Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Natuza Nery vai conversar com especialistas, com personagens diretamente envolvidos na notícia, além de jornalistas e analistas da TV Globo, do g1, da Globonews e demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e oferecer diferentes pontos de vista sobre os assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo. O podcast O Assunto, em comemoração aos 5 anos de existência, selecionou os 10 episódios essenciais para todo ouvinte na playlist 'This Is O Assunto'. Ouça agora no Spotify: https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DXdFHK4Zrimdk
Convidado: Thomas Traumann, comentarista de política da GloboNews e colunista do jornal O Globo. Começou oficialmente neste domingo (16) a corrida eleitoral. E os nomes que concorrem à Presidência lançaram suas candidaturas. Lula (PT) discursou em um evento realizado em São Bernardo do Campo, onde iniciou sua carreira sindical. Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores e fez um discurso em Copacabana, Rio de Janeiro. Ronaldo Caiado (PSD), no entorno do Distrito Federal, Romeu Zema (Novo), em Montes Claros (MG), e Renan Santos (Missão), na capital paulista, também falaram para seus eleitores. Para analisar o tom e o conteúdo dos discursos dos candidatos, Natuza Nery recebe neste episódio o jornalista Thomas Traumann. Thomas explica o que os presidenciáveis tentaram comunicar, o que deu certo e o que deu errado. Ele também avalia o impacto do horário eleitoral, que tem início em 28 de agosto, na tomada de decisão dos eleitores.
8/18/26 • 32:40
Convidado: Renato Meirelles, autor do livro "Brasil da Maioria", presidente do Instituto Locomotiva e fundador do Data Favela. Começou neste domingo (16) a corrida eleitoral para o pleito que será realizado no dia 4 de outubro. A partir desta semana, candidatos e partidos podem pedir voto aos eleitores – e, nesta missão, vão encontrar um país bastante complexo. Trata-se de um eleitorado de quase 160 milhões de brasileiros, mas há um grupo muito grande e heterogêneo que é fundamental para definir o rumo do Brasil que sairá das urnas: a Classe C. De acordo com o Instituto Locomotiva, a população que está nessa faixa (brasileiros que têm renda familiar per capita de R$ 610 a R$ 1.250 por mês) é mais da metade dos eleitores e tem um perfil de voto menos ideológico e mais pragmático. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista Renato Meirelles, autor do livro "Brasil da Maioria", que analisa 25 anos da Classe C. O especialista descreve as principais características desse grupo que vão além da renda: a visão que tem sobre o Estado, o mercado de trabalho e o empreendedorismo e quais são seus valores culturais e religiosos. Ele também explica quem são as figuras políticas que melhor se comunicam com essa parcela da população.
8/17/26 • 24:59
Convidada: Renata Cafardo, autora do livro "O Algoritmo das Famílias", repórter especial e colunista do Estadão e presidente da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca). Uma cidade com pouco mais de 50 mil habitantes no interior do Mato Grosso do Sul foi palco de uma tragédia transmitida ao vivo por uma plataforma que tem cerca de 56 milhões de pessoas cadastradas no país. Uma adolescente de 13 anos cometeu suicídio diante de uma plateia que assistia à transmissão online. A polícia começou a investigar o caso e identificou um cenário com ameaças e chantagem, e a morte passou a ser investigada como homicídio. A rede social onde o evento se deu, o Discord, enfrenta questionamento judicial. Mais que isso: a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo da plataforma. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Renata Cafardo, jornalista que acompanha o caso e que é autora do livro "O Algoritmo das Famílias". Renata descreve como as plataformas online em geral afetam a saúde e comprometem a segurança de crianças e adolescentes – e aponta o que mães e pais podem fazer diante disso. Também falam neste episódio, para explicar o caso da adolescente de 13 anos, Maraísa Cezarino, advogada especializada em proteção de dados, tecnologia e privacidade, e Vanessa Cavalieri, juíza da Infância e Juventude do Rio de Janeiro.
8/14/26 • 29:25
Convidado: Carlos Gustavo Poggio, professor de Ciência Política do Berea College, no Kentucky (EUA). O Departamento de Estado americano publicou na terça-feira (11) um vídeo em suas redes sociais afirmando que o domínio dos Estados Unidos nas Américas "nunca mais será questionado" e mencionando a Doutrina Monroe – estratégia formulada pelos EUA dois séculos atrás e usada pelo país para influenciar o continente. É o mesmo Departamento de Estado que protagoniza a crise diplomática com o Brasil, que culminou no cancelamento do visto americano da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luísa Viotti, no início do mês. No comando desse setor do governo está Marco Rubio, que também é assessor de segurança de Donald Trump. Ele já disse abertamente que "este é o nosso hemisfério" ao se referir às Américas e é conhecido por ser um dos quadros mais ideológicos do partido Republicano. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista Carlos Gustavo Poggio, cientista político radicado nos Estados Unidos. Poggio descreve quem é Marco Rubio e qual o tamanho da influência dele no governo Trump e explica o que ele pensa sobre a expansão da influência americana na América Latina. Ele também analisa o risco de interferência de Rubio nas eleições brasileiras de outubro.
