_TEXT=Patrícia Fonseca] Trip. O que você sentiu quando já estava internada esperando por um coração? Patrícia Fonseca. Eu fiquei cinco meses na espera por um coração, dois deles na UTI dependendo dos aparelhos para bombear o meu sangue. É um período de muita angústia porque a sua vida depende da escolha de outra pessoa, que não te conhece e vai decidir se salva você ou não. Pode chegar dali um dia ou não chegar nunca. Você começa a se perguntar se é o fim, mas na mesma medida é uma alegria enorme quando o coração chega. E que alegria que chegou para Faustão – e que chegou logo. Já vi coração chegar em uma hora e já vi rico morrer na fila da espera também. A nossa luta é para que as pessoas esperem cada vez menos nas filas. Antes disso, do ponto de vista psicológico, como você enfrentou todas as limitações que sua saúde impunha? Eu nunca olhei para o lado me comparando ao outro. Em um primeiro momento, precisei entender o que poderia fazer de melhor com aquela vida que eu tinha. Tem tanta coisa boa para fazer que a gente não pode escolher ficar bitolada num objetivo só, ou em um sonho ou pessoa qualquer. Eu não podia dançar, que era o que eu mais gostava, mas eu podia ler, a segunda coisa que eu mais gostava na vida. A questão cardíaca nunca me definiu. Hoje, olhando para trás, dá para tirar algo de positivo de tudo o que aconteceu? É muito duro com a Patrícia do passado falar isso, mas eu não mudaria a minha história. Foi muito difícil, mas isso me faz ter uma clareza do mundo que está à minha volta que eu não teria de outra maneira. Eu dou valor a ficar em pé, a andar. Tudo vira uma brincadeira. Na minha família a gente tem o conceito do problema bom: estourar um cano, bater um carro é 'problema bom', problema de quem está vivo. A vida é isso, é errar, aprender e descobrir.
56:51 01/09/2023
Yuri Soledade: A tragédia no Havaí vista de dentro
O surfista foi um dos primeiros a chegar em Lahaina, na ilha de Maui, após o incêndio que destruiu a região histórica e deixou 115 mortos No dia 25 de fevereiro de 2016, às 8 da manhã, o big rider baiano Yuri Soledade pegou a onda da sua vida. O paredão de mais de 20 metros que avançava em um bloco, feito um tsunami, é considerado uma das maiores ondas já surfadas na história. Mas não foi para falar de esporte que Yuri participou do Trip FM desta semana. Morador da ilha de Maui, no Havaí, ele foi um dos primeiros a chegar de barco em Lahaina após o trágico incêndio que destruiu a região histórica e deixou, por enquanto, 115 mortos; outras centenas de pessoas estão desaparecidas. No papo, ele conta como a comunidade com menos de 200 mil pessoas se uniu para tentar se reerguer, fala do prejuízo de perder o seu restaurante para o fogo, responsabiliza as autoridades americanas e descreve o que viu horas depois da tragédia. A conversa completa fica disponível no Spotify e aqui no site da Trip. [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/08/64e913403a140/yuri-soledade-surfista-havai-incendios-lahaina-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Lahaina; ALT_TEXT=Lahaina] Trip. Você consegue explicar o que aconteceu? E como você e sua família estão? Yuri Soledade. A gente teve um furacão que passou perto, ventos muito fortes, e isso, somado a fatores como o verão muito seco e a falta de preparação do governo, causou uma das piores tragédias dos Estados Unidos. Graças a Deus, a minha família está a salvo: a destruição aconteceu toda em Lahaina. Eu tinha um restaurante na região e fui uma das primeiras pessoas a pisar lá, a levar um barco. Ainda estava pegando fogo em tudo. Quando cheguei, entrei em choque. São cenas que nem em filme você vê. Meus empregados perderam tudo, mas estão bem. E como vai ser o impacto financeiro? O prejuízo é muito grande, mas a gente precisa olhar para frente. A comunidade precisa da nossa garra e esse é o nosso foco agora. Não quero pensar em dinheiro, mas estou preocupado com meus funcionários. Espero que o governo ajude, pois as pessoas estão precisando muito. Ainda não sei como a gente vai recuperar essa ilha de Maui. O que você viu quando chegou em Lahaina? Imagino que em poucos lugares do mundo já tenha ocorrido uma tragédia dessa. A quantidade de pessoas mortas, animais, o prejuízo cultural… Lahaina foi a primeira capital do estado havaiano, era a principal cidade turística. E não tinha infraestrutura, não tinha polícia, corpo de bombeiros, não tinha nada. Isso acarretou nesse desastre com mais de mil pessoas desaparecidas. Sem contar os imigrantes mexicanos, filipinos, que são pessoas invisíveis ao sistema e vão continuar invisíveis. Nos primeiros dias, quem ajudou foi a comunidade. Fora que começou uma campanha para evitar que as pessoas venham para cá – o que forma uma segunda onda de obstáculos, já que a população vive do turismo.