8/13/26 • 30:08
Convidada: Bela Megale, colunista do jornal O Globo. Nos últimos quatro anos, a relação entre Executivo e Legislativo foi atribulada, marcada por atritos nos bastidores e até por críticas públicas de lado a lado. O governo Lula e o Centrão, bloco formado por partidos que vão desde o centro até a direita e que comanda o Congresso, chegaram a um ponto de quase não retorno, mas a proximidade das eleições mudou o clima de lado a lado. Arranjos regionais colocam governistas e integrantes do Centrão no mesmo palanque. No contexto nacional, os partidos que compõem o bloco anunciaram neutralidade na corrida presidencial – depois de namorarem uma aproximação com Flávio Bolsonaro (PL). Mais recentemente, Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reencontraram depois de meses sem se falar. E nesta segunda-feira (10), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que irá apoiar a reeleição do petista. Neste episódio, Natuza Nery conversa com a jornalista Bela Megale sobre como governo e Centrão buscaram pacificar a relação. Ela conta os bastidores do encontro de Lula e Alcolumbre e explica o que motivou o apoio de Motta ao presidente. Bela e Natuza também analisam o futuro dessa relação, quem ganha e quem perde, caso o petista se reeleja.
8/12/26 • 28:03
Convidados: Valdo Cruz, comentarista da GloboNews e colunista do g1, e Carlos Ranulfo Melo, cientista político, professor e pesquisador da UFMG. O líder nas pesquisas de intenção de votos disse que seria candidato ao governo do estado de Minas Gerais, mas seu partido disse que não. Ele insistiu e, mais de uma semana depois, conseguiu: na sexta-feira (7), o Republicanos confirmou que o senador Cleitinho Azevedo irá concorrer. A indefinição sobre a candidatura de Cleitinho embaralhou os arranjos políticos no estado e deixou rastros que podem interferir nas eleições presidenciais – Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país e, desde 1989, o candidato a presidente que ganhou no estado venceu a eleição nacional. Sem a chance de contar com o apoio do candidato do Republicanos, partido que anunciou neutralidade na disputa presidencial, Lula e Flávio Bolsonaro terão palanques mais tímidos: o PT lançou Patrus Ananias e o PL, Flávio Roscoe. Neste episódio, Natuza Nery conversa com dois analistas da eleição em Minas Gerais. Primeiro, ela fala com o jornalista Valdo Cruz sobre os bastidores e sobre os acordos que culminaram na formação das candidaturas ao governo e ao Senado no estado. Depois, ela entrevista o cientista político Carlos Ranulfo Melo, que analisa o comportamento do eleitor mineiro.
8/11/26 • 24:37
Convidadas: Beatriz Rey, cientista política, pesquisadora na Universidade de Lisboa e coordenadora do estudo 'O fortalecimento do Legislativo no Brasil', da Fundação FHC; e Synthya Maia, pesquisadora do Legisla Brasil. A Constituição Federal, aprovada em 1988, indica logo em seu segundo artigo: "São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário". O pacto firmado pela sociedade brasileira no período da redemocratização deu à figura do presidente a centralidade do poder político. Acontece que nas últimas quatro décadas, muita coisa mudou: entre alterações regimentais, impeachments de presidentes e crescente ingerência sobre o destino do Orçamento público, o Congresso aumentou a força gravitacional de seu poder – e vem, historicamente, reduzindo sua taxa de renovação. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista duas pesquisadoras. Primeiro, ele fala com Beatriz Rey sobre o contínuo processo de hipertrofia de poder do Parlamento – e sobre quais foram os instrumentos usados para isso nas últimas décadas. Depois, ele conversa com Synthya Maia sobre o funil para a renovação dos quadros no Congresso.
8/10/26 • 24:27
g1 e GloboNews começam a primeira série de entrevistas do jornalismo da Globo nas eleições deste ano. Ronaldo Caiado, candidato pelo PSD, foi entrevistado nesta sexta-feira (7). Candidato pelo PSD, Ronaldo Caiado afirmou que, caso seja eleito, vai anistiar as pessoas condenadas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. “É uma medida que tem o sentido de pacificar o país”, afirmou. Ele disse também que pretende encaminhar ao Congresso propostas de reformas administrativa e política e de revisão de alguns pontos da reforma tributária: ele avalia que o momento é de “urgência” e promete apresentar essas propostas já no primeiro dia de um eventual governo, além de discutir a necessidade de uma nova reforma, a da Previdência. No campo da segurança pública, o ex-governador de Goiás pretende propor a criação de uma polícia comum para os países da América do Sul, como uma forma de combater o crime organizado transnacional: “É a mesma coisa que a Europa fez. Eu quero ter uma polícia que possa transitar [pelos dez países que fazem fronteira com o Brasil]”. Aos 76 anos, Ronaldo Caiado concorre à Presidência pela segunda vez. A entrevista com Natuza Nery e Andréia Sadi foi transmitida ao vivo pelo g1 e pela GloboNews na tarde de sexta-feira (7) e publicada na íntegra como episódio especial do Assunto. Foram chamados para a série de entrevistas os cinco candidatos com melhor pontuação na última pesquisa Datafolha. Renan Santos, candidato pelo partido Missão, foi entrevistado na quarta-feira (6). Romeu Zema, candidato pelo partido Novo, na quinta-feira (6). A entrevista de Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL, está marcada para segunda-feira (10), mas ele ainda não confirmou presença. Lula, candidato à reeleição pelo PT, foi convidado, mas sua assessoria de imprensa informou que ele optou por não participar.
8/7/26 • 91:24
g1 e GloboNews começam a primeira série de entrevistas do jornalismo da Globo nas eleições deste ano. Romeu Zema, candidato pelo partido Novo, foi entrevistado nesta quinta-feira (6). Candidato pelo partido Novo, Romeu Zema afirmou que, caso fosse presidente do país, retaliaria os Estados Unidos diante das tarifas impostas ao Brasil: “Certamente [iria retaliar]. E vou falar: ‘Pera aí. Tudo tem limites’”. Chamou também Donald Trump, presidente americano, de “imprevisível” e “fanfarrão”. No campo da economia, prometeu que tentará promover um “choque” na área fiscal e privatizar “tudo”: “A começar pela Petrobras. Vamos fazer uma reforma administrativa e uma reforma previdenciária", afirmou. Zema também disse que se inspira no modelo de segurança adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, mas rejeitou aplicar no Brasil medidas implementadas pelo salvadorenho, como prisões baseadas em denúncias anônimas e prisões sem mandados. O ex-governador de Minas Gerais também afirmou ter ficado "surpreso e decepcionado" com as suspeitas de fraudes em licenciamentos ambientais investigadas durante a gestão dele. Aos 61 anos, Romeu Zema concorre à Presidência pela primeira vez. A entrevista com Natuza Nery e Andréia Sadi foi transmitida ao vivo pelo g1 e pela GloboNews na tarde de quinta-feira (6) e publicada na íntegra como episódio especial do Assunto. Foram chamados para a série de entrevistas os cinco candidatos com melhor pontuação na última pesquisa Datafolha. Renan Santos, candidato pelo partido Missão, foi entrevistado na quarta-feira (6). Ronaldo Caiado, candidato pelo PSD, será entrevistado na sexta-feira (7). A entrevista de Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL, está marcada para segunda-feira (10), mas ele ainda não confirmou presença. Lula, candidato à reeleição pelo PT, foi convidado, mas sua assessoria de imprensa informou que ele optou por não participar.
8/6/26 • 91:44
g1 e GloboNews começam a primeira série de entrevistas do jornalismo da Globo nas eleições deste ano. Renan Santos, candidato pelo partido Missão, foi entrevistado nesta quarta-feira (5). Candidato pelo partido Missão, Renan Santos afirmou que, caso seja eleito presidente, não cumprirá decisões monocráticas do STF: "Se o Supremo Tribunal Federal tomar uma decisão ilegal, decisão ilegal não se cumpre. Ponto". Ele também disse que aceitaria negociar e compor seu eventual governo com o Centrão, mas reforçou o uso do termo “parasitas” para chamar parlamentares que integram o bloco. Renan buscou explicar um dos slogans de sua campanha e disse que a frase “prendeu, matou” pode ter interpretação confusa, mas que se trata de um recado político de que irá enfrentar de maneira “dura” o crime – ele falou mais uma vez que sua inspiração nesta pauta é o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, mas ponderou a necessidade de adaptar o bukelismo à realidade brasileira: “Eu não sou Bukele”, afirmou. Na economia, o candidato afirmou que o Brasil vive um “drama fiscal” e propôs medidas como a desindexação do salário-mínimo com a Previdência. Aos 42 anos, Renan Santos concorre à Presidência pela primeira vez. A entrevista com Natuza Nery e Andréia Sadi foi transmitida ao vivo pelo g1 e pela GloboNews na tarde de quarta-feira (5) e publicada na íntegra como episódio especial do Assunto. Foram chamados para a série de entrevistas os cinco candidatos com melhor pontuação na última pesquisa Datafolha. Romeu Zema, candidato pelo partido Novo, será entrevistado na quinta-feira (6). Ronaldo Caiado, candidato pelo PSD, na sexta-feira (7). A entrevista de Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL, está marcada para segunda-feira (10), mas ele ainda não confirmou presença. Lula, candidato à reeleição pelo PT, foi convidado, mas sua assessoria de imprensa informou que ele optou por não participar.