54:55 25/08/2023
Flavia Moraes: Cinema, androginia e a linguagem dos cavalos
Publicitária segue caminhada em direção às produções autorais e lança documentário sobre cavalos que questiona relação do homem com o mundo Flavia Moraes, uma das principais personalidades do cenário audiovisual brasileiro, está prestes a lançar um de seus projetos mais autênticos. Reconhecida por sua atuação dominante no mercado publicitário na década de 1990 e nos anos 2000, ela tomou um novo rumo na direção, focando em filmes com mais profundidade. “Não é uma questão de esclarecer os ignorantes, mas é preciso fazer uma reflexão dessa cegueira contemporânea”, explica. Esse novo caminho fica evidente em sua mais recente empreitada, o documentário "Visions in the Dark", em que explora a habilidade de um treinador de cavalos de demonstrar, de maneira intuitiva e não violenta, como é possível transformar nossa compreensão da natureza e de nós mesmos. Da Califórnia, nos Estados Unidos, onde mora atualmente, Flavia bateu um papo com o Trip FM sobre arquitetura, o cinema em Hollywood e sua identidade como pessoa não binária, entre outros assuntos fascinantes. O programa fica disponível no Spotify e aqui no play aqui em cima.  [IMAGE=https://revistatrip.uol.com.br/upload/2023/08/64dfe2ab0f7a9/flavia-moraes-cineasta-tripfm-mh.jpg; CREDITS=Divulgação; LEGEND=Flavia Moraes; ALT_TEXT=Flavia Moraes] Trip. Tem publicitário que te elogia como cineasta e diretor de cinema que fala que você é uma grande publicitária. Você sempre andou por vários mundos? Flavia Moraes. Eu sempre fui fora da casinha. Essa coisa do não binária me acompanha desde a questão de gênero até a questão profissional. Fiz uma carreira importante na propaganda, mas queria fazer cinema, então nunca me senti publicitária, mas também não era cineasta. Eu era gaúcha, mas morava em São Paulo. Tem uma pluralidade que vem de uma certa característica da busca, da vivacidade que eu tenho apesar de já ter uma certa idade. É verdade que quando criança você se disfarçava de menino pra entrar em campeonato de futebol? Eu jogava futebol na rua com os meninos. Durante os anos 60 o que se esperava de uma menina era boneca, mas eu batia um bolão. Chegou um momento em que a gente precisava jogar um campeonato e a Flavia entrou como Flavio. Eu lembro muito da situação, foi um pouco traumática porque eu não podia jogar, por exemplo, do lado dos sem camiseta. Engraçado, mas traumático. Tenho problema na coluna até hoje por tentar esconder o seio. Foram inúmeras situações complicadas e que não têm graça nenhuma; já levei uma surra de caminhoneiros em um posto de gasolina. O que te levou aos Estados Unidos? Eu vim para os EUA para me profissionalizar, pois no Brasil a gente trabalhava com sucata nos anos 90. Me apaixonei pela Califórnia, mas aqui eles também estão voltando para trás. A polarização é impressionante, está cada vez mais difícil ter amigos: o dinheiro é sempre o assunto principal. E o tipo de cinema que eu quero fazer acabou aqui, eles estão atrás de entretenimento e escapismo. Não estão comprando nada que obrigue o espectador a pensar. A palavra de ordem é desligar. O seu novo filme, "Visions in the Dark", fala muito da ignorância humana, da incapacidade de ver outra forma de olhar para o animal. Com esse filme eu fiz questão de mostrar, por exemplo, que os gaúchos adoram os seus cavalos: cantam, dizem poesia para eles. É um amor inegável, mas também uma ignorância por aquilo que já está posto. Eles aprenderam que o animal se ensina com violência, algo passado pelo avô, pelo bisavô. Os rodeios acontecem todos os finais de semana no Brasil, na Argentina, no Uruguai... Não é uma questão de esclarecer os ignorantes, mas é preciso fazer uma reflexão dessa cegueira contemporânea. A gente inventou a inteligência artificial enquanto o mundo dá sinais claros de que nós temos problemas globais para resolver. Não podemos continuar nessa desconexão.
63:15 18/08/2023

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