8/5/26 • 90:18
Começa nesta quarta-feira (5) a série de entrevistas realizadas pelo g1 e pela GloboNews com os cinco candidatos à Presidência da República mais bem posicionados na pesquisa Datafolha mais recente. As sabatinas serão conduzidas por Natuza Nery e Andréia Sadi e terão a seguinte programação: Renan Santos (Missão) nesta quarta (5); Romeu Zema (Novo) na quinta-feira (6); Ronaldo Caiado (PSD) na sexta-feira (7); Flávio Bolsonaro (PL) na próxima segunda-feira (10), mas sua campanha ainda não confirmou a participação. O presidente Lula (PT) informou que não virá. Natuza Nery tem um aviso para os ouvintes de O Assunto. Dê o play aqui!
8/5/26 • 01:22
Convidados: Nayara Felizardo, repórter de Política do g1; Rosana Cerqueira, repórter da GloboNews; e Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da Rádio CBN. A convenção partidária do PT confirmou neste domingo (2) que Lula será mais uma vez candidato à Presidência da República – será sua sétima candidatura. Em seu discurso, que durou mais de uma hora, o presidente pediu desculpas pelos erros que cometeu, mas defendeu sua gestão e anunciou uma série de promessas para um eventual quarto mandato: pautas sobre educação, transição energética, idosos, indústria militar e exploração de terras raras. Lula ainda disse que não será o "Lulinha Paz e Amor", mas, sim, o "Lulinha Porreta", e garantiu que irá brigar com o Congresso sobre as emendas parlamentares. No sábado (1), o Missão confirmou Renan Santos como candidato – ele já havia sido indicado pelo partido na convenção online. Na convenção, Renan recusou o rótulo de "terceira via", buscou se apresentar como a alternativa anti-Lula e anti-Bolsonaro e prometeu endurecimento nas políticas de segurança pública. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista três jornalistas. As repórteres Nayara Felizardo e Rosana Cerqueira relatam suas coberturas nas convenções de PT e Missão, respectivamente. Depois, Bernardo Mello Franco analisa os discursos de Lula e Renan e comenta as propostas apresentadas pelos candidatos.
8/4/26 • 37:22
Convidado: Ariel Palacios, correspondente da Globo e da GloboNews para América Latina. Nesta segunda-feira (3), o Brasil completa uma semana sem representação diplomática na Argentina. O embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi convocado às pressas para voltar a Brasília e, neste período, já teve três reuniões com Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores. Esse gesto é raro e tem um significado claro: sinaliza que a relação entre os dois países entrou em crise. O estopim foi a participação do presidente argentino, Javier Milei, na convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro candidato à Presidência. Na ocasião, Milei chamou o presidente Lula de "presidiário" e o ministro do STF Alexandre de Moraes de "lixo careca". Já a crise com o Paraguai nasceu da declaração de Lula: o presidente disse que o país vizinho invadiu o Brasil e que isso levou à declaração da Guerra do Paraguai – o embaixador brasileiro em Assunção foi chamado para dar explicações ao governo do presidente Santiago Peña. Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista o jornalista Ariel Palacios, que fala diretamente de Buenos Aires. Ariel recorda o histórico diplomático entre os países da Tríplice Fronteira e explica o que levou à atual crise entre Brasil e os governos da Argentina e do Paraguai – analisa também a afinidade ideológica dos dois presidentes e de outros governantes da região.
8/3/26 • 20:15
Convidada: Beatriz Grinsztejn, médica infectologista, pesquisadora, presidente da IAS (International AIDS Society) e diretora do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz. Ao longo de mais de quatro décadas, os avanços da ciência transformaram o HIV de uma sentença de morte em uma infecção que pode ser tratada e prevenida com medicamentos cada vez mais eficazes. Mas um novo relatório do UNAIDS aponta que cortes no financiamento internacional, redução dos serviços de prevenção e o avanço de políticas que restringem direitos de populações mais vulneráveis colocam em risco décadas de progresso no combate ao vírus. Embora as mortes relacionadas à AIDS estejam no menor patamar em 30 anos, a ONU afirma que o objetivo de eliminar a doença como ameaça à saúde pública até 2030 corre risco. O Brasil segue como referência no acesso ao tratamento, mas também aparece entre as 21 nações que registraram aumento de novos casos de HIV. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com a infectologista Beatriz Grinsztejn sobre o que explica esse cenário e quais são os principais desafios para evitar um retrocesso no combate ao HIV. Ela analisa o impacto dos cortes no financiamento internacional, do enfraquecimento das políticas de prevenção e do avanço de medidas que ampliam a vulnerabilidade de grupos mais expostos ao vírus. Também explica por que os casos voltaram a crescer no Brasil, apesar dos avanços científicos no tratamento e na prevenção.
7/31/26 • 27:41
Convidado: Marcelo Lins, comentarista e apresentador do GloboNews Internacional. No fim deste ano, o atual secretário-geral da ONU, António Guterres, deixará o comando das Nações Unidas depois de uma década no cargo. O processo para a escolha do novo chefe da organização tem muitos estágios e o mais importante deles começa nesta quinta-feira (30). Trata-se da primeira votação no âmbito do Conselho de Segurança: os representantes dos 15 países que compõem o Conselho informam se "encorajam", se "não encorajam" ou se "não tem opinião" em relação aos candidatos. Serão apresentados sete nomes para este teste de fogo, e dois deles aparecem como prováveis favoritos: a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que já liderou o Alto Comissariado de Direitos Humanos, e o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica. Para vencer, eles precisam de nove votos a favor e nenhum voto contra dos países com poder de veto – Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com o jornalista Marcelo Lins sobre cada etapa desse processo. Lins explica quem são os principais candidatos e quem são os países que os apoiam. Ele também analisa o atual momento da ONU e diz o que pode mudar a partir da nova gestão.
7/30/26 • 24:30
Convidada: Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics, em Washington (EUA). Ao longo de julho, os Estados Unidos anunciaram duas bombas tarifárias contra o Brasil: a primeira de 25%, resultado da investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre supostas práticas desleais da economia brasileira; a segunda de 12,5%, aplicada contra o Brasil e outros países que, de acordo com o USTR, não fiscalizaram adequadamente o emprego de trabalho forçado. O governo brasileiro criticou as medidas e anunciou ações para enfrentar o tarifaço turbinado: na economia interna, prometeu um pacote de R$ 18,5 bilhões para os setores mais afetados; na esfera internacional, levou as sobretaxas para arbitragem da Organização Mundial do Comércio (OMC). Neste episódio, Victor Boyadjian entrevista a economista Monica de Bolle, que fala diretamente de Washington. Monica analisa que respostas o Brasil pode esperar da OMC e explica outros artifícios que podem ser adotados pelo país: como a Lei de Reciprocidade e até mecanismos legais de retaliação em setores estratégicos para os americanos.
7/29/26 • 36:28
Convidado: Victória Cócolo, repórter de Política do g1; Marília Barbosa, repórter do g1 São Paulo; Caetano Tonet, repórter de Política do g1, em Brasília; e Bernardo Mello Franco, jornalista e colunista do jornal O Globo e da Rádio CBN. As candidaturas agora são oficiais. No sábado (25), o PL realizou a convenção que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato do partido à Presidência – o nome do vice ainda não foi anunciado. Participaram do evento figuras da política nacional, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e nomes da direita internacional, caso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que falou em vídeo, e do presidente da Argentina, Javier Milei, que fez discurso anti-esquerda e ofendeu o ministro do STF Alexandre de Moraes. Flávio viu também no telão da convenção o discurso da madrasta Michelle – que mencionou seu nome apenas uma vez – e uma versão do pai, Jair Bolsonaro, feita por inteligência artificial. No domingo (26), o PSD oficializou a candidatura de Ronaldo Caiado: o ex-governador de Goiás discursou ao lado do candidato a vice, o presidente da legenda, Gilberto Kassab, e se colocou como a alternativa anti-Lula e anti-Flávio. Na segunda-feira (27), foi a vez do partido Novo realizar sua convenção para lançar Romeu Zema candidato: o ex-governador de Minas Gerais foi apresentado sem vice na chapa, e investiu em um discurso contra o PT. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com três repórteres do g1 que cobriram as convenções de PL, PSD e Novo: respectivamente, Victória Cócolo, Marília Barbosa e Caetano Tonet. Os três relatam os bastidores dos eventos e tudo que acompanharam in loco. Depois, Victor fala também com Bernardo Mello Franco, que analisa os discursos dos candidatos e o que muda no tabuleiro político a partir de agora.
7/28/26 • 38:13
Convidado: Bruno Natal, jornalista, documentarista e apresentador do podcast 'Resumido'. Na última semana, a OpenAI, a dona do ChatGPT e uma das gigantes da tecnologia, revelou que uma de suas inteligências artificiais invadiu a infraestrutura de uma biblioteca digital "por conta própria" durante um teste de segurança – e afirmou que se trata de um ataque virtual "sem precedentes". O anúncio acendeu um alerta em empresas e especialistas sobre a possibilidade de que as máquinas possam agir de forma autônoma em relação aos comandos definidos por humanos. Nos Estados Unidos, parlamentares apresentaram um projeto de lei para dar ao Departamento de Segurança Interna a autoridade para obrigar que modelos ou ferramentas de IA sejam desligadas. Neste episódio, Natuza Nery entrevista o jornalista especializado em tecnologia Bruno Natal sobre qual é o real risco de que as inteligências artificiais se tornem autônomas – e sobre como seu uso em guerras pode ser ainda mais perigoso.
7/27/26 • 29:04
Convidados: Lívia Sant'Anna Vaz, promotora de Justiça do Ministério Público da Bahia e doutora em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade de Lisboa, e Renan Quinalha, professor de Direito da Unifesp e autor de Movimento LGBTI+. A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apresenta um dado para o país celebrar: a taxa de homicídios em 2025 é a menor dos últimos 14 anos. Mas quando se coloca lupa nestes números, o que se vê é o crescimento da violência para determinadas parcelas da população. Aspectos como raça, gênero, sexualidade e idade podem aumentar a exposição a determinados crimes violentos. Pessoas negras são 80% das vítimas de homicídio no Brasil. O registro de casos de feminicídios bateu recorde em 2025: na média, a cada dia quatro mulheres foram assassinadas no país. A violência contra a população LGBT+ cresceu mais de 35% de um ano para o outro – e isso conta apenas uma parte do problema, pois os crimes contabilizados neste caso são altamente subnotificados. E as crianças e adolescentes são alvos de violências de todo tipo. A cada dez vítimas de estupro no Brasil, seis tinham menos de 14 anos. E os registros de bullying e cyberbullying tiveram um acréscimo de quase 70% em um ano. Neste episódio, Natuza Nery entrevista dois especialistas. Primeiro, a conversa é com a promotora de Justiça Lívia Sant'Anna Vaz, que analisa os aspectos raciais e de gênero da violência. Depois, ela fala com o professor Renan Quinalha sobre os direitos da população LGBT+ e sobre como o Brasil e outros países têm lidado com esta questão.
7/24/26 • 30:30
Convidados: Valdo Cruz, comentarista da GloboNews, e Oscar Vilhena, professor da FGV Direito SP e colunista na Folha de São Paulo. Às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reuniu representantes de cerca de 40 países em Brasília e voltou a levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas brasileiras, repetindo uma alegação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O episódio remete imediatamente à reunião promovida por Jair Bolsonaro com embaixadores em 2022, que levou o ex-presidente a ser declarado inelegível por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Desta vez, Flávio citou um relatório da CIA sobre as eleições na Venezuela para associar, sem provas, as urnas brasileiras à empresa Smartmatic — informação negada reiteradamente pela Justiça Eleitoral. O caso recoloca no centro do debate uma estratégia que marcou as eleições de 2022 e traz de volta discussões sobre a confiança no sistema eleitoral brasileiro. Também levanta questões sobre os limites legais para candidatos que questionam, sem apresentar evidências, a integridade das urnas eletrônicas e sobre o papel da Justiça Eleitoral na proteção da credibilidade das eleições. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Valdo Cruz sobre o momento político em que Flávio faz essa declaração e os impactos para a campanha do senador. Depois, o professor de Direito Oscar Vilhena explica quais são as diferenças entre o caso de Flávio e o de Jair Bolsonaro, quais são os limites jurídicos para esse tipo de discurso e por que ataques infundados ao sistema eleitoral não são tratados apenas como opinião política.
7/23/26 • 31:51
Convidado: Thomas Traumann, comentarista da Globonews e colunista do Jornal O Globo. Na segunda-feira (20), Renan Santos foi oficializado como candidato à Presidência da República pelo Missão, partido que nasceu a partir do MBL (Movimento Brasil Livre) e que recebeu a chancela do TSE apenas em novembro de 2025. Ele foi um dos fundadores do MBL em 2014 e liderou o movimento em seus momentos mais emblemáticos: nas convocações para defender o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, no apoio a Jair Bolsonaro na eleição de 2018 e no posterior rompimento com o ex-presidente enquanto ele ainda ocupava o Palácio do Planalto. Em sua pré-campanha, Renan aumentou sua exposição nas redes sociais e buscou se apresentar como o candidato que é ao mesmo tempo anti-Lula e anti-Flávio Bolsonaro – com ideias e propostas inspiradas em Javier Milei, presidente da Argentina, e em Nayib Bukele, presidente de El Salvador. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Thomas Traumann sobre a candidatura de Renan Santos. Thomas descreve a trajetória do candidato e as ideias que compõem o programa do Missão.
7/22/26 • 32:44
Convidado: Murilo Salviano, repórter correspondente da TV Globo e GloboNews em Londres. Nesta segunda-feira (20), o Reino Unido deu início a um novo capítulo de sua conturbada história política recente. O novo líder do partido trabalhista Andy Burnham assumiu o cargo de primeiro-ministro britânico – ele é sétimo a ocupar o posto nos últimos dez anos. Ele substitui Keir Starmer, que esteve à frente do partido em 2024, quando os trabalhistas conseguiram uma vitória esmagadora na eleição nacional, mas viu sua popularidade derreter nos últimos 23 meses: diante de uma inflação alta e de um escândalo que envolve o caso Epstein, sua rejeição atingiu 74%, a pior de um premiê britânico nos últimos 50 anos. Burnham ganhou o apelido de "Rei do Norte" devido à sua gestão muito bem avaliada como prefeito de Manchester e promete uma agenda mais popular – ele tem o desafio de barrar o crescimento da extrema-direita no país, que se saiu melhor nas eleições regionais britânicas de maio deste ano. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Murilo Salviano, que fala diretamente de Londres. Murilo explica os pilares da derrocada de Starmer e da ascensão de Burnham. Ele descreve também a "gambiarra" política que levou o "Rei do Norte" ao centro do poder britânico.
7/21/26 • 28:11
Convidado: Laura Hauser, historiadora, socióloga, consultora em inovação e autora do livro "Saber conversar na era da IA: sobreviver na tecnoafetividade". Na última semana, a China implementou uma regulamentação rigorosa que proíbe os "namorados virtuais" de inteligência artificial, sob a justificativa de combater a dependência emocional e o vício. A medida, que forçou gigantes como ByteDance e Alibaba a suspenderem essas funções, provocou uma onda de lamento nas redes sociais chinesas, onde usuários relatam a perda de seus "pilares espirituais" e parceiros digitais que já consideravam parte da família. A indústria chinesa de companhias virtuais cresce mais de 80% anualmente e, em 2024, movimentou mais de R$ 3 bilhões. Mas não se trata de um fenômeno isolado na China: um estudo da Common Sense Media mostrou que quase três em cada quatro adolescentes americanos já usaram companheiros criados pela IA para relacionamentos pessoais. A Organização Mundial da Saúde informa que uma em cada seis pessoas no mundo sofre de solidão e declarou que esta é uma ameaça global à saúde pública. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Laura Hauser, que estuda em seu doutorado como pessoas têm se relacionado intimamente com a inteligência artificial. Laura explica o paradoxo da "tecnoafetividade", analisa o que chama de "quarta ferida narcísica" e alerta para a "economia da intimidade": o lucrativo modelo de negócio das big techs que utiliza o vínculo emocional com robôs para nos manter conectados por muito mais tempo. Na abertura desta edição, a psicanalista Carol Tilkian, pesquisadora de relações humanas, também comenta este fenômeno.
7/20/26 • 30:08
Convidados: Embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e Presidente da 9G Consultoria; Bruna Santos, diretora do Programa Brasil do Inter-American Dialogue, em Washington (EUA). O governo dos Estados Unidos oficializou que irá impor a sobretaxa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros a partir do dia 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio americano sobre supostas "práticas desleais" da economia brasileira – o relatório final cita desmatamento, proteção de propriedade intelectual, tratamento às big techs e até o PIX. Em uma manifestação pública, o secretário de Estado Marco Rubio criticou o presidente Lula e disse que faltou "boa-fé" ao governo brasileiro. O Palácio do Planalto classificou a medida como um marco "lastimável" na relação entre os países e ameaça acionar a Lei de Reciprocidade. Neste episódio, Natuza Nery entrevista dois especialistas em geopolítica e relações internacionais. Primeiro, a conversa é com o embaixador Roberto Azevêdo: ele conta os bastidores das negociações entre agentes brasileiros e americanos e analisa as regras de um comércio internacional baseado na força. Depois, Natuza fala com Bruna Santos, que comenta a deterioração das relações diplomáticas entre Brasil e EUA.
7/17/26 • 40:29
Convidado: Felipe Nunes, cientista político, professor da FGV-SP e diretor da Quaest. A última pesquisa realizada pelo instituto antes do início oficial das campanhas eleitorais, em 16 de agosto, mostra que o presidente Lula (PT) abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas simulações de 1º turno (40% a 28%) e de 2º turno (45% a 37%). A sondagem, que foi divulgada nesta quarta-feira (15), dá sinais de que Lula está recuperando pontos na aprovação de seu governo e em segmentos importantes – por exemplo, entre eleitores independentes e eleitores jovens. Essa edição da Quaest também indica que Flávio perdeu espaço entre os eleitores dispostos a votar em candidatos da oposição e demonstra que a direita que não se identifica como bolsonarista pode buscar alternativas na urna. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Felipe Nunes, diretor da Quaest. Felipe disseca todos os dados desta pesquisa e analisa os sinais positivos e negativos para Lula, para Flávio e para os candidatos da chamada terceira via. Ele também avalia os impactos eleitorais dos eventos mais recentes da política brasileira e conta o que as projeções do instituto indicam.
7/16/26 • 36:29
Convidado: Rafael Moraes Moura, repórter na coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo. Uma carta escrita por Jair Bolsonaro durante a prisão domiciliar foi divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais. No texto, o ex-presidente pede que aliados deixem de lado as diferenças e afirma que o filho é a melhor opção para disputar a Presidência da República em 2026. A publicação da carta, porém, levou a uma reação imediata do Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes entendeu que Bolsonaro desrespeitou a proibição de usar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros, e que a visita de Flávio ao pai teve como objetivo contornar essa restrição. Como consequência, os dois foram proibidos de se encontrar até depois do primeiro turno das eleições, e a defesa do ex-presidente terá de explicar se ele sabia que a mensagem seria divulgada. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Rafael Moraes Moura, repórter na coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, sobre o conteúdo da carta, a decisão do STF e as consequências da divulgação do documento nas redes sociais.
7/15/26 • 27:03
Convidado: Breno Pires, repórter da revista "Piauí". Na última semana, o ministro do STF Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 125 milhões em bens de caciques políticos sem mandato. A decisão trouxe à tona um possível esquema de destinação de verbas públicas que envolve a cúpula do Congresso. As investigações da Polícia Federal (PF) buscam esclarecer se o Orçamento Secreto deu origem a novos mecanismos para camuflar a distribuição de recursos, mesmo após ter sido considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2022. Em outras palavras: a PF investiga se dinheiro público continua sendo usado para gerar ganhos políticos por meio de emendas parlamentares. Entre os investigados de agora estão o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que teriam atuado como "agentes privados" com influência superior à de deputados eleitos. A engrenagem desse "arranjo decisório paralelo", como definiu a PF, seria abastecida por servidores da própria Casa Legislativa. Mensagens obtidas pela investigação mostram, por exemplo, Cunha, cassado em 2016, gerenciando planilhas e reclamando de "mineiros enrolados" enquanto direcionava milhões de reais para redutos eleitorais em Minas Gerais, de olho em sua própria campanha. Não para por aí. O cerco às emendas parlamentares parece se aproximar da atual presidência da Câmara. Breno Pires, repórter da revista Piauí, explica n’O Assunto como Hugo Motta (Republicanos-PB), que classificou as decisões de Flávio Dino como uma "indevida intervenção judicial", vê seu próprio partido sob escrutínio. Isso porque, como mostra o estudo da Transparência Brasil divulgado nesta segunda-feira (13), quase metade dos recursos de emendas de comissão do Republicanos foi destinada à Paraíba, reduto político de Motta, sem que se saiba qual parlamentar fez as indicações. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Breno Pires para explicar como o poder sobre o Orçamento da União continua concentrado em poucas mãos, à revelia da transparência exigida por lei.
7/14/26 • 31:40
Convidada: Vera Iaconelli, psicanalista, doutora em Psicologia pela USP, diretora do Instituto Gerar de Psicanálise e escritora. São raros os momentos em que um país inteiro olha para o mesmo lugar. Neste ano, isso irá acontecer duas vezes. A primeira já passou: os torcedores brasileiros acompanharam a trajetória da Seleção na Copa do Mundo, que acabou com a derrota de 2 a 1 para a Noruega nas oitavas-de-final. A próxima será em outubro, quando milhões de eleitores forem às urnas para escolherem seus representantes – entre eles o presidente da República. São dois eventos que mobilizam sentimentos diversos dentro do país: podem unir e podem rachar completamente a sociedade, e têm capacidade de gerar pertencimento, raiva, decepção ou euforia. E o conjunto dessas emoções ajuda a explicar o que é o Brasil. Neste episódio, Natuza Nery conversa com a psicanalista Vera Iaconelli sobre como o país encara a Copa do Mundo e as eleições de outubro. Vera também explica por que defende que o Brasil deve encarar o divã e reflete sobre a construção da sociedade brasileira e as violências que instituíram algumas das nossas desigualdades.
7/13/26 • 25:56
Convidadas: Carla Boin, advogada de família, professora da USP e presidente da Comissão de Justiça Restaurativa da OAB-SP, e Mariene Ramos, pesquisadora da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Cerca de 11 milhões de mulheres criam sozinhas seus filhos e filhas no Brasil. A lei determina que os genitores dessas crianças e adolescentes têm responsabilidades afetivas e financeiras, mas essa não é a realidade em muitos casos: 1,7 milhão de crianças sequer têm o nome do pai nas certidões de nascimento e há mais de 600 mil processos de pensão alimentícia em andamento no país. Nessa semana, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei que pode reduzir a inadimplência nos pagamentos a partir de um mecanismo de cobrança automática: o Pix Pensão Alimentícia, que agora aguarda a sanção do presidente Lula. Neste episódio, Natuza Nery entrevista duas mulheres que estudam esta pauta. Primeiro, ela conversa com a advogada Carla Boin sobre o que diz a legislação a respeito do direito à pensão alimentícia e sobre o que muda com a nova lei. Depois, a pesquisadora Mariene Ramos detalha sua pesquisa sobre o universo das mães solo no Brasil.
7/10/26 • 26:04
Convidado: Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, pesquisador da Universidade de Harvard e do Carnegie Endowment, nos Estados Unidos. "Para mim, acho que acabou. Eu não quero mais lidar com eles", disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito com o Irã, na cúpula da Otan, na Turquia. A declaração do republicano veio depois de uma nova troca de ataques entre os dois países, menos de um mês após o anúncio de um acordo provisório para interromper os bombardeios e retomar as negociações sobre o programa nuclear iraniano. A escalada de violência acontece durante os cortejos do funeral do aiatolá Ali Khamenei e em meio ao teste de força do regime sob o comando do seu filho, Mojtaba. A retomada dos ataques reacende o temor de um conflito de consequências globais. O preço do petróleo disparou, as bolsas caíram e voltou a crescer a preocupação com o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV e pesquisador da Universidade de Harvard e do Carnegie Endowment, sobre o colapso da trégua, os interesses por trás da retomada dos ataques e os riscos de uma nova escalada militar.
7/9/26 • 23:57